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‘Tive propostas da Premier League, mas meu desejo sempre foi ir para a Arábia Saudita’

Meio-campista despertou o interesse de três times da elite inglesa, além de poder renovar com o Everton

Por cinco anos no Everton, Abdoulaye Doucuré foi um jogador importante e até decisivo em alguns momentos para evitar que o time caísse da Premier League para segunda divisão. O meio-campista, no entanto, deixou o clube de Liverpool ao fim da última temporada pela vontade de atuar na Arábia Saudita, mesmo com propostas de outros times da elite inglesa.

Os próprios Toffees, apesar de deixarem abertas as portas para uma saída se fosse o desejo do jogador de 32 anos, tentaram uma renovação e trio recém-promovido Leeds United, Burnley e Sunderland buscou a contratação do malinense, conforme revelou em entrevista ao site “The Athletic”.

“Meu desejo sempre foi a Arábia Saudita”

Doucouré, porém, já tinha uma casa na Arábia Saudita e a proposta do Neom SC era, obviamente, bem mais vantajosa financeiramente. Vale citar que o volante também é muçulmano, o que pode ter afetado para escolher atuar em território saudita, onde nasceu o islamismo.

— Obviamente, eu sabia que meu tempo chegaria ao fim em algum momento, porque meu desejo sempre foi vir para a Arábia ou para o Oriente Médio. E eu sabia que eles [o Everton] estavam tentando trazer novos jogadores. Recebi uma proposta do Everton, mas a oferta da Arábia era muito maior — disse.

— [Também] Tive bastante interesse da Premier League. Recebi uma proposta enorme do Sunderland, porque conheço bem o técnico [Regis Le Bris], que foi meu treinador na base, na França. Também houve interesse do Leeds e do Burnley. Mas, se eu fosse ficar na Inglaterra, o Everton era minha prioridade. Então, nem cheguei a dar resposta para esses times — completou.

Doucouré em partida do Everton
Doucouré em partida do Everton (Foto: Imago)

O atleta chegou a conversar com o técnico David Moyes, quem contava com ele, mas também disse que não iria forçar uma permanência. No fim, o Everton não insistiu e as conversas nunca saíram do estágio inicial.

— Eles me ofereceram algo, então sabiam que eu poderia ficar. Mas não negociamos nada em relação à duração do contrato ou aos termos financeiros, porque eu já tinha tomado minha decisão. Eles não fizeram nenhuma loucura para me manter — afirmou.

— Quando conversei com David Moyes, ele foi muito direto. Disse: ‘Olha, eu adoraria te manter, mas se você tem outras ambições, ficaremos felizes em te liberar’. Me sinto feliz agora. O clube também seguiu em frente e acho que ambas as partes ficaram satisfeitas com esses cinco anos juntos — finalizou.

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Doucouré revela luta no Everton após perda de pontos

Entre as cinco temporadas do jogador da seleção de Mali em Liverpool, contratado em 2020, a mais delicada foi 2023/24, quando o Everton perdeu oito pontos por infrações no fair play financeiro da Premier League. Na mesma entrevista, Doucouré detalhou como o período foi negativo e se sentia cobrado por algo que não era sua responsabilidade.

— Dava para ver que éramos um grande alvo. Estavam atacando o clube, até nós jogadores, mesmo sem termos feito nada de errado. Se o clube comete um erro, não é culpa nossa, e dava pra sentir que isso era injusto com a gente — disse.

— Estávamos falando de muitas coisas e só queríamos focar no futebol. Às vezes, íamos treinar e o assunto era perda de pontos e questões financeiras. Começa a bater aquele pensamento: ‘O que vai acontecer amanhã?’ Lembro de um dia em que estávamos na sala de vídeo e [o então diretor de futebol] Kevin Thelwell disse que teríamos outra punição com perda de pontos, e nós ficamos tipo: ‘Como é que vamos terminar essa temporada?’ — revelou.

O elenco, então, buscou encontrar bom humor naquela situação e, no fim, se salvaram do rebaixamento com louvor, com 14 pontos a mais que o Luton Town, o primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

— A gente estava confiante de que permaneceríamos na liga e tudo virou piada. ‘Amanhã vão tirar mais cinco ou seis pontos da gente de novo.’ Esses contratempos e a adversidade viraram combustível para um grupo de jogadores que se sentia injustiçado. […] Virou uma motivação.

Doucouré também contou como as cinco trocas de técnicos que presenciou foram “difíceis de lidar” e criticou algumas decisões da gestão dos Toffees, principalmente após a saída de Ancelotti e do diretor de futebol Marcel Brands, em 2021, quando “os padrões do clube caíram muito”.

Ancelotti e Doucoure após jogo do Everton em 2021
Ancelotti e Doucoure após jogo do Everton em 2021 (Foto: Imago)

Um dos maiores questionamentos foi a venda de Digne após uma discussão com Rafa Benítez, em 2022. “Lucas era um dos melhores laterais-esquerdos da liga. Quando vi aquilo, pensei: ‘Como podem deixar alguém assim sair do clube por causa de uma briga?’ Não fazia sentido, porque o Lucas amava o clube e não teria saído para o Aston Villa”, criticou.

Agora realizando o sonho de atuar na Arábia Saudita, o volante atuou em quatro jogos pelo NEOM e deu uma assistência, mas também marcou um gol contra na última partida.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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