Eurocopa

Dinamarca fez grande partida, mas a Bélgica mostrou sua qualidade para virar o jogaço em Copenhague

Dinamarqueses começaram bem, saíram na frente e a Bélgica precisou lançar mão de De Bruyne para virar o jogo e em Copenhague; belgas estão classificados e dinamarqueses precisam de vitória na rodada final

Dinamarca e Bélgica fizeram um dos melhores jogos da Euro até aqui, com uma atuação do mais alto nível. Os dois times jogaram muito bem e tiveram chances, mas foi a Bélgica que venceu, de virada, por 2 a 1. Foi um desafio e tanto para o time belga, líder do ranking da Fifa. Depois de um primeiro tempo dominado pelos dinamarqueses, que saíram na frente, os belgas precisaram chamar seus reforços no banco de reservas para arrancar uma virada. Em qualidade, os dois times mostraram capacidade e qualidade.

O resultado é muito ruim para a Dinamarca. A sensação que ficou depois da partida é que o resultado acaba parecendo injusto pelo futebol que o time apresentou. O seu xG (saiba o que é isso aqui neste texto da coluna Critério de desempate) foi até maior que o da Bélgica no jogo, 1.99 dos dinamarqueses e 0.87 dos belgas. Depois de dois jogos em casa, o time fica sem qualquer ponto. Pelo futebol que apresentou nesta partida, é uma pena, porque o time fica seriamente ameaçado de eliminação mesmo demonstrando que sua capacidade é maior do que aconteceu no primeiro jogo. Os belgas, por sua vez, estão classificados.

Dinamarca sufoca no início

Logo no começo, a Dinamarca aproveitou um erro na saída de bola para abrir o placar. O zagueiro Jason Denayer errou o passe para Youri Tielemans, que foi interceptado. Pierre-Emile Hojbjerg passou para Yussuf Poulsen, que dominou e chutou rasteiro no canto: 1 a 0, quando não havia nem dois minutos de jogo.

Os cinco minutos iniciais foram para lá de corridos e com a Dinamarca fazendo uma grande apresentação. Muita pressão, sufocando a saída de bola dos belgas e causando problemas. Ao longo de todo primeiro tempo, os dinamarqueses pareceram no controle da partida, atacando melhor, com mais facilidade, aproveitando espaços e deixando a Bélgica sempre bastante desconfortável.

O trio de ataque dinamarquês criou boas jogadas com Martin Braithwaite, Mikkel Damsgaard e Yussuf Poulsen. Os três tiveram uma ótima atuação no primeiro tempo, participando bem das jogadas, criando chances que poderiam ter ampliado a vantagem dos escandinavos ainda no primeiro tempo. Não seria nenhuma surpresa que o placar fosse maior que o 1 a 0 que chegou ao intervalo. Damsgaard, em especial, foi um que chegou perto de marcar em um chute cruzado que passou perto. Só que o placar ficou mesmo 1 a 0.

Bélgica volta com reforço

A Bélgica trouxe a cavalaria para o segundo tempo. Levou o campo o meio-campista Kevin De Bruyne, recuperado de lesão. No lugar de Dries Mertens, que pouco conseguiu fazer no primeiro tempo. De Bruyne teve uma lesão grave na final da Champions League, no dia 29 de maio, quando fraturou a face. Apesar da lesão séria, o técnico da seleção belga, Roberto Martínez, já tinha avisado que contava com o jogador e que ele perderia o primeiro jogo.

Lukaku foi lançado aos nove minutos, superando os adversários, arrancando pela ponta direita, foi até a linha de fundo e tocou para trás, para Kevin De Bruyne. Ele fez um corte inteligente e tocou para o meio, rasteiro, e Thorgan Hazard chega para completar a linda jogada. Golaço da Bélgica, que empatou em Copenhague: 1 a 1. Com 10 minutos do segundo tempo, os belgas conseguiram o empate.

Com passe para o gol de Thorgan Hazard, De Bruyne chegou a oito assistências pela Bélgica em grandes competições (Copas do Mundo e Eurocopas). Desde a Copa do Mundo de 2014, nenhum jogador europeu fez mais nessas duas competições, segundo a Opta Sports. Um dado impressionante do camisa 7 belga.  

Logo depois, aos 13 minutos, a Bélgica fez mais duas mudanças na equipe: colocou em campo Eden Hazard, que substituiu Yannick Carrasco, e Axel Witsel, que entrou no lugar de Leander Dendoncker. Lançou mão de dois jogadores experientes para tentar conquistar o controle do jogo.

Dinamarca não desiste

A Dinamarca não arrefeceu e continuou tentando atacar. O problema é que quando a Bélgica chegou, mostrou porque é uma das melhores seleções do mundo. Lukaku recebeu a bola, muito marcado, mas conseguiu segurar a bola, saindo da marcação na ponta direita e consegue o passe para Tielemans. O camisa 8 tocou para Thorgan Hazard, que ajeitou de primeira para Eden Hazard e o meia só rolou de primeira para Kevin De Bruyne. O camisa 7 chegou chutando forte, de pé esquerdo, e colocou no fundo da rede: 2 a 1 para a Bélgica e virada em Copenhague.

Oos dinamarqueses não desistiram e em um novo ataque aos 29 minutos, Poulsen ajeitou de peito um cruzamento para a área para Braithwaite finalizar, exigindo boa defesa de Thibaut Courtois. O jogo ficou movimentado. Logo em seguida, em um contra-ataque, Eden Hazard lançou Lukaku pelo meio, o atacante não conseguiu partir com a bola, que sobrou para De Bruyne. O camisa 7 chutou de primeira de fora da área, mas acabou pegando fraco e o goleiro defendeu com tranquilidade.

A Dinamarca respondeu. Braithwaite avançou em velocidade, passou por um marcador e, quando finalizou, acabou travado pela defesa belga, no momento crucial. Os dinamarqueses passaram a sofrer mais para recuperar a bola. Os belgas conseguiram recuperar o controle do meio-campo, tocando mais a bola e mantendo a posse.

Precisando do resultado, os dinamarqueses foram para cima e, em um chute forte de Jenssen aos 44 minutos, levaram perigo. Os dinamarqueses aumentaram o ritmo nos minutos finais para tentar o empate, fosse como fosse.

Já nos acréscimos, a Dinamarca teve uma cobrança de falta que até o goleiro Kasper Schmeichel foi para a área. Só que a Bélgica conseguiu cortar o cruzamento e partir em contra-ataque. O ala Thomas Meunier recebeu e a bola, avançou e, depois do meio-campo, chutou para o gol, mas a defesa dinamarquesa conseguiu cortar o chute para escanteio.

O jogo já passava de quatro minutos de acréscimos e a Bélgica tinha a posse de bola no ataque, esperando que os cinco minutos de acréscimos dados pelo árbitro se completassem. Só que o time perdeu a bola e, no último contra-ataque da partida, Braithwaite recebeu pela ponta esquerda, fez o drible pelo meio e finalizou, mas acabou bloqueado. A jogada foi muito óbvia e a defesa conseguiu o bloqueio. O árbitro encerrou o jogo logo depois.

Foi um jogaço no Estádio Parken, com as duas seleções mostrando uma qualidade imensa. A Dinamarca mostrou o futebol que não pôde apresentar na estreia, contra a Finlândia, em um dia que o futebol era o que menos importava. O que realmente importava era a saúde de Christian Eriksen.

Uma pena, por isso, que a Dinamarca tenha chegado à segunda rodada sem pontos. Porque em futebol, mostrou mais neste jogo que a Rússia nos dois jogos, ou mesmo a Finlândia. Só que os dinamarqueses precisarão de uma vitória sobre a Rússia na última rodada para terem chances. Será interessante ver o que acontecerá nesta última rodada. A Dinamarca tem bola para vencer, e vencer bem a Rússia, como fez a Bélgica na primeira rodada. Os russos, por sua vez, precisarão de um empate, ao menos, para garantir um lugar.

Próximos jogos

Rússia e Dinamarca se enfrentam na última rodada na segunda-feira, dia 21, novamente no Estádio Parken, em Copenhague. Já a Bélgica, já classificada com seus seis pontos, vai até São Petersburgo para enfrentar a Finlândia.

Ficha técnica

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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