Dispensado na Bundesliga por apoio à Palestina, El-Ghazi condena ataque de Israel no Catar
Atacante neerlandês voltou a se posicionar contra as ofensivas de Israel, que bombardeou Doha
Anwar El Ghazi, que foi dispensado na Bundesliga após demonstrar seu apoio à Palestina, voltou a condenar Israel após o ataque no Catar na manhã desta terça-feira (9), cujo bombardeio atingiu Doha — cidade onde o atacante neerlandês, que atualmente defende o Cardiff City, está.
I am currently in Doha, Qatar and have witnessed first hand the illegal criminal acts of Israel, a state which has no respect for life or law and order.
— Anwar El Ghazi (@elghazi1995) September 9, 2025
If this is what they can do with impunity in a sovereign state like Qatar, then imagine the decades long cruelty and…
Em suas redes sociais, El Ghazi apontou que Israel cometeu “atos criminosos ilegais” e “não tem respeito pela vida nem pela lei e pela ordem”. Confira abaixo a tradução do post do atacante de 28 anos no X (antigo Twitter).
“Atualmente estou em Doha, no Catar, e testemunhei em primeira mão os atos criminosos ilegais de Israel, um Estado que não tem respeito pela vida nem pela lei e pela ordem”, começou Anwar El Ghazi.
— Se é isso que eles conseguem fazer impunemente em um Estado soberano como o Catar, imagine então as décadas de crueldade e opressão que eles vêm infligindo contra civis e crianças palestinas indefesas.
— Essas são as ações de um Estado que quer paz? Quando o mundo vai acordar? Palestina Livre! — concluiu o jogador neerlandês
Ataque de Israel em Doha
BIG BREAKING: 🚨🚨 Israel BOMBS Qatar
— ADAM (@AdameMedia) September 9, 2025
Israel has just bombed in Doha, the capital of Qatar
At least 10 explosions are reported in Doha as a result of Israeli strikes.
lsraeI is not compatible with peace.
Source: Barak Ravid (in comments)
pic.twitter.com/mzpcRTJB5u
O governo de Israel assumiu a autoria de um ataque contra lideranças do Hamas em Doha, cujo ataque violou as leis internacionais, de acordo com o Catar e a Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o porta-voz do Exército israelense, jatos sobrevoaram Doha e, com armas de precisão, alvejaram membros da alta cúpula do grupo terrorista, que estavam reunidos em território catari.
O Hamas confirmou que cinco membros do grupo morreram, incluindo o filho de Khalil Al-Hayya — o principal negociador das conversas por um acordo de paz com Israel. Ele era um dos alvos de Israel.
Já o governo do Catar afirmou, em comunicado oficial, que um membro da Força de Segurança Interna do país foi morto na ofensiva israelense, enquanto outros membros ficaram feridos, mas o número não foi revelado.
Como resposta, o governo catari, que vinha atuando como mediador das negociações de paz entre Israel e Hamas, anunciou a suspensão temporária da mediação das conversas. O chanceler do país classificou o ataque israelense como “ato covarde”.
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Mainz condenado por demitir El Ghazi
No dia 7 de outubro de 2023, o Hamas matou 1.400 pessoas em Israel e tomou 200 reféns. Desde então, o exército israelense tem atacado o grupo terrorista. Entretanto, as frequentes investidas na Faixa de Gaza atingem e vitimam civis, incluindo mulheres e crianças.
Em agosto deste ano, o jornal “The Guardian” publicou que mais de 53 mil pessoas morreram na região.
À época, El Ghazi, recém-contratado pelo Mainz 05, lamentou em suas redes sociais os ataques israelenses na região. O atacante neerlandês também criticou as ações do governo contra os palestinos em Gaza. Confira abaixo trecho da publicação em 2023.

“(Quando um lado) bloqueia água, comida e eletricidade (…) tem armas nucleares (…) é financiado com bilhões de dólares (…) usa inteligência artificial para disseminar desinformação (…) e usa as redes sociais para censurar conteúdo do outro lado (…) não é um conflito e não é uma guerra, é um genocídio e uma destruição em massa que estamos testemunhando ao vivo”.
O trecho final da mensagem postada por El Ghazi causou polêmica: “do rio ao mar, a Palestina será livre”. A referência é o território entre o Mar Mediterrâneo, a oeste de Israel, e o Rio Jordão, na fronteira leste com a Jordânia.
Como os pontos passam por todo o território israelense, o post do atacante poderia ser entendido como o não reconhecimento de Israel como um estado legítimo, ou até mesmo, sugerir a retirada ou eliminações dos judeus que vivem ali. Com a repercussão, o neerlandês apagou o post.
O Mainz — cujo um de seus fundadores era um judeu alemão assassinado pelos nazistas no campo de concentração de Auschwitz — chegou a afastar e reintegrar Anwar El Ghazi após o episódio. O atacante neerlandês esclareceu que sua intenção era defender a “paz acima de tudo”.
— Anwar El Ghazi (@elghazi1995) November 1, 2023
Por consequência, o clube alemão entendeu que o atacante “se distanciou” e “se arrependeu” de seu posicionamento, o que justificaria a exclusão da postagem. Contudo, o neerlandês deixou claro que não tinha pedido desculpas pelo que disse, por mais que o Mainz 05 tenha sugerido isso.
Em meio à guerra de narrativas, os alemães decidiram revogar o contrato com El Ghazi, que abriu um processo legal. Em julho do ano passado, o Mainz foi condenado pela Justiça do Trabalho do país a revalidar o vínculo que tinha com o atacante neerlandês.
O clube alemão teve que pagar a Anwar El Ghazi em torno de 1,7 milhão de euros (aproximadamente R$ 10,8 milhões na cotação atual), valor referente aos nove salários não pagos inicialmente pelo Mainz após a rescisão contratual.



