Ásia/Oceania

Dispensado na Bundesliga por apoio à Palestina, El-Ghazi condena ataque de Israel no Catar

Atacante neerlandês voltou a se posicionar contra as ofensivas de Israel, que bombardeou Doha

Anwar El Ghazi, que foi dispensado na Bundesliga após demonstrar seu apoio à Palestina, voltou a condenar Israel após o ataque no Catar na manhã desta terça-feira (9), cujo bombardeio atingiu Doha — cidade onde o atacante neerlandês, que atualmente defende o Cardiff City, está.

Em suas redes sociais, El Ghazi apontou que Israel cometeu “atos criminosos ilegais” e “não tem respeito pela vida nem pela lei e pela ordem”. Confira abaixo a tradução do post do atacante de 28 anos no X (antigo Twitter).

“Atualmente estou em Doha, no Catar, e testemunhei em primeira mão os atos criminosos ilegais de Israel, um Estado que não tem respeito pela vida nem pela lei e pela ordem”, começou Anwar El Ghazi.

— Se é isso que eles conseguem fazer impunemente em um Estado soberano como o Catar, imagine então as décadas de crueldade e opressão que eles vêm infligindo contra civis e crianças palestinas indefesas.

— Essas são as ações de um Estado que quer paz? Quando o mundo vai acordar? Palestina Livre! — concluiu o jogador neerlandês

Ataque de Israel em Doha

O governo de Israel assumiu a autoria de um ataque contra lideranças do Hamas em Doha, cujo ataque violou as leis internacionais, de acordo com o Catar e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o porta-voz do Exército israelense, jatos sobrevoaram Doha e, com armas de precisão, alvejaram membros da alta cúpula do grupo terrorista, que estavam reunidos em território catari.

O Hamas confirmou que cinco membros do grupo morreram, incluindo o filho de Khalil Al-Hayya — o principal negociador das conversas por um acordo de paz com Israel. Ele era um dos alvos de Israel.

Já o governo do Catar afirmou, em comunicado oficial, que um membro da Força de Segurança Interna do país foi morto na ofensiva israelense, enquanto outros membros ficaram feridos, mas o número não foi revelado.

Como resposta, o governo catari, que vinha atuando como mediador das negociações de paz entre Israel e Hamas, anunciou a suspensão temporária da mediação das conversas. O chanceler do país classificou o ataque israelense como “ato covarde”.

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Mainz condenado por demitir El Ghazi

No dia 7 de outubro de 2023, o Hamas matou 1.400 pessoas em Israel e tomou 200 reféns. Desde então, o exército israelense tem atacado o grupo terrorista. Entretanto, as frequentes investidas na Faixa de Gaza atingem e vitimam civis, incluindo mulheres e crianças.

Em agosto deste ano, o jornal “The Guardian” publicou que mais de 53 mil pessoas morreram na região.

À época, El Ghazi, recém-contratado pelo Mainz 05, lamentou em suas redes sociais os ataques israelenses na região. O atacante neerlandês também criticou as ações do governo contra os palestinos em Gaza. Confira abaixo trecho da publicação em 2023.

Anwar El Ghazi pelo Mainz 05 Foto: (IconSport)
Anwar El Ghazi pelo Mainz 05 Foto: (IconSport)

“(Quando um lado) bloqueia água, comida e eletricidade (…) tem armas nucleares (…) é financiado com bilhões de dólares (…) usa inteligência artificial para disseminar desinformação (…) e usa as redes sociais para censurar conteúdo do outro lado (…) não é um conflito e não é uma guerra, é um genocídio e uma destruição em massa que estamos testemunhando ao vivo”.

O trecho final da mensagem postada por El Ghazi causou polêmica: “do rio ao mar, a Palestina será livre”. A referência é o território entre o Mar Mediterrâneo, a oeste de Israel, e o Rio Jordão, na fronteira leste com a Jordânia.

Como os pontos passam por todo o território israelense, o post do atacante poderia ser entendido como o não reconhecimento de Israel como um estado legítimo, ou até mesmo, sugerir a retirada ou eliminações dos judeus que vivem ali. Com a repercussão, o neerlandês apagou o post.

O Mainz — cujo um de seus fundadores era um judeu alemão assassinado pelos nazistas no campo de concentração de Auschwitz — chegou a afastar e reintegrar Anwar El Ghazi após o episódio. O atacante neerlandês esclareceu que sua intenção era defender a “paz acima de tudo”.

Por consequência, o clube alemão entendeu que o atacante “se distanciou” e “se arrependeu” de seu posicionamento, o que justificaria a exclusão da postagem. Contudo, o neerlandês deixou claro que não tinha pedido desculpas pelo que disse, por mais que o Mainz 05 tenha sugerido isso.

Em meio à guerra de narrativas, os alemães decidiram revogar o contrato com El Ghazi, que abriu um processo legal. Em julho do ano passado, o Mainz foi condenado pela Justiça do Trabalho do país a revalidar o vínculo que tinha com o atacante neerlandês.

O clube alemão teve que pagar a Anwar El Ghazi em torno de 1,7 milhão de euros (aproximadamente R$ 10,8 milhões na cotação atual), valor referente aos nove salários não pagos inicialmente pelo Mainz após a rescisão contratual.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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