Europa

Faz sentido gigantes europeus ainda correrem atrás de Mourinho?

Técnico português não soma trabalhos recentes que saltam aos olhos, mas continua valorizado no mercado

José Mourinho é o favorito para assumir o Real Madrid, aponta o conceituado site “The Athletic”. A ideia do presidente Florentino Pérez é replicar a parceria de sucesso que ocorreu entre 2010 e 2013 e preparou o terreno para a conquista da Champions League em 2014 com Carlo Ancelotti.

Recentemente, o técnico português também foi especulado em Chelsea e Newcastle, segundo relatos da mídia local. Impressiona que o profissional, aos 65 anos, continue tão valorizado no mercado. Afinal, seus bons trabalhos nos últimos anos são raros.

Situação de Mourinho é igual às de Zidane e Ancelotti em retornos ao Real Madrid

Sua última Champions foi conquistada em 2010, há 16 anos. O último campeonato nacional, no caso a Premier League, com o Chelsea, em 2015, mais de uma década atrás. Para o Real Madrid, é uma aposta só pensando num passado distante.

E, óbvio, tentando replicar a fórmula de segunda passagem que deu certo com Ancelotti (campeão europeu em 2014 e voltando para ser bi entre 2021 e 2025) e Zinédine Zidane (tri da Champions em 2016, 2017 e 2018 para depois comandar a renovação do elenco e levar uma taça de LaLiga).

O caso de Mourinho, porém, é diferente. O técnico francês voltou menos de um ano após sua saída. Ainda não tinha “esfriado”. Já o italiano, mesmo que somasse trabalhos por Napoli e Everton, tinha conquistado taças mais recentes antes de voltar ao Real — quatro do último título nacional, Bundesliga, pelo Bayern, e sete da Champions, no próprio Real.

A situação de Carletto tem sido comparada à de Mourinho porque o italiano, na época, vinha de passagens em clubes de expressão menor que os gigantes em que tinha o costume de estar, como o português atualmente. Mas, até mesmo o trabalho de Ancelotti nessas equipes foi superior em comparação ao colega.

O Napoli foi vice-campeão italiano em 2019 — claro que bem atrás da Juventus –, enquanto tirou o Everton da luta contra o rebaixamento na temporada em que assumiu no meio e, no primeiro ano completo, bateu 59 pontos, maior número desde 2017 e até hoje não alcançado. Inclusive, o time inglês chegou à segunda posição da Premier League no Boxing Day, mas teve uma queda de desempenho nos primeiros meses de 2021.

Ancelotti e Mourinho em jogo da Premier League
Ancelotti e Mourinho em jogo da Premier League (Foto: PA Images / Icon Sport)

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Por que não faz sentido Mourinho continuar tão em alta no mercado

Mourinho, após ser campeão da Premier com o Chelsea e emplacar pouco depois um trabalho justo no Manchester United, somou uma sequência de passagens fracassadas por diferentes equipes e contextos, apenas com uma exceção.

No Tottenham, veio com a promessa de entregar títulos. Entre 2019 e 2021, teve coletivas agressivas, ataque a jogadores do time — acusando até de falta de profissionalismo em vexame — e desempenho quase sempre abaixo e muito conservador, pior em comparação ao seu antecessor, Mauricio Pochettino.

Sua demissão, pelo péssimo relacionamento com o elenco e fraco nível em campo, não o permitiu disputar a única final que classificou sua equipe, a Copa da Liga Inglesa. Ryan Mason comandou o time no vice para o Manchester City de Pep Guardiola, que também seria campeão nacional naquela temporada.

Nas duas temporadas com Mourinho, o Tottenham terminou em sexto e sétimo. Com Pochettino, a equipe vinha de quatro campanhas seguidas no G4.

Em seguida, o português emplacou o melhor e mais longevo trabalho recentemente ao assumir a Roma entre 2021 e 2024. No período, conquistou uma histórica Conference League e foi vice da Liga Europa. Duas campanhas à altura de sua carreira vencedora, além de alcançar isso em um clube pouco acostumado a taças.

Ao mesmo tempo, acabou que, novamente, o time jogava muito pouco e abusava do conservadorismo. Mourinho também passou a ser ainda mais polêmico, em especial com críticas à arbitragem que lhe davam moral com a torcida, mas que virou sua marca, como uma muleta, nos fracos trabalhos seguintes.

Mourinho é expulso em jogo da Roma e é contido por integrante da comissão técnica
Mourinho é expulso em jogo da Roma e é contido por integrante da comissão técnica (Foto: IMAGO / IPA Sport)

Na Turquia, esse personagem provocador, com ataques recorrentes aos árbitros e a um suposto “sistema”, deu mais as caras do que um técnico capaz de fazer seu time ser vencedor. Mourinho passou uma temporada desgastante no Fenerbahçe.

Nem com bons reforços, como Anderson Talisca, Youssef En-Nesyri, Diego Carlos, Sofyan Amrabat e Milan Skriniar, conseguiu mais do que um vice no Campeonato Turco, com 15 pontos a menos em relação à temporada anterior. Ele acabou demitido após cair na fase prévia da Champions 2025/26. Após a saída, foi soberbo com o gigante de Istambul. “Fiz mal em ir para o Fenerbahçe. Não era o meu nível cultural, não era o meu nível enquanto futebol“.

No Benfica desde o início da temporada atual, o roteiro é o mesmo: as chances de títulos acabaram e a culpa é da arbitragem. É verdade que teve um grande momento, como nos velhos tempos, com uma vitória emocionante sobre o Real Madrid que classificou o time português ao playoff da Champions League.

Em mais uma faceta de um personagem difícil, porém, Mourinho defendeu seu comandado Gianluca Prestianni, acusado por Vinicius Júnior de racismo em jogo do mata-mata, e atacou o brasileiro por ser sempre alvo disso. A eliminação veio em seguida.

Uma chance agora no Real só se justifica pela preferência de Florentino Pérez. Gestão de grupo, aspectos táticos ou bons resultados não marcam a trajetória recente do profissional, que pode, nos Merengues, ter o último grande convite da carreira.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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