1ª taça de Cristiano Ronaldo na Arábia teve greve, João Félix resgatado e brasileiros decisivos
CR7 marca dois gols e é decisivo em título inédito da Saudi Pro League pelo Al-Nassr
Cristiano Ronaldo, enfim, pode gritar que é campeão da Liga Saudita. O Al-Nassr, com dois gols do português, venceu o Damac nesta quinta-feira (21), 4 a 1, pela última rodada do campeonato, e confirmou sua liderança com dois pontos de vantagem sobre o rival Al-Hilal, 86 a 84.
Contratado no fim de 2022 como o primeiro grande reforço da história do futebol da Arábia Saudita, CR7 convivia com frustrações em seu projeto. Os outros três times do governo local — Al-Ittihad, Al-Ahli e Al-Hilal — conquistaram títulos em diferentes momentos, enquanto a equipe de Jidá, mesmo com muitos investimentos, só tinha vencido a Copa dos Campeões Árabes, que nem é um torneio oficial.
Nesta temporada, o craque chegou a fazer uma “greve” e ficou afastado de alguns jogos como protesto pela janela de transferências tímida da gestão controlada pelo Fundo Soberano do país, ao mesmo tempo que o principal concorrente ao título trouxe Karim Benzema. Houve até especulações de uma saída.
Ele ficou e, com Jorge Jesus no comando do projeto, chegou à conquista, que quase “subiu” no telhado na última semana com o empate com o Al-Hilal após falha de Bento. O Al-Nassr ainda vinha de um vice na Champions League Two, a segunda competição continental da Ásia, para o Gamba Osaka, no último sábado (26).
O título saudita dos Faris Najd, como é conhecida a equipe com Cristiano e companhia, veio com 27 gols e duas assistências do camisa 7 em 30 partidas — a contagem regressiva para o milésimo na carreira está em 973 — e muita emoção dele no apito final, não conseguindo conter as lágrimas.
Mas a taça foi muito mais do que só CR7. Teve muito mais brilho, inclusive brasileiro, na campanha.
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João Félix ‘resgata’ carreira no Al-Nassr
Ele chegou como uma das principais contratações para a temporada após fracassos no Chelsea, Milan, Atlético de Madrid e Barcelona. João Félix parecia com a carreira definida, mas, em um nível técnico abaixo, conseguiu se encontrar como um segundo atacante jogando atrás de Cristiano Ronaldo.
O português foi um dos jogadores mais criativos da liga e certamente disputará as premiações locais. Líder em assistências (13), Félix alcançou 33 participações em gols em 33 rodadas disputadas, todas como titular (ou seja, só ficou fora de um jogo no campeonato), uma prova de sua desempenho decisivo.
Até por isso, ele não saiu do radar da seleção portuguesa e estará na Copa do Mundo, tendo a chance de ser titular em uma trajetória que, pelo nível do elenco luso, promete ser longa.
Ângelo e Bento — apesar de falhas — tiveram bons momentos
O ex-Santos Ângelo teve uma campanha marcante, apesar de reserva em alguns momentos — afinal, em seu lado, sua posição possui opções como Sadio Mane e Kingsley Coman. Em 24 partidas, o jovem marcou quatro gols, incluindo um na goleada sobre o Al-Hazem, que levou o Al-Nassr de volta à liderança em fevereiro, e distribuiu seis assistências.
Outro brasileiro com boa participação foi Bento, mesmo com sua falha que quase complicou o título. O arqueiro, que terminou fora da lista de convocados da seleção brasileira à Copa, quase deixou a equipe no começo do ano, ficou e mostrou poder de decisão em jogos importantes, em especial contra o Al-Ahli.
Em toda Saudi Pro League, ele foi o quinto em gols evitados em toda a liga (5.06) e passou 13 jogos sem sofrer gol, terceiro no critério, segundo dados do “SofaScore”.
O Al-Nassr finalmente consolida seu projeto e conquista o primeiro título nacional desde 2019. A ver como será o futuro do time e de alguns jogadores, incluindo Bento, em momento que o Fundo Soberano tem cortado os investimentos em esportes.