Dinamarca demonstra eficiência, goleia Gales e avança às quartas de final
Em uma partida com um relativo equilíbrio, a Dinamarca foi melhor e conseguiu golear Gales por 4 a 0 em Amsterdã, pelas oitavas de final da Euro 2020. Os escandinavos conseguiram um gol em cada tempo e aproveitaram que os galeses sofreram para criar jogadas e não conseguiram também aproveitar os seus melhores jogadores, especialmente Gareth Bale. Mesmo que não tenha sido o mesmo nível de atuação de jogos anteriores, os dinamarqueses mostraram um futebol claramente superior ao rival, aproveitou muito bem as chances e deslanchou no segundo tempo do jogo para golear.
Gales deixa a Eurocopa com uma sensação de frustração. O time criou pouco, não conseguiu mostrar em nenhum momento o futebol que se esperava, nem mesmo com o seu principal jogador, Gareth Bale. O capitão foi muito acionado ao longo da partida, mas repetir o que fez na França parecia mesmo um sonho distante pelo desempenho que os britânicos tiveram ao longo do torneio.
A Dinamarca consegue a sua segunda goleada na Euro 2020. Na última rodada da fase de grupos, conseguiu uma goleada por 4 a 1 sobre a Rússia, que garantiu a classificação em segundo lugar. Depois do jogaço que fez contra a Bélgica, já havia uma boa expectativa em relação ao time. O impacto da perda de Christian Eriksen, que teve um colapso no primeiro jogo, ainda é grande, mas o time conseguiu se reconstruir. Com o que fez nestas oitavas de final diante de Gales, empolga para os próximos jogos.
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Como os times foram a campo
Gales fez uma mudança em relação ao último jogo, contra a Itália em Roma. O atacante Kieffer Moore voltou ao time, com o esquema tático em um 4-2-3-1 e a saída do terceiro zagueiro, Chris Gunter. Contra os italianos, os galeses jogaram sem um centroavante, com os jogadores recuando mais. Na lateral esquerda, Ben Davies entrou no lugar de Neco Williams. Entre os zagueiros centrais, Joe Rodon foi mantido, mas Chris Mepham entrou no lugar de Ethan Ampadu, suspenso pela expulsão.
O atacante Kasper Dolberg ganhou um lugar no time titular da Dinamarca. Contra a Rússia, quem comandou o ataque foi Yussuf Poulsen, que teve uma pequena lesão e não ficou nem no banco de reservas. Outra mudança foi na ala direita e também foi por lesão: saiu Daniel Wass, que sequer foi relacionado para o banco, e entrou Jens Stryger Larsen.
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Bom começo galês
No começo do jogo, foram os galeses que tentaram chegar mais ao ataque. Aos nove minutos, Bale tentou um chute de fora da área, depois de uma boa jogada pela direita que ele puxou para o meio e bateu, mas a bola saiu. Foi a melhor das descidas dos galeses nos primeiros minutos, mas foi uma constante: o time britânico era quem tinha mais a bola e chegava mais à frente, rondando a defesa adversária.
A Dinamarca só levou algum perigo aos 18 minutos, em um ataque trabalhado pelo meio que resultou em escanteio. Foram dois seguidos para a área, o que animou a torcida dinamarquesa, muito presente em Amsterdã, até pelo histórico de proximidade dos dois países.
Os dinamarqueses melhoraram no jogo e chegaram mais uma vez com perigo com uma boa bola enfiada para Delaney, pela direita, que cruzou muito alto e a defesa tirou para escanteio. A cobrança não levou perigo, mas foi o quarto escanteio da equipe, que passou a deixar Gales no seu campo de ataque, depois de um início de jogo que era pressionado pelos galeses.
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Dinamarca abre o placar
Aos 26 minutos, a Dinamarca conseguiu abrir o placar. Mikkel Damsgaard trabalhou a jogada pela esquerda e tocou para Dolberg, que dominou, girou e chutou de fora da área, no cantinho, sem chance de defesa para Danny Ward: 1 a 0 para os dinamarqueses.
O jogo mudou, com os dinamarqueses muito mais tranquilos na partida, tocando a bola com calma e ficando mais com a posse de bola também. Os galeses pareciam não conseguir sair para o jogo e tinham dificuldade manter a posse de bola. Gales perdeu um jogador quando Connor Roberts se machucou aos 40 minutos. Foi substituído por Neco Williams.
Dinamarca amplia no começo do segundo tempo
No segundo tempo, Gales voltou com uma alteração de posições: Bale foi para o lado esquerdo, com Daniel James pela direita. O time tentou novamente começar pressionando, como foi no primeiro tempo.
Aos três minutos, a Dinamarca ampliou. Em um ataque de Gales, Simon Kjaer entrou duro em Moore, os galeses reclamaram, mas o árbitro Daniel Siebert não marcou nada. Na continuação do lance, Martin Braithwaite recebeu pela direita e, já dentro da área, cruzou rasteiro para o meio. Neco williams afastou muito mal, para o meio, e a bola sobrou nos pés de Kasper Dolberg para o atacante ampliar: 2 a 0. Um balde de água fria nos galeses.
Gales tentou reagir rápido. Em uma jogada pela esquerda, Bale foi até a linha de fundo, cruzou alto, a zaga conseguiu um corte parcial e Daniel James finalizou com força. A bola tocou em Christensen e saiu.
Mudanças nos dois lados
Os dois times fizeram substituições aos 15 minutos. Robert Page, de Gales, sacou o volante Joe Morrell e colocou o meia Harry Wilson. Kasper Hjulmand tirou Mikkel Damsgaard e Thomas Delaney e colocou Christian Norgaard e Mathias Jensen.
Com a vantagem de dois gols no placar, a Dinamarca recuou em campo. Passou a jogar com linhas bem mais baixas, deixando Gales ter a bola até a intermediária. Mesmo tendo um pouco mais a bola, o time britânico tinha dificuldades de criar jogadas.
Os dinamarqueses mudaram mais dois jogadores e fecharam suas cinco alterações. Primeiro, saiu o autor dos dois gols do jogo, Dolberg, para a entrada de Andreas Cornelius. Strynger Larsen saiu para a entrada de Nicolai Boilensen. Saiu também o zagueiro Kjaer, sentindo uma lesão, e entrou Joachim Andersen.
Vendo que seu time criava pouco, Rob Page fez mais duas mudanças aos 33 minutos, em uma tentativa de dar mais força ofensiva à equipe. Colocou em campo Tyler Roberts no lugar de Moore, trocando um atacante por outro, e também David Brooks no lugar do apagado Daniel James.
Gales tinha a boal no campo de ataque, mas muita dificuldade de entrar na defesa dinamarquesa. Teve pouco efeito. A maior posse de bola galesa não significou mais jogadas de perigo. A Dinamarca, controlando o jogo na defesa, foi quem ameaçou quando chegou ao ataque.
Braithwaite, louco para marcar o seu gol na Euro 2020, cobrou falta aos 36 minutos e levou perigo, mas não acertou o gol. Logo depois, mais uma chance, desta vez com o zagueiro Andersen, que pegou um rebote e mandou para fora.
Dinamarca mata o jogo
Em um contra-ataque aos 43 minutos, a Dinamarca matou o jogo. Em uma bela jogada, Jensen fez um belo passe para o lado direito, onde estava Joakim Maehle. Ele foi deslocado pelo lado direito depois da saída de Stryger. O ala recebeu já dentro da área, fez o corte para dentro e chutou alto, de pé esquerdo, e marcou: 3 a 0.
Logo depois, Gales ainda teve um jogador expulso. Harry Wilson deu uma entrada forte e o árbitro foi muito duro: Daniel Siebert mostrou cartão vermelho ao meia, que tinha acabado de entrar. Embora tenha sido uma falta forte, um cartão amarelo seria suficiente.
Antes do apito final, o VAR teve um papel decisivo. Maehle tocou para Cornleius, que ajeitou para Braithwaite. O camisa 9 recebeu a finalizou no cantinho, mas a arbitragem anulou o gol por impedimento do dinamarquês. Só que o lance foi para revisão do VAR, que demorou mais do que o normal na Euro, cerca de dois minutos. O gol, enfim, foi validado depois da revisão, o que fechou a conta na Johan Cruyff Arena: 4 a 0 para a Dinamarca.
Não houve tempo para mais nada. Logo depois do reinício da partida, o jogo foi encerrado. Os galeses caíram em campo, decepcionados. Os dinamarqueses celebraram, assim como muitos torcedores do país nas arquibancadas. As celebrações foram grandes, com Dolberg saindo como um destaque pelos dois gols. O time mostrou mais uma vez um ótimo jogo coletivo, muito forte na defesa e com capacidade de decidir no ataque. A eficiência dos dinamarquesas foi muito maior, aproveitando mais quando teve espaço.
Bale, capitão galês, reuniu os jogadores no centro do campo, que ficaram em uma roda. Dentro da roda, Bale fez um discurso para os jogadores, como tinha feito também em partidas anteriores. Bale não é conhecido por ser um jogador muito vocal nos clubes por onde passa, mas na seleção galesa ele sabe a importância que tem e do papel que exerce, com a braçadeira de capitão. Deixa a Euro, o que ele certamente lamenta. Resta saber qual será o seu futuro.
Próximo jogo
A Dinamarca, primeira classificada às quartas de final, espera o vencedor de Holanda e Tchéquia para o confronto, que será em Baku. Holandeses e tchecos se enfrentam neste domingo, em Budapeste.

