Ásia/Oceania

Como a China mudou a vida e transformou ex-volante do Grêmio em camisa 10

Em entrevista exclusiva à Trivela, meio-campista detalha as peculiaridades do futebol chinês

Darlan Mendes tinha vivido apenas alguns poucos meses e exatos 16 jogos pro Levski Sofia, na Bulgária, quando o Wuhan Three Towns, da China, o procurou. Recém-chegado ao Leste Europeu, o meio-campista relutou. Especialmente diante de uma transferência para o futebol chinês.

Era fevereiro de 2024, e o mercado chinês já estava distante dos altos investimentos que atraíram nomes como Oscar, Carlos Tévez e Didier Drogba em outros tempos. Havia certa apreensão. Mas Darlan aceitou a proposta mesmo assim. E quase dois anos mais tarde, não é exagero dizer que o “sim” mudou sua vida.

O meio-campista, claro, sofreu no início. Ficou longe da família e só conheceu o primeiro filho com cinco meses de vida. Tudo isso enquanto penava com o idioma e com a “pimenta” da culinária chinesa.

Tudo isso faz parte do passado. Hoje Darlan vive com a esposa e os dois filhos e acaba de encerra a sua segunda temporada pelo Wuhan. E por mais que não feche as portas para uma eventual saída e até retorno ao Brasil, o meio-campista pensa em fincar raízes no futebol asiático.

— Quando eu recebi a proposta, eu fiquei em cima do muro, porque eu estava num momento legal na Bulgária. Mas realmente foi muito bacana financeiramente para mim. Claro que é muito diferente hoje de três, quatro anos atrás, mas ainda assim é um futebol que tem bastante investimento. Hoje, eu estou muito feliz na China. Eu tenho contrato que tem renovação automática, mas é algo que está aberto. Daqui a pouco, pode ter oportunidade de voltar ao Brasil, ou de se manter na Ásia. Vamos ver o que pode acontecer na reta final da temporada — afirma o meio-campista, em entrevista à Trivela.

Darlan vibra com gol pelo Wuhan (Foto: Divulgação)

Ex-Grêmio, Darlan vai de volante a camisa 10

Darlan foi o último da linhagem de volantes revelados pelo Grêmio entre 2015 e 2020, que começou com Walace, depois teve Arthur, Jailson e Matheus Henrique.

Mas na China, ele virou camisa 10. Darlan recebeu o número mais importante para um meio-campista como forma de reconhecimento por sua boa temporada pelo Wuhan em 2024.

— É. A camisa chegou. Não pude recusar ela. No passado, eu sempre costumei usar a 37. Mas ela sobrou, tive a oportunidade. Não dá para negar esse número. O tradutor, que passa tudo do clube para a gente, me mandou uma mensagem: a número 10 está sobrando. Você é um dos que se destacou no ano passado. Se tiver interesse, pode ficar bem à vontade para escolher um novo número. E aí, eu: “vou me desafiar a usar ela” — conta o agora camisa 10.

Darlan virou camisa 10 pelo Wuhan (Foto: Divulgação)

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As diferenças do futebol chinês para o brasileiro

A camisa 10 às costas não é apenas mera numeração diferente (e mais pesada). Os anos de China também fizeram Darlan mudar um pouco de seu jogo. Como volante no Grêmio, ele sempre foi uma opção de saída por baixo, com toques curtos e aproximação para ir ao ataque.

O agora meia Darlan abusa de lançamentos mais longos e passes em profundidade para fazer o Wuhan jogar. Fruto também da dinâmica do futebol chinês, de um jogo mais direto, com menos cadência e valorização de posse de bola.

Darlan supera saudade para ‘se encontrar’ do outro lado do mundo

A mudança de camisa é respaldada pelos números do jogador em solo chinês. Darlan chegou e de imediato virou titular absoluto. Prova disso é que só ficou fora de um jogo nas duas temporadas desde que chegou ao clube.

O meio-campista atuou em todos os 31 jogos da temporada de 2024 e em 29 dos 30 em 2025. Ou seja: participou de 98,3% das partidas que o Wuhan disputou desde sua chegada.

— Estou muito feliz na Ásia. Realmente me adaptei, me encontrei. É uma coisa que eu precisava há um ano. Ter números, estar jogando. É o que todo o jogador precisa. Graças a Deus, atingi isso. Hoje, eu faço duas temporadas cheias na Ásia. Então tem sido bem especial essa minha caminhada dentro da Ásia, estou bem adaptado em todos os sentidos. É um momento bem bacana— ressalta o jogador.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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