Eurocopa

Inglaterra volta a uma final depois de 1966 com uma vitória suada sobre a Dinamarca na prorrogação

Com um gol na prorrogação em um pênalti controverso, Inglaterra consegue virada sobre a Dinamarca em Wembley e vai à final da Euro 2020

O sonho de “It’s Coming Home” dos ingleses segue vivo. Em Wembley, a seleção Three Lions conseguiu uma vitória por 2 a 1 sobre a Dinamarca, graças a uma virada alcançada apenas na prorrogação. Diante de uma Dinamarca que pareceu bem preparada para lidar com os ingleses, o empate por 1 a 1 prevaleceu nos 90 minutos. Foi só na prorrogação que saiu o gol da vitória, em um pênalti controverso, que deu à Inglaterra o ingresso à final da Euro 2020. Fará uma decisão de peso contra a Itália, no próximo domingo. Será a primeira final da Inglaterra em uma grande competição (leia-se Eurocopa e Copa do Mundo) desde a Copa do Mundo de 1966, quando foi campeã.

O jogo teve a Dinamarca um pouco melhor no primeiro tempo, quando conseguiu abrir o placar. Foi só depois de levar o gol que os ingleses melhoraram na partida e arrancaram o empate antes do intervalo. No segundo tempo, os dois times trocaram ataques, mas foi a Inglaterra que buscou o gol até o final, mas não saiu do empate. Foi preciso prorrogação, quando um pênalti controverso deu a vantagem aos ingleses. Depois disso, os ingleses se defenderam e deixaram uma cansada Dinamarca sem conseguir reagir mais até o apito final.

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Os times

A Inglaterra teve a volta do atacante Bukayo Saka, que não jogou nas quartas de final. Com isso, Jadon Sancho saiu do time e foi para o banco. No mais, manteve a equipe, inclusive com Declan Rice e Kalvin Phillips. Havia a especulação que Jordan Henderson poderia entrar no lugar de um deles.

Na Dinamarca, Kasper Dolberg foi mantido no time titular, com Yussuf Poulsen no banco. O técnico Kasper Hjulmand manteve a mesma equipe do jogo contra a República Tcheca.

Primeiro tempo

Nos primeiros minutos, a Inglaterra foi quem começou indo mais ao ataque, chegando mais à área dinamarquesa e tentando criar chances. Os ingleses usaram bem os lados do campo para tentar chegar ao ataque, mas a Inglaterra estava bem posicionada.

Passados os primeiros 15 minutos, o ímpeto inglês foi reduzido e a Dinamarca passou a ter mais a bola. Começou porque conseguiu tomar mais a bola da Inglaterra, o que fazia com que os ingleses tivessem dificuldade de manter a posse de bola por muito tempo.

Aos 24 minutos, a Dinamarca chegou com perigo. Em uma jogada trabalhada, Damsgaard protegeu, girou e bateu da esquerda, buscando o ângulo, e levou muito perigo. Foi a primeira chegada mais perigosa, o que se acirraria logo em seguida.

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Gol da Dinamarca

Aos 29 minutos do primeiro tempo, a Dinamarca conseguiu abrir o placar. Em cobrança de falta de longe, Damsgaard cobrou forte, alto, a bola caiu rápido e entrou.  O goleiro Jordan Pickford não conseguiu defender.

Quebra de recorde

O gol da Dinamarca significou o fim de uma longa série de minutos sem sofrer gols. Pickford superou os 720 minutos de Gordon Banks por um minuto, chegando a 721 ao ochegar aos 28 minutos. No minuto seguinte, sofreu o gol, o primeiro sofrido pela Inglaterra nesta Euro 2020.

Pressão inglesa

A Inglaterra quase conseguiu empatar. Aos 37 minutos, Kane desceu pela esquerda, cruzou rasteiro e Sterling conseguiu se antecipar ao defensor para finalizar de primeira, mas o goleiro fez uma grande defesa. Impediu o gol. Ao menos por um momento.

No lance seguinte, os ingleses conseguiram uma bela jogada. Kane recebeu na intermediária, enfiou a bola para Saka na direita e o atacante, na linha de fundo, cruzou rasteiro e forte para a área. Sterling estva pronto para tocar para a rede, mas Simon Kjaer deu um carrinho para tentar cortar a bola, que bateu nele e entrou.

Segundo tempo

O jogo voltou um pouco mais equilibrado na segunda etapa. Logo aos sete minutos, Dolberg recebeu de Damsgaard e chutou de fora da área, mas não conseguiu nem colocar muita precisão, e nem força. Pickford fez uma boa defesa. Logo em seguida, Pickford precisou intervir em uma finalização de Braithwaite.

A Inglaterra chegava em cobranças de faltas laterais, mas que a defesa dinamarquesa conseguia afastar sem grandes problemas. Os dois times trocavam ataques sem tanto perigo. O jogo ganhava uma certa correria de lado a lado, com os dois times sem conseguir criar grandes oportunidades.

Até por isso, os dois técnicos mudaram os times. No caso de Kasper Hjulmand, tirou Damsgaard e colocou Yussuf Poulsen, além de coloca também Christian Norgaard no lugar de Dolberg e Daniel Wass no lugar de Struger Larsen.

Os ingleses ficaram atiçados nas arquibancadas quando Gareth Southgate chamou Jack Grealish para entrar em campo no lugar de Bukayo Saka, que fez partida apenas razoável. Os dinamarqueses ainda fariam mais uma mudança, com a entrada de Joachim Andersen no lugar de Andreas Christensen.

Com o passar dos minutos, os dois times já sentiam um pouco mais o cansaço. Não conseguiam emplacar bons ataques. Nos minutos finais do segundo tempo, os dinamarqueses pareciam mais conformados com o empate que os ingleses. Estes, por sua vez, não conseguiam encaixar um ataque perigoso para mudar esse cenário.

Sem conseguir entrar na área para finalizar, a Inglaterra tentou a finalização de fora da área em uma jogada que terminou nos pés de Kalvin Phillips, já com o relógio em 45 minutos. Com 49 minutos, já avançado nos acréscimos, Harry Maguire, de cabeça, tentou e o goleiro defendeu. No último lance do jogo, Grealish fez a jogada pela esquerda, cruzou para a área, Kane finalizou, mas foi bloqueado. Nada de gol. O jogo estava destinado à prorrogação.

Prorrogação

A Dinamarca parecia muito mais desgastada fisicamente no jogo. A impressão que dava era que a Inglaterra estava mais inteira e poderia forçar nesse sentido. Logo nos primeiros minutos, o técnico Gareth Southgate chamou Phil Foden e Jordan Henderson.

Logo a três minutos da prorrogação, Kane recebeu pela direita e chutou forte, mas Schmeichel estava bem posicionado. Logo depois, Sterling, pela direita, fez uma boa jogada, driblou, foi à linha de fundo e cruzou para trás, mas a defesa tirou.

Com sete minutos, Grealish recebeu de Phil Foden depois de uma jogada de escanteio curto, abriu espaço e chutou forte. Schmeichel fez mais uma defesa. Logo depois, Sterling recebeu, na entrada da área, também depois de escanteio, limpou a jogada e bateu, mas foi bloqueado.

Só a Inglaterra atacava. A Dinamarca se defendia como podia. Ais 11 minutos, Sterling fez a jogada pela direita, driblou e caiu depois de um lance com Maehle. O árbitro Danny Desmond Makkelie, da Holanda, confirmou a penalidade, depois do VAR. A impressão é que foi uma falta muito forçada por Sterling. O VAR não quis intervir.

Quem cobrou o pênalti foi Harry Kane e quase matou os ingleses de susto. O atacante cobrou rasteiro no canto esquerdo do goleiro e Schmeichel defendeu, mas o próprio atacante marcou no rebote. A Inglaterra fazia 2 a 1, virando o jogo.

A Dinamarca voltou para o segundo tempo da prorrogação tentando ainda alguma reação. O time estava completamente desgastado. Sem conseguir manter a bola por mais muito tempo, a Dinamarca pareceu até desistir em um certo momento. Os ingleses se fecharam com a entrada de Kieram Trippier no lugar de Grealish e o time praticamente só gastou o tempo até o final. Os dinamarqueses se esforçaram enquanto tiveram fôlego, mas ja não tinham gás para buscar o empate nos minutos finais.

A Inglaterra voltará a decidir uma grande competição. E em casa, como foi em 1966. Ainda vivendo uma pandemia que tanto afetou o mundo, ao menos os ingleses terão a chance de uma partida história no próximo domingo. Uma campanha que começou questionada na fase de grupos com vitória sobre a Croácia na estreia, empate contra a Escócia, vitória burocrática contra a Tchéquia, superou o fantasma da Alemanha nas oitavas e goleou a Ucrânia nas quartas. Na semifinal, mais uma vez foi sofrido, mas nesta fase, é o esperado. Os italianos, porém, esperam que o sonho de “It’s Coming Home” fique na arquibancada.

À Dinamarca, resta a tristeza de uma eliminação que é dolorida. O time não conseguiu aguentar fisicamente a disputa. Diante de tudo que aconteceu com o colapso de Eriksen no primeiro jogo, os dinamarqueses têm muito do que se orgulhar. Fizeram uma campanha mais do que digna. O jogaço com a Bélgica, a vitória sobre a Rússia, as vitórias sobre Gales e República Tcheca no mata-mata. Foram muito bem, mostraram um ótimo futebol e podem mirar alto, a começar com a classificação para a Copa 2022. Este é o próximo passo para um time que mostrou tanto nesta Euro 2020. Há muito pela frente.

Ficha técnica

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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