Caso Oscar: Como o acompanhamento cardiológico atua para evitar tragédias no futebol
Jogador chegou a perder a consciência durante bateria de exercícios no CT do São Paulo e cogita encerrar carreira
O São Paulo viveu um momento de alerta na tarde desta terça-feira (11), durante uma bateria de exames no CT da Barra Funda. As avaliações médicas identificaram alterações cardíacas no meia Oscar.
De acordo com o clube, uma equipe do Hospital Israelita Albert Einstein estava no centro de treinamentos para realizar os testes no elenco já visando os trabalhos de pré-temporada de 2026.
Durante os exames, Oscar apresentou uma intercorrência com alterações cardiológicas, sendo prontamente atendido pelos profissionais do clube e pela equipe médica. Em seguida, ele foi encaminhado ao hospital.
Ainda segundo o clube, “Oscar se encontra clinicamente estável e permanece em observação para a realização de exames complementares para elucidação diagnóstica”.
Oscar monitora problema cardíaco há alguns meses
A Trivela apurou que o meia já monitora um problema cardíaco há alguns meses, desde que passou por uma avaliação por conta da fratura das vértebras que sofreu num clássico contra o Corinthians. Os exames apresentaram uma alteração nos batimentos cardíacos.
De acordo com o “ge”, à época Oscar teria recebido um laudo que o liberava para continuar atuando. Contudo, o jogador que tinha expectativa de voltar a jogar após lesão na panturrilha, passou mal durante um teste em uma bicicleta ergométrica. O meia, inclusive, cogita antecipar o fim da carreira.
A “ESPN” detalhou que Oscar chegou a perder a consciência por alguns instantes, ficou tonto e fechou os olhos várias vezes enquanto realizava o exame.

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Acompanhamento cardiológico é essencial para atletas
Em artigo publicado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o gerente médico da cardiologia do Marcelo Franken afirma que pode ser mais difícil para um médico diferenciar um coração que apresenta um músculo com anormalidade de um coração de um atleta que naturalmente é mais musculoso.
Franken ressalta a importância da investigação precoce da saúde cardiovascular para identificar e avaliar se será necessário a interrupção da profissão.
— O importante é distinguir se há uma causa genética, se tem casos na família, ou se a alteração na estrutura do coração se deu devido às atividades físicas intensas. O afastamento é dado para prevenir que ocorra a morte súbita – afirma.

Os tipos de doenças cardíacas
As doenças cardíacas são divididas em dois grupos: estruturais e as arritmias.
Os problemas estruturais, como o próprio nome indica, estão relacionados às doenças das estruturas do coração, sendo a mais comum a cardiomiopatia hipertrófica, responsável por deixar o coração musculoso e, devido ao crescimento gerado, prejudicando o bombeamento do sangue. Neste caso, os sinais de alerta são palpitações, dor no peito, síncope (desmaios) e falta de ar.
Já as arritmias podem ser mais leves e, geralmente, não afastam o atleta. Elas são divididas em dois tipos: as taquicardias, que é quando o coração bate muito acelerado, e as bradicardias, que é quando o coração bate muito devagar.
Algumas arritmias podem ser consideradas mais graves e exigem o tratamento com medicamentos ou até procedimentos realizados por meio de cateter, nos quais se elimina o foco da arritmia no coração. Dependendo do caso o atleta pode até retornar aos treinamentos e competições após um a dois meses do tratamento.
Independentemente do caso, a recomendação médica é de que o atleta investigue se ele apresenta alguma má formação ou predisposição a uma doença cardíaca. O exercício físico pode servir de gatilho para o aparecimento de sintomas.
Outro fator importante é estar atento aos pequenos sinais do coração. Caso um novo sintoma se manifeste, a recomendação é procurar auxílio médico.
Algumas exigências do protocolo da CBF
Um caso recente que levantou o alerta para a importância do acompanhamento médico foi a morte do zagueiro Juan Izquierdo, de 27 anos, em decorrência de uma parada cardíaca causada por uma arritmia, no jogo entre Nacional e São Paulo, pela Libertadores. O jogador chegou a ser levado ao hospital, ficou internado durante cinco dias, mas não resistiu.
Nas competições que organiza, a CBF exige por regulamento que qualquer partida só tenha início com a presença de um Desfibrilador Externo Automatizado (DEA) no estádio.
O protocolo também exige a presença de, ao menos, duas ambulâncias em campo com suporte avançado de vida, desfibrilador e equipamentos “tipo UTI” e de monitoração.
Há também a obrigatoriedade para que cada banco de reservas tenha um desfibrilador externo automatizado que poderá ajudar reverter casos de parada cardíaca, por exemplo.

Ainda no mês de agosto, a CBF realizou o Treinamento em Emergências Cardiovasculares, com o objetivo de preparar profissionais de saúde para evitar que, durante uma partida de futebol, um atleta venha a óbito em razão de uma parada cardiorrespiratória, conhecida como “morte súbita”.
A médica da Seleção Brasileira Feminina Sub-17 e da equipe feminina e de base do Sport, Ana Laura Aureliano, esteve no treinamento e contou à Trivela que a cada início de temporada, os atletas são submetidos a um check-up completo, como exames como eletrocardiograma e testes ergométricos.
— O exame cardiológico já é extremamente importante para qualquer pessoa que pratica atividade física regularmente. Para os atletas ainda mais, principalmente para os atletas de alta performance, que são expostos a altas cargas de treinamento nos jogos e nos treinos. Nos exames cardiológicos a gente pode tanto encontrar alguma patologia e até mesmo evitar alguma fatalidade. No teste ergométrico, a gente vai colocar uma carga para o atleta ser exposto e já consegue simular durante a atividade física — disse a médica.
Fifa mudou protocolos de prevenção de doenças cardíacas
Já os estudos da Fifa indicaram que a morte súbita cardíaca é responsável por uma em cada cinco fatalidades que ocorrem em campo no futebol. Para prevenir novos casos, a principal entidade da modalidade convocou 16 cardiologistas ao redor do mundo para analisar os casos.
Nos estudos realizados durante cerca de um ano, os médicos observaram que os casos de morte súbita cardíaca são mais frequentes a partir dos 12 anos. Com a informação, a pesquisa sugeriu que fosse criada uma triagem para descobrir de forma breve se há, em cada jogador, predisposição para doenças do coração.
Entre a recomendação estão inclusos o exame físico, uma análise do histórico médico do jogador e da família, além da realização de um eletrocardiograma. O protocolo deve ser repetido ao menos duas vezes antes do atleta atingir os 18 anos



