La Liga

Título espanhol do Barcelona expõe como Real Madrid precisa de um técnico como Hansi Flick

Técnico alemão entregou na Catalunha o que faltou a Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa na capital espanhola

Pela segunda temporada consecutiva, a taça de LaLiga fica nas mãos do Barcelona. O clube culé conquistou o título com três rodadas de antecedência, batendo, justamente, o vice-líder Real Madrid, por 2 a 0 no Camp Nou. É mais uma conquista de Hansi Flick, em seu segundo ano na Catalunha, que mostra o porquê de o rival da capital da Espanha ter que buscar um técnico como o alemão.

E aqui o mérito não é tático. Não tem a ver com a linha alta de defesa e a pressão agressiva no campo de ataque do Barça, nem o futebol ofensivo e jogo posicional praticado pelo time culé com o técnico de 61 anos.

É mais pelas alternativas que Flick conseguiu encontrar quando se viu em meio a grandes adversidades na temporada. Entenda nesta análise da Trivela.

Hansi Flick antes de jogo do Barcelona
Hansi Flick em jogo do Barcelona (Foto: IMAGO / Michal Fajt)

Flick deu aula de mobilização e repertório nos problemas do Barcelona

Desde que pisou na Espanha, no meio do ano passado, o ex-técnico do Bayern de Munique não teve os reforços dos sonhos. Ainda impactado pela crise financeira, o Barça só contratou seis jogadores para Flick.

Nesta temporada, ele ganhou um jovem pensando no futuro, Roony Bardghji, e um titular absoluto para o gol nesta temporada, Joan García, além de dois empréstimos em boas oportunidades de mercado para sanar problemas do elenco, João Cancelo (podendo jogar nas duas laterais) e Marcus Rashford (reserva direto de Raphinha). Em 2024/25, só teve a chegada de Dani Olmo e Pau Víctor (que já deixou o clube).

E isso sem ter um elenco recheado de opções e com muitos atletas com históricos de lesão. Flick precisou contar com La Masia para tornar seu grupo mais completo, em especial no meio-campo, e foi o responsável pela estreia de 12 garotos diferentes. O lateral-esquerdo Gerard Martín e os meio-campistas Marc Bernal e Fermín López se consolidaram sob o seu comando. O volante Marc Casadó também ganhou minutos.

Os garotos também ilustraram outra capacidade do técnico: mobilizá-los para exercerem outras funções. As lesões foram um tormento nesta temporada, como no rival de Madri. Um exemplo é Raphinha, um dos melhores do mundo no último ano, que só fez 17 jogos como titular em 35 rodadas da atual LaLiga.

Para substituí-lo, Flick usou várias alternativas. Rashford era o mais óbvio, mas Fermín foi um dos que melhor exerceram essa função de “falso ponta esquerdo”, com liberdade para flutuar a partir da subida do lateral-esquerdo. Pablo Gavi e Dani Olmo também ganharam minutos na posição. Os problemas não se limitaram ao ataque.

A zaga, com a saída de Iñigo Martínez, ficou menos segura e com menos opções pelos frequentes problemas físicos de Andreas Christensen e Ronald Araújo. Por boa parte da temporada, então, o lateral Gerard Martín virou um zagueiro ao lado de Pau Cubarsí.

No meio-campo, com lesões de Pedri, Frenkie de Jong e Gavi em diferentes momentos, o zagueiro de origem Eric García se tornou primeiro volante, além de ter momentos no centro da defesa. Ele já tinha sido importante no último ano como reserva de Jules Koundé na lateral direita.

Flick também foi safo ao elevar a disputa pela camisa 9 pelo declínio físico de Robert Lewandowski e a ascensão de Ferran Torres, que está na temporada mais artilheira da carreira. A titularidade de um dos dois dependia do adversário.

Quando o Barça precisava de ataque às costas da defesa de um adversário com a linha alta ou muita pressão sem a bola no campo de ataque, a opção era por Ferran. Lewa entrava no contexto de um rival com linhas baixas e muitos cruzamentos na área.

Deu certo, afinal, os dois somados têm 29 gols no Campeonato Espanhol.

A criatividade do técnico alemão, por outro lado, não foi vista nos dois comandantes que passaram pelo Santiago Bernabéu nesta temporada.

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Real Madrid tinha perfil parecido com Ancelotti, mas não encontrou em Xabi ou Arbeloa

As lesões pelas quais Flick precisou se reinventar, Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa também tiveram. Faltaram maiores alternativas dos treinadores e também vontade dos jogadores em exercerem essas funções — mobilização no elenco que Carlo Ancelotti fazia muito bem.

O Real quase não teve Éder Militão e Jude Bellingham nos momentos decisivos da temporada. Kylian Mbappé teve seguidos problemas no joelho. Rodrygo, após algumas lesões musculares, se tornou um desfalque de longo prazo por um problema no joelho, em março passado.

Na ausência prolongada de algumas dessas peças decisivas, ninguém além de Vinícius Júnior, Aurélien Tchouaméni ou Fede Valverde tomou a responsabilidade nos maiores jogos.

São vários os que tiveram temporada abaixo, como Eduardo Camavinga e Antonio Rüdiger, novatos com dificuldade de adaptação, caso de Dean Huijsen, e o jovem que não conseguiu ser uma boa grande opção, situação de Gonzalo García, escolhido por Alonso em vez de Endrick, que precisou ser emprestado.

Claro que, olhando nome a nome nos dois elencos, dá para dizer que o Barça tem melhores opções. Mas isso também é graças ao treinador do lado culé, pois ele recorreu à base quando os problemas vieram. Alonso nem olhou isso, a não ser com Gonzalo García, ainda no Mundial de Clubes. Arbeloa adotou postura de utilizar mais os garotos de La Fabrica, mas faltou rodagem anterior a eles.

Vinicius Júnior em jogo do Real Madrid
Vinicius Júnior em jogo do Real Madrid (Foto: IMAGO / Guillermo Martinez)

Isso que o Madrid, desde que Hansi Flick foi contratado pelo Barcelona, investiu 216,5 milhões de euros em seis jogadores, quase o triplo dos 88 milhões que os Culés gastaram no mesmo número de atletas a partir de 2024.

A primeira temporada em cinco anos dos Merengues sem títulos merece uma longa reflexão e reformulação dentro do clube, da diretoria, passando pelo departamento médico, até o elenco e comissão técnica. Buscar José Mourinho, como tem sido especulado, talvez não seja a melhor alternativa para isso.

Enquanto isso, o Barcelona consolida cada vez mais sua retomada após a crise que obrigou a saída do maior ídolo da sua história, Lionel Messi, em 2021. O clube tem melhorado sua situação financeira, e Flick, com cinco títulos em dois anos, encaminha sua permanência até 2028 naquele que prometeu ser seu último time na carreira.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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