Reserva de Raphinha ou nove titular? Como Gordon poderia ajudar o Barcelona
Atacante inglês deve chegar ao Barça por 80 milhões de euros em contrato até o meio de 2030
O possível acerto do Barcelona com Anthony Gordon dará a Hansi Flick mais opções no ataque, um dos setores com menos opções do clube culé. Robert Lewandowski deixou o Camp Nou, Raphinha sofreu com lesões ao longo da temporada recém-finalizada na Espanha e os meias Fermin López e Dani Olmo precisaram quebrar um galho na ponta.
O atacante inglês, convocado por seu país para a Copa do Mundo do próximo mês, era alvo de Bayern de Munique e Liverpool. É uma prova de suas qualidades, afinal, deve custar cerca de 80 milhões de euros (R$ 467,3 milhões), segundo diferentes relatos da mídia europeia. A Trivela analisa como o jogador de 25 anos se encaixará nos Culés.
Gordon entrega mobilidade e velocidade na ponta e no centro do ataque
Após emergir como um ponta muito veloz no Everton, capaz de grandes conduções com a bola e superar adversários facilmente, Gordon ganhou novas facetas em seu jogo com a mudança para o Newcastle.
Como já tinha acontecido pontualmente nas seleções de base e nos Toffees, o jogador foi usado pelo técnico Eddie Howe como um centroavante de mobilidade em algumas oportunidades, firmando-o nessa função com frequência na temporada atual, pois os substitutos de Alexander Isak, Nick Woltemade e Yoane Wissa, não se firmaram. Com isso, fez a temporada mais artilheira da carreira, com 17 tentos.
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Como atacante central, o inglês consegue flutuar para o meio-campo para se associar e cair pelas pontas, além de infiltrar no espaço às costas da defesa adversária com velocidade, algo muito parecido com o que Ferran Torres faz no Barcelona — o espanhol também começou a carreira como ponta.
Gordon, inclusive, vê que ser um centroavante será o futuro de sua trajetória. “Sinto que, à medida que a minha carreira progride, acabarei por jogar mais centralizado, enquanto que antes me via sempre como ponta“, disse à “TNT Sports”.
Em outros momentos, ele também atuou como camisa 10 e ponta direita, mas boa parte de suas atuações são mesmo pela esquerda, onde se firmou como um dos principais talentos da Inglaterra e chegou à seleção local.
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Como Gordon poderia jogar no Barcelona
Seria natural colocar Gordon como o camisa 9 titular ao projetar um time ideal do Barcelona para a próxima temporada. Ele é mais jogador que Ferran Torres, atacante que teve mais minutos que Lewandowski em 2025/26, e faria um trio de ataque interessante com Raphinha à esquerda e Lamine Yamal à direita.
O inglês entrega, além de características técnicas com a bola, muita dedicação sem bola para pressionar. Isso é um quesito inegociável de Hansi Flick e que justifica por que Ferran teve tantos minutos em vez do experiente atacante polonês.
— A velocidade de Anthony, sua vontade de liderar a pressão, faz o time jogar melhor, porque seu entendimento tático de quando e como pressionar é de elite — elogiou Eddie Howe.
Como nove, no entanto, poderia encontrar problemas de espaço para atacar na maioria dos jogos do Barcelona. Os Culés quase sempre enfrentam defesas muito fechadas e com as linhas próximas da área, o que permite pouco espaço para correr. Será exigida mais capacidade de associação do jogador formado pelo Everton.
Gordon, porém, também pode ganhar muitos minutos pela esquerda do ataque, afinal, o dono do setor tem sofrido com vários problemas físicos. Raphinha só foi titular em 18 das 38 rodadas da última LaLiga. O brasileiro somou quatro questões musculares na coxa em 25/26 e passou 112 dias no departamento médico, segundo o site “Transfermarkt”.
O inglês, por outro lado, tem lesões mais raras e costuma estar à disposição do técnico com frequência. Desde 2022, ele só foi desfalque em 21 jogos.
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Preço do atacante inglês, porém, não se justifica
O jovem inglês parece ter um encaixe fácil ao esquema do Barcelona e tem características que fazem sentido ao estilo de jogo de Flick. O problema é a quantia investida nele.
80 milhões de euros é um valor que, com 10 ou 20 milhões a mais, se contrata um jogador de elite para elevar o ataque do Barcelona mais do que Gordon fará. Khvicha Kvaratskhelia, por exemplo, custou 80 ao PSG. Julián Alvarez foi vendido por 75 ao Atlético de Madrid.
Alvarez, inclusive, já era um sonho do time e seria uma opção absolutamente mais confiável e mais pronta para entregar que o jogador do Newcastle, que ainda terá que se adaptar ao ritmo mais cadenciado do futebol espanhol.
Vale citar que Gordon ainda não é um centroavante consolidado. Dos seus 46 jogos na temporada, só 16 foram atuando centralizado. Ele ainda perde muitos gols — teve quatro gols esperados abaixo nas duas últimas temporadas da Premier League, quando desperdiçou 19 chances claras, segundo o “SofaScore”.
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O Barça poderia ter investido 30 milhões de euros em Marcus Rashford, valor que o Manchester United cobrava para mantê-lo no Camp Nou após um ano de empréstimo, deixá-lo como reserva de Raphinha e juntar mais dinheiro para contratar um camisa 9 de peso.
Gastar tudo isso em Gordon, para um clube que ainda se recupera da crise financeira dos últimos anos, parece um movimento muito ousado. Os Culés ainda precisarão investir pesado em pelo menos um zagueiro, pois é o setor mais sensível do elenco blaugrana, e Flick precisa de um novo nome de velocidade para encaixar melhor em sua ousada linha alta.
De toda forma, o técnico alemão já se mostrou um dos melhores do mundo no quesito potencializar jogadores. O inglês pode, mesmo que hoje não pareça justo pagar tanto por ele, justificar seu investimento e explodir seu número de gols de forma inédita. Atualmente, não é o que aparenta.