Ásia/Oceania

Os motivos e impactos da venda do Al-Hilal, um ‘símbolo nacional’ na Arábia Saudita

Kingdom Holding Company anunciou a compra de 70% do gigante saudita nesta quinta-feira (16)

O Al-Hilal, principal clube do continente asiático nos últimos anos, teve sua venda confirmada nesta quinta-feira (16). O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) anunciou a negociação de 70% do gigante saudita para a Kingdom Holding Company, empresa do príncipe Alwaleed Bin Talal, que é membro da família real do país.

A venda do Al-Hilal foi concretizada por 373 milhões de dólares (cerca de R$ 1,86 bilhão na cotação atual), removendo o principal clube do país do controle do PIF, que detém a administração de Al-Nassr, Al-Ahli e Al-Ittihad. O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita foi o principal provedor para os grandes orçamentos dos quatro grandes nos últimos anos, incluindo a contratação de Cristiano Ronaldo.

O Al-Hilal sempre foi a potência do futebol saudita e já figurava recorrentemente em fases finais da Champions League da Ásia e no Mundial de Clubes, tendo enfrentado e eliminado o Flamengo em 2023, antes dos mercados fartos de negociações dos craques que lá estão atualmente.

Por que o Al-Hilal foi vendido?

O futebol da Arábia Saudita passou por um fenômeno de expansão global abrupto a partir de 2023, quando Cristiano Ronaldo chegou ao Al-Nassr com vencimentos nunca antes vistos no universo futebolístico. Em um efeito manada, vários outros jogadores de renome foram contratados entre julho e agosto daquele ano, incluindo Karim Benzema, Neymar, Riyad Mahrez, Sadio Mané, N’golo Kanté, Ivan Toney e Rúben Neves.

No entanto, com o passar das janelas de transferências, os investimentos do PIF nos quatro grande clubes foram diminuindo, com o viés de promover negociações mais sustentáveis e buscar maior profissionalização interna em cada uma das gestões. Inclusive, recentemente, Cristiano Ronaldo chegou a promover uma espécie de ‘greve’, ausentando-se de três jogos do Al-Nassr, por entender que o rival, Al-Hilal, estaria recebendo maior suporte do Fundo de Investimentos em relação aos demais.

Al-Hilal foi vendido pelo PIF
Al-Hilal foi vendido pelo PIF. Foto: IMAGO/Abdullah Ahmed

Três meses após as reclamações do craque português, é anunciada a venda do Al-Hilal e o PIF anuncia uma revisão nos investimentos, buscando se reposicionar com o direcionamento de inversões dentro da Arábia Saudita.

Com o êxito da candidatura para a Copa do Mundo de 2034 e as várias contratações badaladas, o fundo entende que existem áreas mais necessitadas de aportes no território nacional e Yazeed Al-Humied, chefe de investimentos do PIF no Oriente Médio, falou sobre o assunto:

— O PIF estabeleceu metas ambiciosas para os clubes, permitindo que eles se tornem bem-sucedidos comercial e profissionalmente e alcancem a sustentabilidade financeira a longo prazo. O anúncio de hoje está alinhado com a estratégia do PIF de maximizar os retornos e reinvestir o capital na economia nacional — revelou.

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Qual o impacto da venda do Al-Hilal?

Com a saída do grupo de clubes financiados pelo PIF, existe a expectativa para investimentos ainda maiores no Al-Hilal, sem a necessidade de se adequar ao teto imposto anteriormente e se “igualar” aos demais grandes. Com orçamento mais flexível, o clube estará vinculado oficialmente ao príncipe Alwaleed Bin Talal, membro da família real saudita, torcedor da equipe e, em alguns momentos, um “mecenas” externo mesmo com a administração do PIF.

Diante da aquisição, Alwaleed Bin Talal discursou no evento de oficialização da compra do Al-Hilal e tratou principalmente da possibilidade de desbloquear o potencial do clube:

— O Al-Hilal é um símbolo nacional e motivo de orgulho para o povo saudita. Esta aquisição expressa nossa profunda crença no poder do esporte como força unificadora e catalisador para o desenvolvimento nacional. Aplicando nossos padrões globais de investimento e cultivando parcerias estratégicas, desbloquearemos todo o potencial do Al-Hilal — afirmou.

Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaGerente de Mercado

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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