Real Madrid: As muitas questões para a temporada 2026/27
Clube espanhol pode ter reestruturação completa após mais um ano sem ser campeão
A não ser que uma grande reviravolta ocorra em LaLiga, o Real Madrid terminará a temporada sem nenhum título. A equipe caiu para o Bayern de Munique nas quartas de final da Champions League e já tinha sido eliminada na Copa do Rei para o modesto Albacete, além de perder a Supercopa da Espanha em janeiro passado.
O técnico Álvaro Arbeloa assumiu justamente depois da derrota para o Barcelona na Supercopa e estreou sendo eliminado na copa local. O espanhol chegou sem detalhes sobre a duração de seu contrato, sendo um “tampão” após a saída de Xabi Alonso. A chance de iniciar a próxima temporada no comando do time só seria possível se conquistasse algo.
A nove pontos do líder Barcelona no Campeonato Espanhol e com sete rodadas restantes, ele mantém a esperança de diminuir a desvantagem. A realidade, seja em elenco, futebol jogado ou na distância entre os trabalhos das comissões técnicas de Hansi Flick e Arbeloa, mostra que é extremamente improvável.
“Entenderei perfeitamente todas as decisões que o clube tomar”, disse o treinador merengue sobre seu futuro nesta quarta-feira (15), após a queda na Champions.
Florentino Pérez, mesmo próximo do técnico e vendo a boa relação que ele construiu com o elenco, deve tomar a decisão de buscar um novo comandante. Esse é um dos vários passos importantes que o Madrid precisa dar para ter uma próxima temporada melhor.
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Quem será o técnico do Real Madrid na próxima temporada?
Quem comandará os Merengues na próxima temporada é a pergunta de um milhão em Madri. As especulações envolvendo Jürgen Klopp parecem pouco confiáveis — o próprio alemão negou, no mês passado, que qualquer contato tenha acontecido e se mostra feliz como chefe global da Red Bull.
Caso aconteça, porém, seria um casamento intrigante. O ex-Liverpool, um dos melhores do mundo neste século, soma uma boa gestão de elenco, algo essencial no clube espanhol, com um trabalho tático incessante para atingir seu estilo de jogo intenso e vertical, com e sem bola.
Aqui entraria uma questão: como um elenco estrelado reagiria à “obrigação” de tanta dedicação defensiva? A resposta pode estar na passagem de Xabi Alonso, que durou apenas alguns meses, entre junho de 2025 e o começo deste ano.
O treinador basco, vindo do Bayer Leverkusen, onde fez história, mostrou-se pouco flexível em suas táticas, nada safo em gerir tantos craques — somando problemas de relacionamento com Vinicius Júnior, Fede Valverde e outras estrelas — e, no fim, o Real Madrid quase nunca teve sua cara.
Por isso, a demissão de Xabi gerou tanto protesto da torcida contra os membros do elenco. Isso levantou dúvidas se hoje no mercado há esse técnico “à moda antiga”, mais gestor de grupo e com uma veia tática menos rígida, como foi com Carlo Ancelotti e Zinedine Zidane, dois dos maiores da história do clube.
Fim da linha após derrota para o Barcelona ❌
— Trivela (@trivela) January 12, 2026
Os quatro maiores motivos para a justa demissão de Xabi Alonso no Real Madrid
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É uma era do futebol mundial em que treinadores ganharam mais responsabilidades pelos resultados, até superiores às dos jogadores, e alguns são as caras dos clubes. Pep Guardiola no Manchester City e Mikel Arteta no Arsenal são alguns exemplos. O Real Madrid sempre foi time das estrelas, não do técnico.
O nome mais próximo de um gestor de grupo acima de “gênio tático” com bom currículo que estará disponível seria Didier Deschamps, que encerrará 14 anos à frente da seleção francesa no meio do ano.
A emissora francesa “RMC Sports” destacou que o nome dele ganhou força e pesa a favor o bom relacionamento com Kylian Mbappé e Aurélien Tchouaméni. O francês, campeão do mundo em 2018, ainda teria o peso para ser respeitado no elenco. Porém, um problema de só iniciar o trabalho após o fim da campanha francesa na Copa do Mundo, podendo ir até 19 de julho.
O técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, apontado como bem avaliado por Pérez, é um nome que nunca entregou um trabalho que o credenciasse a assumir os Merengues e, quando treinou as estrelas Lionel Messi, Neymar e Mbappé juntos no PSG, não teve sucesso. Seria uma aposta muito arriscada para um momento que não dá espaço para isso.
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Posição de técnico, porém, não é a única de gestão que merece trocas
A estrutura de gestão do maior clube do mundo é confusa e pouco usual. Florentino Pérez concentra tanto poder na administração do futebol que o diretor esportivo Santiago Solari fica com sua função esvaziada. O CEO José Ángel Sánchez e o chefe de scout Juni Calafat também possuem vozes nas decisões, assim como o “conselheiro pessoal” de Pérez, o franco-marroquino Anas Laghrari.
O site “The Athletic” publicou que há um sentimento generalizado na indústria da gestão esportiva de que “mudanças em todos os níveis em Madrid não podem ser descartadas”, o que poderia incluir um diretor esportivo mais pesado, como costuma ser em outros clubes ao redor do mundo.
Outra troca significativa e necessária é na forma do departamento médico do clube. Desde Ancelotti, o time se viu em apuros várias vezes por uma crise de lesões. Alonso sofreu com isso, e Arbeloa também. As improvisações na zaga, lateral e meio-campo aconteceram aos montes.
A comissão de Ancelotti já teve problemas com o preparador físico Antonio Pintus, muito próximo de Florentino e com muita moral no Santiago Bernabéu. O profissional perdeu status com a chegada de Alonso, que trouxe um próprio preparador, mas retomou sua posição a partir do momento em que Arbeloa assumiu a equipe.
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Uma das crises de lesionados, em 2023, culminou na demissão do chefe médico Niko Mihic, que estava no clube desde 2017. Ele, porém, foi recontratado no começo deste ano após o departamento médico ter examinado o joelho errado de Mbappé e ter atrapalhado o tratamento do principal craque do time. Esse é um exemplo do caos dentro do Real e que deveria ser o ponto de mudanças drásticas.
Decisões no mercado também devem transformar o Real
Há muito tempo as lacunas no elenco do Real Madrid são evidentes. A sorte de Florentino por muito tempo foi que Ancelotti, com seu poder de convencimento, conseguiu tirar da letra alguns problemas — como formar uma dupla de ataque com Vinicius Júnior e Rodrygo para compensar a saída de Karim Benzema –, improvisando jogadores e os mantendo motivados.
Agora, não há muito para onde fugir. O elenco precisa, finalmente, de um substituto para Toni Kroos, que se aposentou em 2024. Ninguém entre Tchouaméni, Eduardo Camavinga, Jude Bellingham e Valverde possui as características do alemão de construção na saída de bola, qualidade no passe e calma que ele trazia.
O meio-campo merengue, muito forte fisicamente e intenso, se mostrou pouco paciente desde então e isso foi um dos grandes problemas nos últimos dois anos.
A defesa também precisa de uma grande revisão com as possíveis saídas de David Alaba, há muito tempo sem se manter saudável, e Antonio Rüdiger, entre lesões e má fase, ambos em fim de contrato. Eles abririam espaço a novos nomes na zaga, que pode ter uma dupla de muitos anos com Éder Militão e Dean Huijsen.
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Na lateral direita, Trent Alexander-Arnold precisa de uma sombra à altura, ainda mais com o capitão Daniel Carvajal sendo outro em fim de vínculo. A ponta do corredor destro precisa de um atacante que possa equilibrar o time e evitar a dependência do lado esquerdo, onde costumam ficar Vini, Mbappé e Bellingham.
Inclusive, outro ponto de atenção são, justamente, suas estrelas. O “The Athletic” ouviu de fontes ligadas a Alonso e Ancelotti sobre as dificuldades de gerir um vestiário com jogadores desse peso. Seria a saída de um deles a solução para equilibrar as coisas? Entre eles, o brasileiro vive novela para renovar seu contrato e já teve o nome vinculado a uma proposta milionária da Arábia Saudita.
No Real Madrid, as coisas são complexas. Ao mesmo tempo, dentro de campo, são simples: é vencer, não importa como. Até por isso a pressão no Santiago Bernabéu está enorme: o último título foi ainda em dezembro de 2024, com a Copa Intercontinental. Quem chegar ao time virá com esse peso e a obrigação do triunfo. Nada diferente do usual no gigante espanhol.