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Estado Islâmico executa 13 jovens pelo “crime” de assistirem a um jogo da seleção iraquiana

O futebol, muitas vezes, serve para a libertação de um povo. O Iraque experimentou essa sensação em 2007, quando conquistou a Copa da Ásia e permitiu a sua população ter orgulho do país, em meio à guerra com os Estados Unidos. No entanto, na contramão da liberdade que representa, o futebol também pode ser elemento para a barbárie. Como relata o grupo ativista Raqqa Is Being Slaughtered Silently, denunciando o assassinato de 13 jovens iraquianos pelo grupo extremista Estado Islâmico. A culpa dos garotos? Assistir à estreia da seleção nesta Copa da Ásia.

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“Os corpos permaneceram deitados a céu aberto e seus pais não foram capazes de retirá-los de lá, com medo de também serem assassinados pela organização terrorista”, declarou a entidade, sobre o massacre ocorrido na cidade de Mosul, 400 km ao norte de Bagdá. Segundo um porta-voz do Estado Islâmico, o “crime” dos garotos foi o de quebrar as regras religiosas ao ver o jogo contra a Jordânia, realizado no último dia 12.

Segundo a denúncia, o fuzilamento dos jovens por metralhadoras teria acontecido durante a noite, em ato público uma semana depois da partida. O Estado Islâmico possui controle de algumas cidades importantes do Iraque, entre elas Mosul e Fallujah, além de regiões da Síria, como Raqqa – na qual os ativistas do Raqqa Is Being Slaughtered Silently atuam.

O Iraque segue na disputa da Copa da Ásia e, classificado para as quartas de final, enfrenta na próxima sexta (o dia mais sagrado para os islâmicos) o rival Irã. E o que resta é esperar que o futebol não sirva outra vez de pretexto para o terror de grupos fundamentalismo. A partir do que afirmou Eric Cantona, é importante separar o fanatismo e a maioria dos muçulmanos, que certamente se sentem desconfortáveis com o que aconteceu. Porém, não dá para deixar de condenar um extremismo capaz de tamanha barbárie e que vai justamente na contramão do que prega a religião.

Área dominada pelo Estado Islâmico no Oriente Médio (Fonte: Mirror)
Área dominada pelo Estado Islâmico no Oriente Médio (Fonte: Mirror)

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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