Renan Lodi x Al Hilal: Entenda o que pode acontecer após anúncio de rescisão
Brasileiro aguarda decisão da Fifa para definir futuro
O imbróglio entre Renan Lodi e o Al-Hilal ganhou novos capítulos que se encaminharam para desfecho jurídico. Fora dos planos do técnico Simone Inzaghi, o brasileiro não atuou em nenhuma partida nesta temporada e sequer foi inscrito em campeonatos, como a Liga Saudita.
Em entrevista ao UOL, o lateral alega que foi privado do direito de exercer a profissão ao não ser inscrito no Campeonato Saudita, que permite a participação de apenas oito estrangeiros de em cada equipe.
Apesar da ausência na competição nacional, ainda seria possível que Lodi poderia atuar na Liga dos Campeões da Ásia, competição em que não há limite de atletas internacionais, entretanto teria apenas seis jogos até o final do ano.
A falta de atuação fez com que o lateral solicitasse a rescisão unilateral do contrato com o clube e protocolasse o pedido à Fifa. A comissão jurídica do lateral acionou o artigo 15 do Regulamento sobre o Estatuto de Transferências de Jogadores da entidade, dando o direito ao atleta de romper o vínculo com seu empregador por justa causa se não participar de pelo menos 10% dos jogos na temporada.
A Trivela conversou com Marcio Andraus, advogado especialista em Direito Desportivo para entender quais serão os próximos passos no trâmite judicial e as possibilidades de julgamento da Federação Internacional diante do caso.
A análise de Marcio foi baseada em notícias e postagens em redes sociais do próprio atleta e declarações dos seus representantes legais.
— O artigo prevê a possibilidade de o atleta obter a rescisão, sem qualquer indenização de parte a parte, se for relacionado em menos de 10% das partidas oficiais do clube. Tal regra não é objetiva, cabendo a análise às circunstâncias de cada caso. Portanto, o sucesso da demanda do atleta dependerá da análise de provas — explicou o jurista.

Segundo o UOL, dirigentes do Al-Hilal avaliam que o argumento de que o lateral estaria sendo “privado do exercício da profissão” abre margem para discussão na Fifa, mas que não foi estabelecido um consenso sobre a possibilidade de sucesso do brasileiro em sua reivindicação.
— Caso o atleta tenha sucesso, estará liberado para se inscrever por qualquer outro clube. Todavia, caso a rescisão (já comunicada pelo atleta) seja considerada sem justa causa, o mesmo estará obrigado a arcar com a indenização prevista em contrato, além de sanções disciplinares, como suspensão por prazo. Ainda, o clube que contratar o atleta poderá ser condenado solidariamente ao pagamento da indenização — analisou Marcio.
Com relação à decisão da Fifa, Marcio destacou que não há conjunto de decisões consolidadas sobre o assunto, o que caberá a análise de cada caso específico, podendo caber recurso.
— Esta estrutura normativa da Fifa tem sido questionada e abalada por decisões recentes do Tribunal Federal da Suíça e do Tribunal de Justiça da União Européia (caso Lassana Diarra). Porém, ainda não há uma jurisprudência consolidada. No caso, a análise das provas quanto ao efetivo prejuízo esportivo ao atleta terá que ser avaliada pelo DRC/FIFA (Câmara de Resolução de Disputas) para que se tenha a primeira decisão de mérito, que podem se originar recursos às instâncias superiores — afirmou o advogado.
Renan Lodi chegou ao clube de Riad em 2024 e atuou em 56 jogos, somando quatro gols e dez assistências. Pelo Al-Hilal, conquistou uma edição da Liga Saudita, uma Taça da Arábia Saudita e uma Supertaça. O jogador tem contrato com a equipe até junho de 2027.

Retorno temporário ao Brasil
Com o pedido de rescisão do clube saudita, Renan retornou temporariamente ao Brasil e se encaminhou para Curitiba, onde utiliza as instalações do Athletico-PR com o objetivo de dar continuidade aos treinos e manter a forma física.
A passagem gerou especulações sobre um possível retorno ao clube, onde foi cria da base, mas segundo o portal “Itatiaia”, o salário de Lodi atualmente não cabe no orçamento do Furacão. O “Lance!” informou que o jogador recebia cerca de R$ 2,6 milhões no Al-Hilal e, para se enquadrar na folha do Athletico, precisaria reduzir drasticamente o seu salário.
Apesar de já ter declarado que gostaria de um dia voltar a defender o Furacão no momento, os planos do lateral são para permanecer no futebol internacional e que o foco no momento está voltado para aguardar a liminar da Fifa e concluir a situação.
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Confira na íntegra o comunicado de Renan Lodi
“No início de 2024, cheguei ao maior clube da Ásia para 3 anos e meio de contrato. Sempre tive muito orgulho de defender o Al-Hilal. Lutei pelos objetivos do clube, me dediquei ao máximo e defendi a força do futebol saudita. Em pouco tempo, conquistei quatro troféus, mas sempre quis mais. Trabalhei muito para ajudar a colocar o Al-Hilal no topo, onde merece estar.
Iniciei a temporada 25/26 motivado a trazer mais taças para o clube, sem me importar em disputar posição entre os titulares. Mas após a pré-temporada na Alemanha, fui surpreendido com a notícia de que não poderia jogar pela Liga Saudita. Teria somente a chance de atuar em pouquíssimos jogos, pela Champions Asiática.
Essa situação me fez refletir sobre o meu futuro. Ainda tenho muitos sonhos no futebol e não teria minutos suficientes nesta temporada. Durante as últimas semanas, tentei reverter essa decisão junto ao clube, para estar à disposição em todos os jogos do Al-Hilal. Mas nunca tive uma resposta sobre como essa situação poderia ser resolvida amigavelmente.
Com isso, busquei assessoria jurídica e fui informado de que não posso ser privado de exercer a minha profissão. Tomei a decisão de buscar os meus direitos, como qualquer trabalhador que é impedido de exercer o seu trabalho. Espero ansiosamente que os órgãos responsáveis julguem o meu caso o mais rápido possível para que eu possa voltar a fazer o que eu amo sem nenhuma restrição.
Agradeço imensamente por todo o carinho dos torcedores nestes 20 meses. Vocês são o combustível que move o Al-Hilal todos os dias. Agradeço também aos profissionais do clube que me auxiliaram em todo esse período, em especial os fisioterapeutas, massagistas e demais jogadores, com quem construí uma grande amizade.”



