Por que linha alta do Barcelona é caminho ‘sem saída’ para o clube
Estilo de jogo do Barça foi questionado após eliminação para o Atlético de Madrid na Champions League
A eliminação do Barcelona nas quartas de final da Champions League reacendeu o debate em relação ao estilo de jogo implementado por Hansi Flick. A alta linha defensiva, para acompanhar a pressão na saída de bola do adversário, acabou sendo o caminho que o Atlético de Madrid encontrou para marcar dois gols e forçar suas expulsões do rival na ida e na volta.
Aproveitar-se da posição da defesa dos Culés não foi uma novidade dos Colchoneros. O Barça sofreu gol nos últimos 15 jogos da Liga dos Campeões, pior marca da história para qualquer clube espanhol, muitos desses tentos a partir de bolas em profundidade nas costas de zagueiros e laterais.
Isso já foi um ponto na eliminação na Champions passada, quando o Barça foi vazado sete vezes, em três a partir de jogadas rápidas aproveitando a linha de defesa, em uma semifinal insana com a Internazionale.
A questão é que essa postura agressiva — e, por vezes, exposta — dificilmente mudará com Flick, que sofre ao não ter os jogadores ideais para que sua estratégia seja mais efetiva em jogos eliminatórios. Virou uma “sinuca de bico” para o Barcelona.
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Flick acredita que esse é o DNA do Barcelona
Na última temporada, a linha alta dos Culés virou notícia de tão efetiva. Só por LaLiga, foram 181 vezes que o time deixou o adversário em posição irregular. O ápice foi um El Clásico em outubro de 2024, quando, além de golear por 4 a 0, deixou o rival impedido em 12 oportunidades, sendo oito só de Kylian Mbappé.
Isso, no entanto, mudou para 2025/26. A linha defensiva pareceu menos sincronizada que antes para deixar os atacantes impedidos, tendo um claro impacto da saída de Iñigo Martínez, o responsável pelo gatilho para subida da linha e sem substituto no elenco. “Para ele, eu era uma peça-chave, e minha saída desorganizou um pouco seu quebra-cabeça”, disse, à “Cope, o zagueiro que se mudou para a Arábia Saudita.
Também houve uma maior adaptação dos concorrentes, que utilizaram armas de atração e corridas de antes do meio-campo, onde não há impedimento, para explorá-la.
Ao mesmo tempo, o time perdeu em intensidade, com queda física coletiva e várias lesões de jogadores titulares, seja na defesa, meio-campo ou ataque. Por exemplo, só Raphinha perdeu 21 partidas nesta temporada, ante 13 em 24/25.
As falhas na pressão dos atacantes, inclusive, são uma das razões para a linha alta ser explorada, afinal, dá campo para o adversário sair jogando e poder atacar em velocidade. O Atlético de Madrid fez com maestria também na eliminação na semifinal da Copa do Rei, com três dos quatro gols na goleada da ida sendo marcados a partir de saídas rápidas pouco pressionadas.
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Flick nunca mudou o discurso e reforçou que acredita na sua filosofia, mesmo com as críticas, que chegaram ao auge entre novembro e dezembro do ano passado, com empate em 3 a 3 com o Club Brugge e derrota por 3 a 0 para o Chelsea.
— Claro que podemos falar em mudar tudo, mas eu não sou um treinador que vá mudar isso, porque queremos jogar de acordo com o que está no nosso DNA. Não queremos defender em bloco baixo e depois fazer uma transição para ganhar por 1 a 0.
A postura irredutível do técnico alemão mostra que isso não vai mudar. Dá para dizer que, em competições de pontos corridos, a estratégia, em um ambiente de mais controle, menos caótico, dá certo. Campeã espanhola no último ano, a equipe catalã deve repetir a conquista, pois soma nove pontos de distância para o Real Madrid a sete rodadas do fim.
Porém, em confrontos eliminatórios em que há a margem mínima para erros, o fator mental do peso de uma eliminação e um controle menor, os riscos que o Barcelona toma são demasiados.
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Novos zagueiros poderiam ajudar o Barcelona
A exposição defensiva da linha poderia ser mitigada, e o time ser mais competitivo em mata-mata com uma mudança no perfil de defensores do elenco. A zaga soma poucas opções de jogadores rápidos e atléticos para correr para trás e recuperar um lance que se repete quase todo jogo do Barça. Nas laterais, só Jules Koundé cumpre esse perfil.
A questão é que jogadores desse tipo, ainda com o adendo de que precisam ser bons na saída de bola, costumam ser muito valorizados no mercado. Uma linha defensiva com um bom exemplo ao Barça é a do PSG com Nuno Mendes, Achraf Hakimi e William Pacho — que, juntos, custaram 146 milhões de euros. Alessandro Bastoni, alvo da zaga, não possui essas características.
Um investimento do tipo, porém, não é possível pela realidade do clube. Aí, a situação “sem saída”. O Barcelona, após anos lutando contra as regras financeiras de LaLiga, encontrou um equilíbrio entre receita e gastos. Ainda assim, há pouco espaço no orçamento para muitos investimentos. Inclusive, boa parte dessa grana ficará só para uma posição.
Para a próxima temporada, o Barça provavelmente deve gastar muito dinheiro em um substituto para Robert Lewandowski, que, em fim de contrato, não deve continuar. A não ser que o clube veja Ferran Torres como um centroavante titular, o que parece improvável, apesar de o espanhol ter 19 gols na temporada e ser muito dedicado sem bola.
Ainda há mais investimentos que talvez fiquem na frente de novos defensores, como o reserva de Raphinha, que pode ser Marcus Rashford em definitivo ou outro nome. O time catalão deve ainda viver algum tempo no limite entre o ousado e o exposto com sua linha defensiva.