– Babbo, foi a primeira Eurocopa que eu vi inteirinha. E foi o campeonato mais legal que eu vi! Melhor que Copa, Eliminatórias, Copa América, qualquer outra.

– Filhão, desde a minha primeira Euro, a primeira com grupos, em 1980, talvez tenha sido a melhor. Certamente, desde que temos 16 seleções em campo na fase final, essa foi disparada a melhor de todas. E o que é ótimo: o melhor time foi campeão. Melhor ataque, melhor defesa, melhor tudo. Grande Espanha!

– Quem foi o craque para você? Pra mim foi o Arshavin.

– Pois é… Ele jogou muito contra a Suécia, jogou demais (na prorrogação) contra a Holanda, e não jogou lhufas contra a Espanha. Na média, ele não entra nem nos meus 11.

– O Xavi mereceu ser o melhor da Euro?

– Pelo que fez nas partidas finais, é um excelente voto. Na decisão, começou como volante, terminou como meia, e fez de tudo. Ele e o meio-campo espanhol. Mas ainda acho que mais decisivo e determinante, além de mais regular, foi o Villa.

– Mas nem jogou a final?! Por isso não votei no Fàbregas. Não pode um reserva ser o melhor do time e da Euro. Também não gosto do Aragonés por causa disso. Não pode deixar um cara como ele de fora.

– Filhão, você mesmo disse que é estranho um jogador como ele ficar de fora. E o pior (ou melhor) é que não fez tanta falta. É uma das questões do futebol de hoje. Não temos mais um craque. São vários bons jogadores. Não foi fácil montar a seleção do campeonato.

– Eu votaria no Casillas.

– Jogou demais. Catou muito. Foi essencial para acabar com o trauma dos pênaltis, contra a Itália, e nas quartas-de-final. Mas é o goleiro menos acionado da Euro. Por conta disso, fico ou com o Buffon ou com o Van der Sar. Excelentes e que tiveram de se virar todo o torneio, com grandes defesas. Mais vezes que o Casillas.

– O Lahm seria o meu lateral-direito. Mas ele errou feio nos últimos dois jogos. Eu voto no Corluka, da Croácia.

– Bom voto, filhão. Mas o Sergio Ramos anulou o Podolski na decisão. E foi bem pegando o ótimo Zhirkov, lateral da Rússia, na semifinal. Ele ganha o meu voto de lateral-esquerdo. O “Ronaldinho russo”…

– O Pranijc da Croácia também é bom. Mas concordo que o Zhirkov jogou demais. Até porque ele é um winger, né?

– Também. Coisa boa da Euro é que os laterais foram ofensivos, os volantes sabem jogar. Ninguém jogou com três cabeçudos na entrada da área… Viu, Dunga?

– Mas zagueiro, mesmo, não tivemos grande coisa. Eu gostei do Puyol e do Simunic. O Mathijsen também jogou bem.

– Fico com dois canhotos. Marchena (que se superou) e Chiellini, um que calou a minha boca.

– Por que não tivemos grandes zagueiros?

– Não sei se foram os esquemas mais ofensivos. Mas, de fato, nenhum se sobressaiu.

– Mas o Marcos Senna ajudou o Marchena e o Puyol, né?

– Ô! Baita Euro dele. Agora, é uma sacanagem o pessoal pegar no pé do Luxemburgo por ele ter mandado o Senna embora do Corinthians, em 2001. Alguém da Gaviões, algum jornalista ficou contrariado?

– Não sei, Babbo. Mas é aquilo que você fala – você às vezes acerta: tem gente que melhora com o tempo.

– O Marcos Senna é um deles. Pelo que jogou, poderia estar na seleção brasileira. Antes, não.

– O Xavi jogaria no meio-campo da minha seleção. Ele, o Fàbregas e o Sneijder.

– O Xavi atropelou no fim. Jogou demais. Mas eu gostei do David Silva. Pela direita ou pela esquerda, foi um baita winger. E ainda assumiu o time e a criação por alguma vezes.

– Gostei mais do Iniesta. Marca mais e joga melhor.

– Também jogou muito. E foi mais regular.

– É por isso que você tirou o Arshavin do seu time?

– Sim. O que sobrou na Espanha em toda a Euro faltou aos rivais. Regularidade.

– O Luiz Fernando Bindi mandou bem ao dizer que essa Euro assassinou os clichês. A Espanha foi campeã, a Alemanha perdeu uma decisão…

– Fato. Está tudo tão nivelado que até o chavão de que está tudo tão nivelado pode ser mudado.