Último jogo do Barcelona em 2025 reforça capacidade de Flick de reinventar jogadores
Culés somam sete vitórias seguidas e superam por enquanto crise na defesa
A evolução do Barcelona no último mês de 2025, acumulando sete vitórias seguidas entre LaLiga, Copa do Rei e Champions League, passa por uma série de fatores. A recuperação Raphinha é um deles, reforçado neste domingo (21) contra o Villarreal com mais uma atuação decisiva. Lamine Yamal, melhor após problemas de pubalgia, é outra razão.
Mais um motivo para a sequência dos Culés, líderes do Campeonato Espanhol com quatro pontos em cima do rival Real Madrid, está em seu técnico. Hansi Flick, muito criticado pela linha alta que custou resultados e gerou muitos gols sofridos no começo da temporada, acertou em várias decisões que melhoraram jogadores.
A reinvenção do Barcelona durante a temporada
1. Evolução da defesa
Nos últimos sete jogos, o Barça sofreu apenas seis gols. Nos 18 anteriores, a defesa tinha sido vazada 25 vezes, média 1,38 por partida. Parte das críticas eram justas ao técnico por seu estilo de jogo “extremista”, mas ele nunca abriu mão de sua filosofia e manteve suas ideias.
A partir da entrada de jogadores mais intensos (caso de Raphinha) e outros mais defensivos, a equipe ganhou “estabilidade defensiva”, como definiu Flick após a vitória sobre o Villarreal.
— Fizemos isso muito bem. Trabalhamos nisso, com muitos vídeos para mostrar o que precisávamos melhorar. Além disso, jogadores de muita qualidade voltaram — justificou o alemão.
🗣️ "Equipe sentiu falta de seu caráter decisivo"
— Trivela (@trivela) December 16, 2025
Como Raphinha se tornou o ponto de virada do Barcelona na temporadahttps://t.co/ife0wcyqcE
A evolução coletiva veio também da capacidade de Flick tirar, de forma improvável, o melhor de alguns jogadores.
Se no último ano, seu primeiro na Catalunha, o comandante trouxe versões inéditas de Raphinha, certamente um dos três melhores jogadores do mundo em 2024/25, e de Jules Koundé, reinventado de lateral-direito, agora é a vez de Eríc García e Gerard Martín, preenchendo lacunas a partir de lesões, além de uma aposta no gol que mudou a hierarquia no clube.
2. Eric García surpreende em três posições diferentes

Um dos responsáveis pelo bom momento dos catalães quase deixou o time na última temporada e só ficou graças a Flick. Após retornar de empréstimo ao Girona, Eric García foi convencido pelo alemão a continuar no Barça, foi importante como lateral-direito reserva em 24/25 e agora virou um “coringa” do time.
Além de ala pela direita, ele voltou a atuar como zagueiro, sua posição de origem, mas tem se destacado mesmo como um volante, se aproveitando de problemas físicos de outros meio-campistas para se consolidar como um titular no time.
Como sua maior característica na zaga era a saída de bola e os lançamentos, foi fácil para García se adaptar por dentro e trazer uma maior solidez defensiva aos Culés, tendo sempre mais um homem para ficar na cobertura no momento com a posse de bola.
— Flick me fez jogar em muitas posições e me deu muita confiança. Acho que isso é muito importante para um jogador — exaltou o polivalente jogador em setembro às mídias oficiais do Barcelona.
— Acho que, no nível em que Eric está jogando e no que ele está mostrando, ele está indo muito bem. Ele é um jogador importante no vestiário, ele ama este clube. […] Não importa se ele joga como lateral direito, lateral esquerdo, zagueiro, volante defensivo ou no banco — ele é sempre o mesmo. Então eu acho que merece ele ter conseguido um novo contrato — devolveu os elogios Hansi Flick, em 5 de dezembro, exaltando a renovação do jogador até 2030.
3. Gerard Martín aparece em momento delicado da defesa

A crise no início da temporada do Barça se deu, especialmente, pela dificuldade da última linha defensiva. Com a saída de Iñigo Martínez, o zagueiro canhoto do esquema e essencial para coordenação da linha de impedimento, Flick viu que Ronald Araújo, Eric García ou Christensen não estavam dando conta do recado ao lado de Pau Cubarsí.
Veio, então, outra ideia do técnico: improvisar Gerard Martín, muito criticado como lateral-esquerdo, mas que deu certo na zaga. O jovem, ótimo construtor, se tornou um pilar na saída de bola e tem ido bem no momento de saltar a linha para deixar os atacantes rivais em condições irregulares.
— Martín está indo muito bem. Você sabe o que vai ter quando ele está em campo: ele está sempre muito focado na defesa, mas também ofensivamente, você pode vê-lo agora, quando construímos com o pé esquerdo, ele também é mais importante. Então ele está indo realmente bem, e é por isso que ele está jogando — elogiou Flick no começo do mês.
— Quando você escala o Gerard, sabe o que ele vai entregar. Gosto muito dele, está em um bom momento e também nos dá muita estabilidade em uma posição à qual não estava acostumado — reiterou neste domingo.
4. Joan García se prova um goleiro de elite e dá razão a Hansi Flick

Além do desempenho defensivo aquém, outra polêmica do Barcelona no começo de 2025/26 foi a posição de goleiro. Ter Stegen, dono da posição por quase uma década no clube, viu seu lugar não ser garantido após passar a última temporada lesionado e o time contratar o jovem Joan García para função. O experiente arqueiro, além de reserva, perdeu a braçadeira de capitão e teve controvérsias no tratamento de uma lesão.
Bancado por Flick, o novo dono da meta de apenas 24 anos, sem sentir a pressão do gigante catalão, teve em seu primeiro mês atuações incríveis frente a Rayo Vallecano e Newcastle. No recorte recente, foi decisivo nos últimos dois jogos sem sofrer gol no Campeonato Espanhol, parando duas chances cara a cara frente ao Villarreal.
— Joan está jogando em um nível muito alto, nos dá muita estabilidade na defesa. Ele está sempre lá quando mais importa — exaltou o técnico do Barça após vitória sobre o Atlético de Madrid em 2 de dezembro.
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Defesa, porém, ainda pode voltar a preocupar
Uma grave lesão no joelho de Christensen deve obrigar o Barça a ir ao mercado reforçar a defesa, pois Ronald Araújo segue afastado para cuidar da saúde mental. Ou seja, tirando os garotos da base, Flick não possui outros zagueiros a não ser Cubarsí, Martín, Eric García e Koundé.
Após a vitória sobre o Villarreal, o técnico alemão assumiu que conversará com o diretor-esportivo Deco na segunda-feira (22) sobre a atuação no mercado. O clube terá duas semanas sem jogos, até 3 janeiro, quando visitam o Espanyol em clássico catalão. Quatro dias depois, o elenco do Barça viaja à Arábia Saudita para disputa da semifinal da Supercopa da Espanha com o Athletic Bilbao. Se avançar, enfrenta Atlético de Madrid ou Real.



