Déjà vu em Madri: O ‘caso Agüero’ que ajuda a explicar o não do Atlético ao Real por Alvarez
Resistência colchonera diante de investida milionária merengue remete a capítulo emblemático dos anos 2000
A investida do Real Madrid por Julián Alvarez reacendeu uma lembrança que ainda ocupa espaço na memória dos torcedores do Atlético de Madrid. Mais de uma década antes de o nome do atual atacante argentino entrar no radar merengue, outro compatriota viveu uma situação semelhante na capital espanhola. Sergio Agüero, um dos maiores ídolos recentes da história colchonera, também despertou o interesse do rival e esbarrou na resistência intransigente da diretoria rojiblanca.
Nesta terça-feira (9), a imprensa espanhola voltou suas atenções para Alvarez após a divulgação de uma proposta de aproximadamente 150 milhões de euros apresentada pelo Real Madrid — o próprio clube merengue publicou tal informação em suas redes sociais. O Atlético recusou imediatamente a investida, deixando claro que não pretende negociar um de seus principais jogadores.
A postura adotada pelo clube remete diretamente ao episódio envolvendo Agüero em 2011, quando o então jovem astro argentino desejava trocar o Vicente Calderón pelo Santiago Bernabéu. A comparação não se limita à nacionalidade dos jogadores. Em ambos os casos, trata-se de atacantes argentinos contratados ainda jovens, transformados em referências da equipe e posteriormente cobiçados pelo maior rival da cidade.
Mais do que coincidência, a situação reforça uma política histórica do Atlético de Madrid: evitar, a qualquer custo, fortalecer o Real Madrid com seus principais ativos.
Sergio Agüero: de promessa argentina a símbolo do Atlético
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Quando chegou ao Atlético de Madrid em 2006, Agüero era considerado uma das maiores promessas do futebol sul-americano. O clube espanhol desembolsou cerca de 28 milhões de dólares ao Independiente para contratar um atacante que ainda tinha apenas 17 anos. A operação representou um investimento ousado para os padrões da época.
— Para o Atlético de Madrid, esta é a contratação mais importante de um jogador de 17 anos na sua história. Não tenho dúvidas de que Agüero será uma figura de destaque na Europa — afirmou Gil Marín (CEO do Atleti desde 1993) após a chegada de Agüero na época.
O dirigente não demorou a ver sua previsão se concretizar. Durante cinco temporadas na Espanha, Agüero se transformou em um dos principais nomes do futebol europeu. Foram 234 partidas disputadas e 101 gols marcados com a camisa rojiblanca.
Além dos números expressivos, o argentino teve papel importante na recuperação da competitividade do Atlético. O clube conquistou a Liga Europa e a Supercopa da Uefa, títulos que simbolizaram uma mudança de patamar para uma equipe que ainda buscava se reerguer após os anos turbulentos do início da década de 2000.
Seu desempenho em campo o transformou em alvo natural das principais potências europeias. Entre elas estava justamente o Real Madrid, que via no atacante uma oportunidade de reforçar seu elenco com um jogador já adaptado ao futebol espanhol e em plena ascensão.
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O precedente que ajuda a explicar o caso Julián Alvarez
A possibilidade de Agüero vestir a camisa branca, porém, encontrou uma barreira praticamente intransponível. Apesar do desejo do jogador de deixar o Atlético e da insistência pelo Real Madrid, Gil Marín adotou uma postura inflexível.
— Existem duas opções. Ele pode ficar, ou um clube que não seja o Real Madrid pode entrar com uma proposta de 45 milhões. Florentino me garantiu que não fará uma aquisição hostil. O jogador não vai para o Real Madrid porque acredito na palavra de Florentino, então o debate sobre o Real Madrid está encerrado. Ele poderia ir para o Barcelona, e também poderia ir para o Alcorcón — afirmou o dirigente do Atlético de Madrid na ocasião.
— Temos um acordo de que ele não pode ir para o Real Madrid e ele não irá para o Real Madrid, nem mesmo se pagarem a cláusula de rescisão.
Determinada a impedir a transferência, a diretoria colchonera buscou alternativas no mercado. Gil Marín chegou a viajar aos Estados Unidos para conversar com Khaldoon Al Mubarak, presidente do Manchester City, numa tentativa de construir uma solução que afastasse definitivamente o interesse merengue.
— Eu disse a ele que tenho um jogador que acredito ser o melhor centroavante da Europa e que não posso permitir que ele vá para o Real Madrid — explicou Gil Marín sobre sua conversa com Al Mubarak.
O encontro acabou entrando para o folclore do futebol europeu. Segundo o jornal “As”, durante um jantar informal, as bases de um acordo foram registradas em um simples guardanapo, documento improvisado que simbolizou o início das negociações. Pouco tempo depois, o City pagou os 45 milhões de euros exigidos pelo Atlético e levou Agüero para a Inglaterra, onde o atacante se transformaria em uma das maiores lendas da história do clube.
Faz sentido Alvarez no Real Madrid?
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A lembrança daquele episódio ajuda a compreender a posição atual do Atlético diante do assédio por Julián Alvarez. O atacante de 26 anos é visto internamente como uma peça fundamental para o projeto esportivo comandado por Diego Simeone. Embora rumores indiquem que o jogador possa avaliar uma mudança de ares, o clube não demonstra qualquer disposição para facilitar uma negociação, especialmente com o rival madrilenho.
A situação também levanta dúvidas sobre o próprio interesse do Real Madrid. O setor ofensivo merengue já conta com nomes de enorme peso, como Kylian Mbappé, Vinícius Junior e Rodrygo. Além disso, a tentativa de contratar um dos principais jogadores do Atlético representa um movimento complexo tanto do ponto de vista esportivo quanto político.
Barcelona, PSG e Arsenal aparecem entre os clubes interessados no argentino, mas, até o momento, a postura do Atlético permanece a mesma adotada nos tempos de Agüero: ouvir propostas não significa abrir mão de um jogador considerado estratégico. E, se a história servir de parâmetro, convencer os dirigentes colchoneros a negociar com o Real Madrid continuará sendo uma missão quase impossível.