Champions League

‘Por que Hansi Flick insiste em um plano fadado ao fracasso no Barcelona?’

Culés sofreram 20 gols em 15 jogos na temporada e estilo de jogo super ofensivo vira alvo de críticas na imprensa europeia

O momento do Barcelona, especialmente defensivo, não é bom. O time, com sua forma agressiva e ofensiva de olhar, tem vacilado na defesa e chegou a 20 gols sofridos em 15 partidas na última quarta-feira (5), quando empatou por 3 a 3 com o Brugge pela Champions League. A “peneira” na zaga tem sido alvo de questionamentos na Europa.

Ruud Gullit, lenda do futebol holandês dos anos 80 e 90, define a estratégia da alta linha defensiva como suicida pelos riscos que o time catalão toma, buscando deixar os adversários em posição de impedimento — no último jogo, sofreu dois tentos de bolas em profundidade na defesa.

Cada perda de bola é um convite aberto para um contra-ataque. Não se ganham títulos jogando assim“, disse o ex-jogador à emissora “BeIN Sports”, ainda citando diretamente a persistência de Flick no seu estilo de jogo.

— Por que insistir num plano fadado ao fracasso? Jogar desse jeito é contraproducente e simplesmente ‘kamizake’. Vimos isso na última temporada: os adversários já descobriram como desmontar essa linha defensiva alta. E ainda assim, nada mudou. Quando você é o Barça, precisa se adaptar, não teimosamente insistir nas suas convicções — analisou Gullit.

Rashford em jogo do Barcelona
Rashford em jogo do Barcelona (Foto: Imago)

Thierry Henry, ex-Barcelona, também tratou como um problema não resolvido da última temporada, mesmo que a equipe tenha vencido os títulos de LaLiga, Copa do Rei e Supercopa da Espanha. Para o francês, a questão é coletiva e a forma que a defesa tem ficado desprotegida.

— Estamos vendo os mesmos erros do ano passado. O número de gols que eles sofrem é excessivo, e muitos são fáceis demais. Não é normal que os defensores estejam constantemente em inferioridade numérica ou que o goleiro fique tão exposto. Com o talento que o Barça tem, isso não faz sentido. Até quando vamos continuar repetindo a mesma coisa? — questionou, em participação na “CBS Sports”.

— Não se trata apenas de pressionar. Quando os adversários atacam pelos lados, a defesa desmorona. Também é preciso saber proteger o próprio gol — completou.

Até o técnico da seleção francesa entrou no mar de citações sobre a defesa do Barcelona. Durante entrevista coletiva após a convocação para Data Fifa deste mês, Didier Deschamps, ao ser questionado sobre as falhas recentes de Koundé, citou a diferença na forma que joga pelo clube e por seu país.

— Tem a ver com o que fazem no Barça, com uma linha defensiva muito, muito adiantada, independentemente do momento da partida ou do placar — disse.

Flick não mudará filosofia do Barcelona: ‘Não sou esse tipo de técnico’

“Somos o Barça e queremos jogar o nosso futebol. Podemos falar em mudar tudo, mas eu não sou esse tipo de técnico. Vamos jogar de acordo com o nosso DNA“, é assim que Flick respondeu sobre os questionamentos sobre seu estilo de jogo após o empate com o Brugge.

— Não vamos nos defender no nosso próprio campo e vamos jogar no contra-ataque para vencer por 1 a 0. Podemos defender o último terço do campo ou continuar com a nossa filosofia. Vamos fazer as coisas melhor — completou.

Para o treinador do Barça, o problema do time no 3 a 3 foi a falta de intensidade no meio-campo. Com isso, a linha defensiva ficou exposta, mas não a eximiu de culpa.

— O meio-campo não pressionou o suficiente. Perdemos a posse de bola com muita frequência e não foi fácil para a linha defensiva se defender dos ataques rápidos deles. [A defesa também] precisa melhorar. Sem intensidade, não há chance na Champions — justificou.

— No ano passado, quando víamos gols em impedimento, era por um ou dois metros. Este ano estamos com dificuldades, estamos sofrendo. […] Todos sabem que não estamos no nosso melhor, mas sempre tento ser positivo. Talvez depois da Data Fifa, Raphinha, Joan Garcia e Pedri voltem [de lesão], e Olmo e Lewandowski estejam em outro nível — finalizou.

O Barcelona visita o Celta neste domingo (9) antes de duas semanas de folga por conta dos jogos entre seleções. Período essencial para o time voltar aos trilhos com o retorno dos lesionados.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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