Como Flick ajuda Ancelotti com função de Raphinha no Barcelona
Brasileiro tem atuado em algumas oportunidades na Espanha como deve ser usado pelo técnico da seleção brasileira
O retorno de lesão de Raphinha no fim de novembro após quase dois meses parado contribuiu para boa fase recente do Barcelona, líder de LaLiga com quatro pontos sobre o rival Real Madrid. O brasileiro vem de uma atuação decisiva, com dois gols sobre o Osasuna, em uma função que pode empolgar Carlo Ancelotti e a seleção brasileira.
Xodó de Hansi Flick, o camisa 11 e capitão do time cedeu nessa partida seu lugar na ponta esquerda para Marcus Rashford, que faz boa temporada e aproveitou o tempo fora da equipe titular para se tornar decisivo, e virou meia centralizado, função que já exerceu anteriormente na Catalunha.
Como o Barça ataca em um 3-2-5, ele na função de “camisa 10” fica no espaço entre o zagueiro e o lateral pela direita, enquanto Lamine Yamal garante a amplitude na linha lateral. Foi justamente nesse setor onde Raphinha apareceu para abrir o placar na semana passada.
Em ataque rápido, Pedri cedeu para o jogador de 29 anos dominar e fuzilar na meia-lua direto às redes. 16 minutos depois, quando já tinha virado ponta esquerda após a saída de Rashford, apareceu na segunda trave para completar cruzamento de Koundé desviado pela marcação, evidenciando seu faro de gol.
Ancelotti se anima com a função do brasileiro por um encaixe muito mais fácil na Seleção, visto que, sendo um dos melhores jogadores do mundo na atualidade, o capitão do Barcelona desponta como um provável titular na Copa do Mundo de 2026.

Raphinha também deve atuar por dentro na Seleção Brasileira
No período em que Raphinha esteve lesionado ocorreram duas Datas Fifas, com vitórias sobre Coreia do Sul e Senegal em amistosos que empolgaram pelo entrosamento do quarteto ofensivo. Em ambas partidas, Estêvão foi o ponta na direita, Rodrygo na esquerda e Vinicius Júnior e Matheus Cunha atuaram centralizados.
Com muita movimentação, o ataque foi o ponto alto do time, em especial Estêvão, escalado na posição de origem do jogador do Barça, se tornando o artilheiro da era Ancelotti com cinco gols e basicamente garantindo sua posição no Mundial.
Para Raphinha ter um espaço no Brasil, sobraria para Matheus Cunha, que até fez bons jogos e foi importante com sua movimentação, mas só conseguiu participar de um gol nas vitórias que tiveram 7 a 0 no agregado (assistência para Vini Jr. só no quinto gol contra os sul-coreanos).
Na vaga de Cunha, o craque dos Culés faria uma dupla de ataque com Vini e, estando mais à direita, faria função relativamente parecida com a que fez contra o Osasuna. Só que ele estaria ainda mais perto do gol e poderia explorar sua especialidade que é o ataque ao espaço para aparecer em condições de marcar, o que foi potencializado em sua última temporada com 60 participações em gols.
Raphinha também completa ao lado de Vinicius, Estêvão e Rodrygo o fator de liberdade de posição, movimentações e a capacidade de jogar em todas as funções, possivelmente trocando com seus colegas. Se as condições físicas atuais se manterem assim até março do próximo ano, Ancelotti pode testar essa formação nos amistosos contra Croácia e França.

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A evolução de Raphinha no Barcelona
Até sua chegada ao Barcelona, no meio de 2022, o jogador era um ponta direita de velocidade e muita entrega, um atleta considerado de bom nível e peça importante nos times que jogou, como Leeds United e Rennes. As duas primeiras temporadas na Catalunha reforçaram isso, mesmo que o brasileiro ainda fosse muito criticado por seu valor e quase tenha saído no meio do ano passado.
Sua mudança de patamar vem com Hansi Flick e uma improvável mudança definitiva para ponta esquerda por conta da ascensão de Lamine Yamal na direita.
Com isso, Raphinha passa a ter mais liberdade, pois o lateral do corredor canhoto, quase sempre Alejandro Balde, sobe para dar amplitude e deixa o atacante daquele lado livre para flutuar.
Nessa função, já algumas vezes escalado com Xavi Hernández antes, o jogador se encontrou e fez a temporada que o deixou em quinto na Bola de Ouro, com 34 gols e 26 assistências, além dos títulos de LaLiga, Copa do Rei e Supercopa da Espanha somado a uma campanha de semifinal de Champions League.
O brasileiro, apesar do brilhantismo de Yamal, foi a peça mais decisiva do time pelas suas participações em jogos-chave. Já na última temporada, acrescentou ao seu jogo atuar com mais frequência como camisa 10, deixando a equipe catalã ainda mais ofensiva com um trio de ataque à frente dele.
Aos 29 anos, Raphinha não deixa de adicionar camadas às suas características e tem tudo para ser importante para seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, além de, novamente, ser essencial ao Barça de Flick. O interesse da Arábia Saudita, porém, não deve ser ignorado e pode ser um caminho para um futuro não tão distante.



