Espanha

Como o Real Madrid ficaria com os novos reforços e o que é necessário contratar

Bernardo Silva, Konaté e Dumfries chegarão ao Santiago Bernabéu como potenciais titulares sob o comando de José Mourinho

A janela de transferências da Espanha nem abriu (inicia em 7 de julho e vai até 1º de setembro), e o Real Madrid tem engatilhadas três contratações. Ibrahima Konaté, sem custos vindo do Liverpool; Denzel Dumfries, pelo pagamento de 20 milhões de euros junto à Internazionale; e, também de graça, Bernardo Silva, ex-Manchester City.

O português foi o reforço mais recente e até surpreendente. Ele estava na mira de Barcelona, Juventus e Atlético de Madrid. No fim, em conversas que duraram apenas 36 horas, segundo o jornalista Fabrizio Romano, fechou com os Merengues a pedido de José Mourinho, técnico anunciado nesta quinta-feira (11).

São grandes reforços, de prováveis titulares do Madrid, e que servem para preencher lacunas no elenco. A Trivela analisa como deve funcionar esse novo Real com Mourinho e se há necessidade de mais contratações.

Bernardo Silva, Konaté e Dumfries têm espaço no Real Madrid

Não dá para cravar que todos os novatos serão titulares. Konaté é o mais provável pela grande fragilidade da defesa madridista. O francês pode atuar pelo lado direito da zaga junto de Dean Huijsen, jovem canhoto que acumulou falhas em seu primeiro ano na Espanha, ou Antonio Rüdiger, mais experiente e de contrato renovado mais por sua liderança do que por sua fase técnica recente.

Dumfries elevará a disputa na lateral direita, substituindo diretamente o ídolo Daniel Carvajal. É possível que o holandês, de muita explosão e forte fisicamente, roube a titularidade de Trent Alexander-Arnold, lateral mais construtor, mas com graves problemas defensivos, como vistos na última temporada da estreia em Madri.

Dumfries, por seu físico, é superior no aspecto marcação, apesar de ter sido ala por parte considerável da carreira e o jogo no ataque ser uma grande característica sua. Inclusive, a capacidade ofensiva dele pode compensar um problema do Real Madrid: a ausência de pontas direitas que fiquem fixos à linha lateral. Aí, entre o terceiro reforço.

Bernardo Silva tem capacidade de fazer várias funções, incluindo o lado direito do ataque, setor onde brilhou por alguns anos na Inglaterra.

Bernardo Silva em despedida do Manchester City
Bernardo Silva em despedida do Manchester City (Foto: IMAGO / Every Second Media)

Enquanto Rodrygo se recupera de uma grave lesão no joelho, que deve tirá-lo dos gramados pelo menos até outubro, o português pode fazer essa função, tendo a liberdade para flutuar e Dumfries ocupar a ponta nos momentos com bola. Essa dinâmica, inclusive, ocorria no Benfica de Mourinho, com as subidas do lateral Samuel Dahl para compensar que Andreas Schjelderup virava mais um meia por dentro, mas do lado esquerdo.

Até o retorno do brasileiro, porém, é mais provável que Fede Valverde faça essa função para deixar Bernardo mais próximo de como atuava na reta final do Manchester City. O português jogou como segundo volante ao lado de Rodri, às vezes avançando uma linha para ser um camisa 10 em um 4-1-3-2.

É um jogador criativo, que traz a calma necessária em um time titular físico e vertical, muito associativo e, mais do que tudo, dedicado para pressionar sem bola. Ajudará a ser um equilíbrio defensivo em um time com tantas estrelas e nem tanta marcação sem bola, como Jude Bellingham, Vinicius Júnior e Kylian Mbappé.

Mourinho não deve fazer algo taticamente muito diferente do que vinha acontecendo no Santiago Bernabéu: sem bola, a equipe se fecha em um 4-4-2, que pode ter uma dúvida sobre quem “sobrará” à frente com Mbappé — com Carlo Ancelotti e Álvaro Arbeloa era Vini Jr., mas pode ser Bellingham — e, no momento ofensivo, ataca próximo de 3-3-4.

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Mourinho ainda precisa de reforço? E um ‘galáctico’?

O trio de contratados do Real Madrid serve para preencher lacunas importantes, mas o time ainda precisa de nomes de outras características. Talvez o principal seria um primeiro volante passador, como um Vitinha, do PSG, um dos alvos que o presidente do clube, Florentino Pérez, queria gastar 150 milhões de euros, mas não deve conseguir porque o time francês fará jogo duro, segundo o jornal “Marca”.

Um camisa 5 como esse é raro no futebol do mais alto nível. Era o que fazia Toni Kroos, que deixou uma lacuna no elenco merengue desde a aposentadoria, em 2024. Rodri, do Manchester City, seria outro em perfil parecido, e ele até deixou seu futuro na Inglaterra em aberto recentemente.

Pode ser o reforço “galáctico” (bem mais barato) que Pérez ainda quer e faz mais sentido do que investir em Michael Olise, que dificilmente sairia do Bayern de Munique, ou Julián Álvarez, que viu o Atlético de Madrid recusar a proposta milionária do Madrid. Se encaixar Mbappé, Vini e Bellingham já é difícil, imagina com outra estrela no ataque.

Ainda há mais setores que precisam de nomes pontuais. Por exemplo, o reserva ou possível concorrente de Álvaro Carreras na lateral esquerda — outro reforço da temporada passada que, como Huijsen, não conseguiu emplacar –, já que Fran García e Ferland Mendy não são tão confiáveis, seja por motivos técnicos ou físicos.

A zaga, com Raul Asencio como quarto reserva e um futuro retorno de lesão de Éder Militão, o meio-campo, com Eduardo Camavinga e Arda Güler como opções, e o ataque, tendo, além dos retornos de Endrick e Nico Paz, Brahim Díaz e talvez Franco Mastantuono (pode ser emprestado), estão bem servidos.

O serviço de Mourinho será resgatar o bom futebol que sumiu de muitos desses jogadores, mas o principal será gerir um vestiário que entrou em ebulição por brigas no que foi o segundo ano merengue sem títulos. Uma tarefa enorme.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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