Por que revolta de Cristiano Ronaldo no Al-Nassr expande crise do futebol na Arábia Saudita
Atacante português se recusa a entrar em campo pelo Al-Nassr nesta segunda-feira, em meio à tensão com o fundo soberano que controla o futebol no país
Cristiano Ronaldo, principal nome do futebol saudita desde 2022, se recusou a entrar em campo pelo Al-Nassr nesta segunda-feira (2), contra o Al-Riyadh. A motivação para isso se deve a uma insatisfação do atacante português com o Fundo de Investimento Público (PIF, na sigla em inglês) da Arábia Saudita, que controla os quatro principais clubes do país.
Ao longo desta temporada, jogadores e até o técnico Jorge Jesus, do Al-Nassr, se revelaram insatisfeitos com o tratamento que têm recebido do fundo. Em contrapartida, entendem que o Al-Hilal, que chegou a ter jogadores como Neymar e João Cancelo em seu elenco, e eliminou o Manchester City no último Mundial de Clubes, tem a preferência do governo saudita.
Segundo informações da imprensa europeia, Cristiano Ronaldo não entrará em campo justamente como uma forma de resposta ao tratamento que o Al-Nassr tem recebido no país. No último duelo com o Al-Hilal, no banco de reservas, a estrela portuguesa indicou que sua equipe estava sendo “roubada” pela arbitragem — o Al-Hilal venceu por 3 a 1, de virada, com dois gols de pênalti.
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Não só isso, mas as reclamações de Jorge Jesus, que chegou a dizer que “não há dinheiro” no Al-Nassr, transmitem a ideia de que o PIF não tem mais interesse em manter os investimentos em todas as equipes do país. Além do Al-Hilal e Al-Nassr, Al-Ahli e Al-Ittihad também estão sob o guarda-chuva deste fundo soberano saudita.
Nesta janela de transferências, o Al-Nassr se reforçou somente com Haydeer Abdulkareem, enquanto o Al-Hilal pôde fazer maiores investimentos, como as chegadas de Pablo Marí e Kader Meité.
Desde agosto, o duelo com o Al-Riyadh será o primeiro que Cristiano Ronaldo não estará em campo pelo Campeonato Saudita. Em busca do milésimo gol de sua carreira, o atacante marcou 18 gols em 22 partidas nesta temporada, considerando também partidas pela Copa do Rei Saudita e Champions League da Ásia.
Karim Benzema também mostrou incômodo com o PIF
Além de Cristiano Ronaldo, Benzema é outro jogador “estrelado” que tenta bater de frente com o fundo soberano. Neste mês, o atacante também se recusou a entrar em campo pelo Al-Ittihad, insatisfeito com a proposta de renovação contratual que lhe foi apresentado.
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Como resultado, além de não disputar a partida contra o Al-Fateh, na última semana, o atacante francês abriu conversas com o Al-Hilal para se transferir ainda nesta janela. Conforme relatado por veículos europeus, Benzema tem conversas avançadas para mudar de clube saudita nos próximos dias.
Clubes sauditas devem ser vendidos no futuro
O PIF, atualmente, controla 75% das ações dos quatro principais clubes da Arábia Saudita. Também investiu milhões nessa rede desde 2023, e mira a contratação de outras estrelas, como Vinicius Júnior, do Real Madrid. A tendência, no entanto, é que Al-Nassr, Al-Hilal, Al-Ahli e Al-Ittihad sejam vendidos no futuro próximo.
O movimento faz parte de uma política do governo saudita para diversificar a economia no país, tornando-a menos dependente de investimentos públicos. No caso do futebol, além do PIF, o Ministério do Esporte saudita é responsável por controlar as demais ações.