Champions League

Compacto, disciplinado e cirúrgico, Chelsea foi superior ao City para celebrar sua segunda Champions League

Com gol de Kai Havertz no primeiro tempo, o Chelsea venceu o Manchester City por 1 a 0 na final da competição europeia

O trabalho de Thomas Tuchel no comando do Chelsea está evidentemente muitos estágios atrás do de Pep Guardiola à frente do Manchester City, mas neste sábado (29) as forças se igualaram para um duelo parelho na final da Champions League, na cidade do Porto, em Portugal. Graças sobretudo a um primeiro tempo de grande qualidade, com boas chances criadas e o gol de Kai Havertz, o Chelsea bateu o City por 1 a 0 para levar para casa a sua segunda taça da Liga dos Campeões.

Pep Guardiola trouxe algumas novidades para a equipe titular. Optou por deixar Rodri e Fernandinho, normalmente peças usadas para dar segurança defensiva no meio de campo, no banco de reservas, promovendo a entrada de Sterling, que não vinha sendo titular, na ponta esquerda e deslocando Phil Foden para o centro. Com a bola, os Sky Blues jogavam em um 3-3-4, com Walker formando a defesa com Rúben Dias e Stones, Zinchenko fechando pelo meio ao lado de Gündogan e Bernardo Silva, Sterling e Mahrez dando largura nas pontas, e De Bruyne e Foden mais avançados pelo centro.

O Chelsea, por sua vez, foi com seu esquema já tradicional sob o comando de Thomas Tuchel: um 3-4-2-1 de base, com Azpilicueta, Thiago Silva e Rüdiger na defesa, Reece James e Chilwell nas alas, Kanté e Jorginho no meio e Mount e Havertz atrás de Timo Werner.

Apesar do favoritismo do City, o primeiro tempo mostrou um jogo muito mais parelho do que o esperado. A equipe de Guardiola terminou a etapa com uma vantagem muito pequena na posse de bola (52% contra 48%) e viu o adversário criar as melhores oportunidades. Especialmente nos primeiros 15 minutos, o Chelsea levou bastante perigo ao gol defendido por Ederson.

A primeira chance, no entanto, foi do City. Aos oito minutos, como havia mostrado contra o PSG na semifinal, Ederson foi brilhante na ligação direta com o ataque e deixou Sterling na cara do gol. O camisa 7, no entanto, não manteve a bola próxima do corpo na hora do domínio e não conseguiu finalizar a jogada como gostaria, sendo travado.

Aos dez minutos, o Chelsea respondeu em grande oportunidade pela esquerda. Havertz cruzou rasteiro para a área, e Werner, bem colocado para o arremate, furou o chute. O City contra-atacou imediatamente e só não definiu a jogada por causa de um carrinho providencial de Rüdiger para interceptar o cruzamento rasteiro de Sterling.

Subindo em velocidade, o Chelsea assustou novamente aos 14 minutos. Chilwell soltou com Mount, que passou para Werner. Desta vez o alemão acertou o chute, mas parou em boa defesa de Ederson. No minuto seguinte, Mount mais uma vez tocou para o camisa 11, que partiu para cima de Stones e chutou com perigo, com desvio na defesa, mandando do lado de fora da rede.

Apesar de ter mais posse de bola nos 15 minutos iniciais, o City não conseguia criar boas oportunidades, enquanto o Chelsea apostava em uma transição ofensiva rápida e precisa e em bolas às costas da defesa do City. Em outra boa construção, aos 17 minutos, Chilwell cruzou para cabeçada de Kanté, que ganhou pelo alto entre Rúben Dias e Sterling, mas mandou para fora.

A melhor chance do City no primeiro tempo veio aos 27 minutos, com passe de De Bruyne dentro da área para Foden, mas Rüdiger mais uma vez apareceu com um carrinho na hora certa para bloquear a finalização do oponente.

O Chelsea não conseguiu manter o excelente ritmo dos primeiros 15 minutos, mas criaria mais algumas chances e chegaria ao gol ainda no primeiro tempo. Aos 37 minutos, Kanté roubou a bola e puxou o contra-ataque rápido, soltando para Kai Havertz dentro da área. O alemão tentou o drible, mas acabou travado – em sua chance seguinte, entretanto, não desperdiçaria.

Os comandados de Thomas Tuchel sofreram um baque aos 39 minutos quando Thiago Silva, que vem de excelente primeira temporada pelos Blues, teve que deixar o campo devido a uma lesão muscular, dando lugar a Andreas Christensen. Logo este choque seria superado pelo êxtase.

Aos 42 minutos, o City tinha a bola em sua defesa e girava tentando encontrar a melhor saída para o ataque. Chilwell recebeu na altura do meio de campo e tocou para Mount. O destaque do Chelsea na temporada então observou o posicionamento da defesa do City, que tentava povoar o lado da bola e deixava buracos no processo, e viu Havertz aparecer livre no corredor central em direção ao gol. O passe de Mount foi preciso, cortou as linhas e deixou o alemão frente à frente com Ederson. Com um drible para o lado, Havertz tirou o brasileiro da jogada e bateu para o gol vazio para fazer 1 a 0.

No segundo tempo, o Manchester City recobrou seu domínio usual da posse de bola, mas não conseguiu transformar isso em boas chances de gol. O duelo perdeu intensidade à medida que o City girava a bola em busca de espaço e o Chelsea se fechava em suas linhas bem povoadas, cada jogador se entregando ao máximo ao propósito coletivo. Esta entrega se multiplicava quando a bola chegava à área do goleiro Édouard Mendy, com carrinhos e interceptações precisas impedindo que o City voltasse ao jogo.

Aos 15 minutos, as chances do time de Pep Guardiola foram reduzidas com a saída forçada de Kevin De Bruyne, que levou a pior em um choque de cabeça com Rüdiger. Em seu lugar, entrou Gabriel Jesus. Cinco minutos mais tarde, foi a vez de Fernandinho entrar no lugar de Bernardo Silva, enquanto aos 21 minutos da segunda etapa Tuchel sacou Werner para a entrada de Pulisic.

O City não conseguiu encontrar seu melhor futebol e, nos momentos mais agudos de ataque, apenas esbarrou em uma defesa do Chelsea que bloqueava todas as finalizações. Aos 23, Mahrez cruzou rasteiro buscando Gündogan na pequena área, mas Azpilicueta se atirou ao chão para mandar para escanteio. Aos 29, Sterling recebeu na linha de fundo e ajeitou para trás para a finalização de Jesus, mas foi a vez de Chilwell chegar e limpar o lance. Mais tarde, aos 45, Rúben Dias cruzou rasteiro, a bola atravessou toda a área e chegou até Mahrez, que passou para Foden. Na hora do chute do garoto, foi Christensen quem interveio.

O Chelsea, no outro lado do campo, esteve muito perto de ampliar para 2 a 0 aos 28 minutos do segundo tempo. Em contra-ataque veloz, Havertz conduziu a bola no terço final e passou para Pulisic na hora certa, e o norte-americano bateu na saída do Ederson, mas viu a bola passar rente à trave direita.

Mesmo a entrada de Agüero aos 32 minutos da etapa final, em seu último jogo com a camisa do City, não conseguiu impulsionar os Sky Blues a buscarem o empate. Na melhor oportunidade de empate, aos 51 minutos, Mahrez bateu de fora da área, pegando estranho na bola, e ela passou alguns centímetros acima do travessão.

Firme na defesa, com as linhas bastante compactas seja na transição ofensiva ou na defensiva, determinados sem a bola e incisivos com ela, o Chelsea foi um vencedor justo e, depois da conquista em 2012 contra o Bayern, atualiza a sua sala de troféus com a sua segunda orelhuda.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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