Real Madrid pode tomar medida drástica contra racismo: ‘Próximo passo é abandonar o campo’
Volante merengue diz que elenco está disposto a tomar medidas drásticas diante de novos insultos
O tema do racismo voltou ao centro do debate no futebol europeu, e desta vez com um posicionamento contundente vindo de dentro do Real Madrid. Em entrevista, o volante Aurélien Tchouaméni deixou claro que o elenco está preparado para tomar atitudes extremas caso novos episódios envolvendo Vinícius Júnior se repitam.
“Chamaram-no de macaco. Sinto que o próximo passo é abandonar o campo e parar de jogar. Não vamos permitir que essas cenas voltem a acontecer.”
Real Madrid sem tolerância com casos de racismo
A declaração, feita ao “The Pivot Podcast”, faz referência a mais um episódio envolvendo o atacante brasileiro, desta vez em um contexto recente de competições europeias, que reacendeu discussões sobre a eficácia das punições e a postura das instituições diante de casos recorrentes.
A polêmica maior foi contra o Benfica, pela Champions League, em que Vini teria sido chamado de macaco por Gianluca Prestianni. Na ocasião, diversos jogadores do Real Madrid confrontaram o jogador do Benfica.
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A fala de Tchouaméni reforça uma mudança de tom no clube: não apenas indignação, mas a disposição de agir coletivamente, como aconteceu no episódio da Champions League.
O tema não é novo para Vinícius, que há anos denuncia insultos racistas em estádios, especialmente na Espanha. No entanto, o posicionamento público de um companheiro de equipe — e em tom tão direto — indica que o debate interno no clube evoluiu para um possível ponto de ruptura.
A fala sobre Vinícius, no entanto, vai além da experiência individual. Ela toca em um ponto sensível e recorrente no futebol: até onde os jogadores estão dispostos a ir para combater o racismo?
A possibilidade de abandonar o campo não é inédita como ideia, mas raramente foi colocada de forma tão clara por um jogador de elite em atividade. Caso isso aconteça, o impacto seria imediato, esportivo, institucional e político. E, desta vez, a mensagem parece clara: a tolerância está cada vez menor e as respostas podem ser mais radicais.
Da pressão no Bernabéu à liderança no elenco
Além do posicionamento firme sobre o racismo, Tchouaméni também revisitou um período delicado de sua própria trajetória no clube. O meio-campista francês relembrou as críticas e vaias que recebeu no início de sua passagem pelo Santiago Bernabéu, quando ainda buscava afirmação na equipe.
“Fui transformado em bode expiatório. Nos primeiros minutos, o estádio vaiava cada toque na bola.”
Segundo o jogador, aquele momento foi determinante para sua evolução mental. Em vez de se deixar abalar, optou por focar no que estava ao seu alcance: o desempenho dentro de campo. A resposta veio com o tempo, consolidando-o como uma peça importante no elenco merengue.
“Essa situação pode te destruir ou te fortalecer. Eu escolhi focar no que posso controlar.”
Hoje, mais estabelecido, Tchouaméni encara a pressão com outra perspectiva, algo que considera inevitável ao vestir a camisa do Real Madrid.
“Jogar no Real Madrid é o maior palco do esporte. A pressão é um privilégio.”