Eurocopa

De Schmeichel a Schmeichel, 20 jogadores dinamarqueses que marcaram seus nomes no Campeonato Inglês

Aproveitamos o Dinamarca x Inglaterra da Eurocopa para falar um pouco mais sobre os destaques dinamarqueses na liga inglesa

O futebol inglês contribuiu para o desenvolvimento do esporte na Dinamarca. A fama dos clubes da Inglaterra, exibidos ao vivo pela televisão no país ainda em épocas incipientes da transmissão internacional, contribuíram para a popularização da modalidade entre os dinamarqueses. Já a partir da profissionalização do futebol na Dinamarca em 1978, as equipes inglesas estariam exatamente entre os principais destinos dos novos talentos que pintavam por lá. Mesmo que a presença de estrangeiros na Football League dos anos 1980 fosse mínima, diversos ídolos escandinavos passaram pela Grã-Bretanha no período.

Aproveitando tais ligações, relembramos 20 jogadores dinamarqueses que tiveram passagens notáveis pelos clubes da primeira divisão inglesa. A lista considera mais a história construída na Inglaterra e a longevidade nos clubes locais do que propriamente o talento do atleta – é por isso que Nicklas Bendtner aparece, mas não Brian Laudrup, que não vingou em seu curto período no Chelsea, ou mesmo Allan Simonsen, que passou brevemente pelo Charlton na segundona. Os destaques vão desde membros da Dinamáquina dos anos 1980 até jovens que ainda constroem suas caminhadas na atual Premier League, mas já brilharam o suficiente para merecer a menção. Confira:

Preben Arentoft

O primeiro dinamarquês a deixar sua marca no futebol inglês foi Preben Arentoft. O meio-campista iniciou sua carreira no Bronshoj Boldklub e se transferiu ao Grenock Morton da Escócia em 1965. Seriam quatro anos no clube, que abriu as portas para que seguisse ao Newcastle em 1969. E o novato seria vitorioso em St. James’ Park. Disputou 50 partidas pelo Campeonato Inglês, chegando a anotar um gol na goleada por 5 a 1 sobre o Manchester United em 1970. Já o ápice aconteceu na Taça das Cidades com Feiras, precursora da Copa da Uefa, que os Magpies conquistaram em 1968/69. O meio-campista seria inclusive autor de um dos gols no segundo jogo da decisão contra o Újpest, com a virada por 3 a 2 na Hungria.

Depois de deixar o Newcastle, Arentoft ainda jogou pelo Blackburn nas divisões de acesso, se aproximando das 100 partidas com os Rovers. Voltaria ao Bronshoj Boldklub em 1974. Apenas pela seleção que o meio-campista não teve vida longa. O auge na Inglaterra o afastou das convocações e ele disputaria apenas nove partidas. Esteve presente especialmente nas Eliminatórias da Euro 1972, para a qual a Dinamarca não se classificou. Sua despedida da equipe nacional aconteceu em 1971.

Jesper Olsen

Jesper Olsen seria um dos destaques da seleção na explosão da Dinamáquina durante os anos 1980. O ponta surgiu no Naestved e transferiu-se ao Ajax em 1981, quando tinha 20 anos. Em Amsterdã, viraria um dos mais empolgantes talentos dos Godenzonen, especialmente por sua habilidade. Foi bicampeão nacional, em tempos nos quais dividia o elenco com outros compatriotas – como Soren Lerby e Jan Molby. Seria ele o responsável pela tabela com Johan Cruyff no famoso pênalti em que a lenda saiu tocando da marca da cal e também destroçaria o Feyenoord numa histórica goleada por 8 a 2. Já pela seleção, despontaria no time que disputou a Euro 1984.

Olsen se transferiu ao Manchester United logo depois da Eurocopa. Virou titular na ponta esquerda com o técnico Ron Atkinson e teria relativo sucesso em suas quatro temporadas em Old Trafford. Conquistou a FA Cup em 1985 e faria boas campanhas no Campeonato Inglês, apesar da falta de títulos. Nesta época, Olsen vestiu a camisa 8 da Dinamarca na Copa de 1986 e seria um dos destaques na competição, com três gols, embora tenha falhado decisivamente na eliminação contra a Espanha. Chegou a ter problemas de relacionamento na volta ao United, mas ganhou um voto de confiança de Sir Alex Ferguson quando o escocês assumiu o comando.

Entretanto, Olsen perdeu seu espaço gradativamente no Manchester United e deixaria a Inglaterra em 1988, após figurar em mais uma Eurocopa. O atacante encerraria sua carreira na França, onde defendeu Bordeaux e Caen. Pendurou as chuteiras em 1992, com apenas 31 anos. O ponta acumulou 43 partidas pela seleção dinamarquesa e anotou cinco gols, presente em três competições internacionais sob as ordens do técnico Sepp Piontek.

Jan Molby

Jan Molby seria mais um jogador da Dinamarca a brilhar no Ajax do início da década de 1980. O volante começou no Kolding e permaneceu por duas temporadas em Amsterdã, faturando o título da Eredivisie. Em 1984, aos 21 anos, seria levado por Joe Fagan ao Liverpool. Ingressava numa forte equipe, que acabara de conquistar a Copa dos Campeões, e não demorou a ganhar espaço nos Reds. Seu melhor momento ocorreria logo depois, com a efetivação de Kenny Dalglish como novo treinador. O ídolo fixou Molby como defensor e o dinamarquês seria uma dinâmica peça no título do Campeonato Inglês em 1985/86, anotando 14 gols na campanha. Para completar o ano excepcional, ainda se destacaria na conquista da FA Cup sobre o Everton, criando os lances dos três gols na virada dos Reds.

Molby tinha sido reserva na Euro 1984 e ganhou espaço na Copa de 1986, embora muitas vezes tenha saído do banco na marcante campanha da Dinamarca. Apesar do período vitorioso do Liverpool no fim dos anos 1980, porém, Molby passou a sofrer com as frequentes lesões e perdeu espaço na equipe. O dinamarquês recuperaria sua forma a partir de 1990/91, após uma frustrada negociação para se transferir ao Barcelona. Retomou o posto de titular e faria duas boas temporadas. Todavia, os problemas físicos voltaram a atormentá-lo e sua carreira entraria em declínio no início da era Premier League.

Molby totalizou 11 temporadas com os Reds entre 1984 e 1995, com 281 partidas e 58 gols – boa parte deles cobrando pênalti, sua especialidade. No fim da carreira, ainda teria passagens por Barnsley, Norwich e Swansea – conciliando o trabalho de técnico nos galeses. Já pela seleção, disputou 33 partidas e anotou três gols. Ausente da Euro 1988 por causa das contusões, receberia sua última convocação ainda em 1990.

Kent Nielsen

Kent Nielsen nasceu em uma família de jogadores, filho de Erik Nielsen, antigo jogador da seleção. O zagueiro começou sua carreira no Bronshoj e despontaria como um nome importante na liga nacional. Nesta época, ganhou suas primeiras convocações à seleção principal e disputou a Copa de 1986. Seria reserva no Mundial, pouco antes de se transferir ao Brondby. Com os auriazuis, conquistou duas vezes o Campeonato Dinamarquês e chamou a atenção do Aston Villa, que o contratou em 1989.

No Villa Park, Nielsen disputou duas temporadas como titular e seria um central sob as ordens de Graham Taylor. O defensor participou da boa campanha dos Villans no Campeonato Inglês de 1989/90, quando a equipe estrelada por David Platt terminou com a segunda colocação. Entretanto, com a saída de Taylor para a seleção, o dinamarquês acabou escanteado por Ron Atkinson e voltou ao seu país no início de 1992. Seriam 79 aparições pelo Campeonato Inglês no total. O veterano encerrou a carreira no AGF Aarhus, atuando por lá de 1992 a 1994. E deu tempo de um último grande feito pela seleção, titular na conquista da Euro 1992. A última das 57 partidas do zagueiro pela equipe nacional ocorreu exatamente na decisão contra a Alemanha. Chegou a salvar uma bola em cima da linha dando uma bicicleta, em lance decisivo ao triunfo.

Lars Elstrup

Lars Elstrup teria uma carreira mais contida que outros compatriotas na Inglaterra, mas recebeu a idolatria no Luton Town. O atacante iniciou sua trajetória no Randers e passou brevemente pelo Brondby, antes de se transferir ao Feyenoord. Sem causar muito impacto em Roterdã, voltaria para o futebol dinamarquês através do Odense. Porém, com o sucesso no novo time, surgiu uma oportunidade de jogar no Campeonato Inglês e o centroavante abraçou. Vestiria a camisa do Luton Town, em sua sequência de participações na elite.

Mesmo num ambiente modesto, Elstrup se deu bem em Kenilworth Road. O atacante seria o artilheiro do time na temporada 1990/91, com 18 gols, que ajudaram o Luton a escapar do rebaixamento. Porém, ao final daquele ano ele deixou os Hatters e retornou ao Odense. De longe, viu o rebaixamento de sua antiga equipe. Ainda assim, acumularia seus gols no Campeonato Dinamarquês e viveria seu ápice na seleção, presente na conquista da Euro 1992. O atacante permaneceu a maior parte do tempo no banco, mas anotou o gol decisivo na vitória por 2 a 1 sobre a França, que classificou o time às semifinais, e converteu um dos pênaltis contra a Holanda. Seriam 26 partidas pela Dinamarca de 1988 a 1993. Aposentaria-se naquele momento, por problemas físicos, aos 30 anos.

Peter Schmeichel

O maior dinamarquês da história do Campeonato Inglês começou no Gladsaxe-Hero, um pequeno clube da região onde nasceu. Schmeichel logo viraria herói da equipe e se transferiria ao Hvidovre, outro time de pouca projeção. Nesta época, ainda precisava conciliar a carreira semiprofissional com trabalhos comuns – rodaria por empregos na WWF, numa fábrica de tecidos e numa casa de repouso. Entretanto, logo o talento do goleiro falou mais alto e ele ganhou um contrato permanente com o Brondby em 1987. Lideraria a defesa da equipe quatro vezes campeã nacional e que também alcançaria as semifinais da Copa da Uefa em 1990/91, sob as ordens de Morten Olsen. Sua estreia pela seleção principal também ocorreu em 1987, já virando titular na Euro 1988.

O excelente desempenho no Brondby levou o Manchester United a contratar Schmeichel em agosto de 1991. Sir Alex Ferguson classificaria aquele negócio como a “barganha do século”, pelo impacto que o goleiro teria em Old Trafford ao longo da década. O dinamarquês viraria titular em sua primeira temporada e conquistaria a Copa da Liga. A prova definitiva da grandeza do negócio dos Red Devils, de qualquer maneira, ocorreu na Euro 1992. Schmeichel foi o grande responsável pelo título da Dinamarca. Seria brilhante na classificação diante da França no fechamento da fase de grupos, pegou um pênalti de Marco van Basten na semifinal contra a Holanda e colecionou milagres na decisão contra a Alemanha. Naquela época, aos 28 anos, passou a ser considerado o melhor do mundo na sua posição.

O Manchester United, por fim, corroborou que aquela conquista não foi um sonho de verão para Schmeichel. O goleiro se tornou uma verdadeira lenda em Old Trafford e, não à toa, é considerado por muitos como o maior arqueiro da era Premier League. Foram oito temporadas consecutivas de Schmeichel como titular dos Red Devils, com cinco títulos da liga e outros quatro nas copas nacionais. O ápice ocorreu em 1998/99, seu último ano no clube, quando seria essencial na conquista da Tríplice Coroa e se eternizaria como um dos protagonistas na final da Champions League diante do Bayern de Munique. Das 366 partidas disputadas pelo United, não sofreu gols em 164. Foi vazado 303 vezes e até conseguiu balançar as redes uma vez, em jogo pela Copa da Uefa. Já os milagres são incontáveis. Seu status como lenda do clube é inquestionável.

Como jogador do Manchester United, Schmeichel ainda disputou a Euro 1996 e a Copa de 1998 pela seleção da Dinamarca. Também jogaria a Euro 2000, num momento em que havia se transferido ao Sporting. Sua aposentadoria da equipe nacional aconteceu em 2001, totalizando 129 aparições. É o recordista do país em partidas. Depois de ser campeão também em Portugal, voltaria à Inglaterra para passagens breves por Aston Villa e Manchester City. A torcida do United ficaria na bronca pelo fim de carreira com a camisa celeste, mas dava para relevar, diante da contribuição incomparável que o camisa 1 deixou em seus anos na meta de Old Trafford.

John Jensen

Outro símbolo da Euro 1992 que passou pela Inglaterra foi o meio-campista John Jensen. “Faxe”, como era apelidado em referência à cerveja homônima, despontou no Brondby e chegou a compartilhar o elenco com Schmeichel. Destaque no título dinamarquês de 1987 e presente na Euro 1988, passou duas temporadas no Hamburgo, antes de voltar aos auriazuis em 1990. O volante brilharia na campanha até a semifinal da Copa da Uefa e permaneceu como uma das referências do clube. Já em 1992, chegou como um dos principais nomes da seleção na Eurocopa. Disputou as cinco partidas como titular e seria um dos heróis do título, inclusive anotando um golaço para abrir o placar na final contra a Alemanha.

O sucesso com a seleção levou Faxe a assinar com o Arsenal logo em seguida, contratado por George Graham para a temporada 1992/93. O meio-campista passou quatro temporadas no clube e acumulou 98 partidas pela Premier League. Seus melhores momentos, ainda assim, aconteceram nas copas. Jensen participou dos títulos da Copa da Liga e da FA Cup em 1992/93, enquanto faturou a Recopa Europeia em 1993/94. Manteve-se como titular absoluto durante toda a campanha continental, embora tenha se ausentado justamente na final. Sua despedida de Highbury aconteceu em 1996. Ficou no time apesar da controversa saída de George Graham, que havia recebido uma comissão para contratar o volante e acabou demitido em meio ao escândalo.

Jensen defendeu a seleção da Dinamarca até 1995, com 52 partidas. Assim, não disputou novas competições internacionais depois da Euro. Voltou para o Brondby no fim da carreira e acumulou sete títulos do Campeonato Dinamarquês em suas três passagens pelo clube. Aposentou-se no Herfolge, no qual virou jogador-treinador e faturou ainda seu oitavo título nacional em 1999/00. Como técnico, teria uma breve passagem pela Inglaterra, atuando como assistente no Blackburn.

Allan Nielsen

Mais um dinamarquês que marcou seu nome no norte de Londres foi Allan Nielsen. O meio-campista começou na base do Bayern, mas disputou apenas um jogo da Bundesliga pelo clube. Sua carreira só se desenvolveu quando voltou à Dinamarca e defendeu o Odense, passando depois por Copenhague e pelo rival Brondby. Neste momento, ele acumulou títulos no futebol local e passou a ser convocado à seleção. Disputou a Euro 1996 e inclusive marcou um gol na vitória sobre a Turquia. Depois do torneio, se transferiu ao Tottenham.

Nielsen jogou pelo Tottenham por quatro temporadas. Disputou 84 jogos pela Premier League e se manteve como titular nos dois primeiros anos, importante também na Copa de 1998 com a Dinamarca. O seu grande momento na Inglaterra, ainda assim, aconteceu quando já frequentava mais o banco. Em 1999, conquistou a Copa da Liga anotando o gol do título contra o Leicester e sendo eleito o melhor em campo na final. Sua saída aconteceu apenas em 2000, quando entrou em conflito com o técnico George Graham e foi emprestado ao Wolverhampton. Depois disso, acabaria vendido ao Watford e jogou três temporadas na segundona, antes de voltar à Dinamarca em 2003 e se aposentar pelo Herfolge. Jogou 44 partidas pela seleção de 1995 a 2002, presente ainda na Euro 2000.

Marc Rieper

Marc Rieper despontou no AGF Aarhus e passou duas temporadas no Brondby, onde se transformou em um dos melhores zagueiros do futebol dinamarquês. O defensor começou a acumular convocações à seleção e descolou um empréstimo ao West Ham em janeiro de 1995. Foi tão bem que os Hammers o contratariam em definitivo depois disso. Em Upton Park, o beque participou de campanhas medianas na Premier League, mas manteve a titularidade e disputou 90 partidas pelo campeonato. Além disso, deixou sua marca com cinco gols anotados no período.

Rieper deixaria o West Ham em 1997, para defender o Celtic. Foram três temporadas na Escócia, até se aposentar. Já pela seleção, o zagueiro seria um nome constante a partir de 1993. Como jogador dos Hammers, conquistou a Copa Rei Fahd (a precursora da Copa das Confederações) como titular e jogaria também a Euro 1996. Estaria ainda na Copa de 1998, disputando todos os minutos da campanha e garantindo a vitória sobre a Arábia Saudita na estreia. Foram 61 aparições pela equipe nacional.

Claus Jensen

Claus Jensen é daqueles heróis de clubes pequenos da Inglaterra. O meio-campista começou sua carreira com o Naestved e depois defendeu o Lyngby, onde se destacou a ponto de chamar atenção do Bolton. Aos 21 anos, se mudou para a segunda divisão do Campeonato Inglês e seria uma figura importante nos Wanderers, a ponto de ganhar sua primeira convocação nesta época. Em 2000, assinou contrato com o Charlton e passaria a atuar na Premier League. Foram quatro temporadas na equipe, se tornando um dos jogadores mais populares em The Valley no período.

Jensen tinha qualidade na chegada ao ataque e anotou 16 gols em suas quatro campanhas na Premier League. Totalizou 130 partidas com o Charlton e sua idolatria ainda abriu caminho na seleção. O meio-campista estaria presente na Copa do Mundo de 2002 e na Euro 2004, embora geralmente fosse usado a partir do segundo tempo das partidas. Depois da competição continental, Jensen se transferiu ao Fulham, mas não se encaixou no time e sofreria com as lesões. Aposentou-se em 2007, com apenas 30 anos. Pela seleção, o meia somou 43 partidas e anotou oito gols.

Jesper Gronkjäer

Gronkjäer é um raríssimo futebolista profissional que nasceu na Groenlândia. Porém, foi criado na Dinamarca continental e pintou primeiro no Aalborg, ganhando destaque no time. O atacante faria a ponte aérea com o Ajax e defendeu os Godenzonen por duas temporadas, sendo eleito o melhor jogador do clube em 1999/00. Com isso, não apenas garantiu seu lugar na Euro 2000, como também se transferiu ao Chelsea e se tornou o jogador dinamarquês mais caro da história até então. Em tempos anteriores a Roman Abramovich, o ponta teria a sua valia.

Gronkjäer demorou para se adaptar em suas duas primeiras temporadas, mas deslanchou com Claudio Ranieri em 2002/03 e anotou o gol que garantiu a classificação à Champions League, culminando também na chegada de Abramovich. Seguiria no time também em 2003/04, quando anotou um dos gols diante do Monaco na semifinal continental. Porém, diante do período endinheirado em Stamford Bridge, perdeu espaço e acabou vendido ao Birmingham City em 2004/05. Como jogador dos Blues, o ponta esquerda disputou a Copa de 2002 e a Euro 2004.

Gronkjäer não emplacou no Birmingham. Também não teria sucesso em suas estadias no Atlético de Madrid e no Stuttgart. O atacante voltou para o Copenhague em 2006 e virou uma lenda por lá. Conquistou quatro títulos do Campeonato Dinamarquês em seis temporadas e liderou o time às oitavas de final da Champions, antes de se aposentar com 33 anos. Pela seleção, ainda estaria presente na Copa de 2010, sua última competição internacional. O ponta somou 80 partidas com a camisa alvirrubra e anotou cinco gols.

Per Frandsen

O Bolton montou uma pequena colônia dinamarquesa e Per Frandsen foi um dos mais importantes nomes do clube. O meio-campista começou no B1903 e se transferiu ao Lille em 1990, disputando os Jogos Olímpicos de 1992 pela Dinamarca. Jogaria nos Dogues até 1994, quando passou pelo Copenhague e ficou dois anos até a mudança rumo ao Bolton. Auxiliou na conquista do acesso à Premier League em 1996/97, foi titular absoluto na primeira divisão e não deixou a equipe mesmo com o rebaixamento imediato em 1997/98. Neste intervalo, seria reserva da seleção na Copa de 1998.

Frandsen era considerado um dos melhores jogadores da segundona inglesa e sairia do Bolton apenas por um breve período em 1999/00, quando defendeu o Blackburn. Porém, sem dar certo nos Rovers, voltou aos Wanderers em 2000/01. Liderou o Bolton na conquista de mais um acesso e ajudou o time a se estabelecer na primeira divisão. Inclusive, disputou a final da Copa da Liga em 2004, quando os Whites perderam a decisão diante do Middlesbrough. O meio-campista se despediu do clube logo depois, ao ser vendido para o Wigan, mas pouco jogaria por conta de uma lesão ligamentar que abreviou sua carreira. Frandsen acumulou 304 partidas pelo Bolton e anotou 38 gols. Na época, foi companheiro de Henrik Pedersen, atacante dinamarquês também vital aos sucessos do clube e que acumulou seis temporadas por lá. Já pela seleção, se Pedersen disputou somente três jogos, Frandsen acumulou 20 partidas e teria a Copa de 1998 no currículo.

Thomas Gravesen

Mesmo lembrado como um jogador bruto por sua passagem pelo Real Madrid, Gravesen foi capaz de conquistar a idolatria na Premier League. O volante surgiu no Vejle e se transferiu ao Hamburgo em 1997, passando três temporadas na Bundesliga. Presente na seleção da Dinamarca na Euro 2000, se transferiu para o Everton depois do torneio, aos 24 anos. E seria um jogador bastante querido no Goodison Park, por sua pegada no meio-campo, em tempos nos quais dividia a cabeça de área com Lee Carsley. Os dois volantes calvos e parrudos formariam uma dupla marcante nos Toffees.

Gravesen jogou no Everton por quatro temporadas e meia, tornando-se uma peça central na equipe de David Moyes. Dava sustentação ao time que viu Wayne Rooney despontar e fazia sucesso especialmente em 2004/05, quando os Toffees se classificaram à Champions. Porém, o volante saiu bem no meio da campanha, contratado pelo Real Madrid. Gravesen era um corpo estranho nos Galácticos e ficaria mais marcado pelo entrevero com Robinho. Passaria também pelo Celtic, antes de se aposentar num breve empréstimo ao Everton em 2007/08. O meio-campista defendeu o clube em 167 partidas. Já pela seleção, foi titular absoluto na Copa de 2002 e na Euro 2004, quando desfrutava o ápice na Inglaterra. Acumulou 59 aparições com os escandinavos.

Daniel Agger

Daniel Agger não foi o zagueiro mais estável do Liverpool, mas teria uma longa e marcante estadia em Anfield. O defensor surgiu com a camisa do Brondby e foi contratado pelos Reds em janeiro de 2006, aos 21 anos. Nesta época, já defendia a seleção principal da Dinamarca. A promessa levaria um tempo para se adaptar e apenas em sua segunda temporada se tornou um nome frequente entre os titulares. Seria vice-campeão da Champions em 2006/07 e vinha em alta até que as lesões atrapalhassem sua progressão. Os problemas de contusão, inclusive, levaram que suas aparições no time se tornassem intermitentes durante diferentes períodos.

Agger defendeu o Liverpool por nove temporadas, mas em apenas três conseguiu ser titular absoluto. Sua melhor sequência aconteceu entre 2011 e 2013, quando se estabeleceu como uma referência na zaga e conquistou a Copa da Liga. Entretanto, mesmo nomeado vice-capitão, perdeu espaço em 2013/14 e deixou Anfield para voltar ao Brondby. Foram 232 partidas pelos Reds neste intervalo. Pela seleção, Agger disputou a Copa de 2010 e foi o capitão na Euro 2012, quando recebeu o prêmio de melhor jogador dinamarquês no ano. Seguiria usando a braçadeira até sua despedida em 2016, quando também se aposentou do esporte aos 31 anos, por conta dos problemas físicos. Disputou 76 partidas com a equipe nacional.

Thomas Sörensen

Thomas Sorensen pode não ter sido tão bom quanto os Schmeichel, mas permanece gravado na história como o jogador dinamarquês que mais vezes atuou na Premier League, com 362 partidas. O goleiro surgiu com grande destaque em seu país, defendendo Vejle e Svendborg, até que o Sunderland o contratasse em 1998. O jovem de 22 anos tinha sido recomendado pelo próprio Peter Schmeichel e justificou a aposta, conquistando o acesso à Premier League logo na primeira temporada. Permaneceu 29 partidas sem sofrer gols naquela caminhada dos Black Cats.

Sorensen continuou como dono da meta do Sunderland por quatro temporadas seguidas e viveria alguns momentos marcantes, em especial ao pegar um pênalti de Alan Shearer num clássico contra o Newcastle. Importante às boas campanhas do time neste retorno à elite, sua lesão em 2002/03 seria custosa, sem que o arqueiro pudesse evitar o rebaixamento. Apesar disso, o camisa 1 permaneceria na Premier League e assinaria com o Aston Villa. Neste intervalo, disputou a Eurocopa em 2000 e assumiu a meta da Dinamarca a partir da Copa de 2002, virando o herdeiro de Schmeichel.

No Aston Villa, Sorensen pôde elevar suas ambições e também assumiu a posição logo de cara. Era titular absoluto e contribuiu com a sexta colocação na Premier League em sua primeira temporada. O dinamarquês permaneceu na meta dos Villans até 2007/08, quando se lesionou na pré-temporada e perdeu o lugar para Scott Carson. Com isso, se transferiu ao Stoke City em 2008/09. Ainda seria o nome principal na meta dos Potters por dois anos, quando passou a frequentar o banco. Mesmo assim, ficaria no Estádio Britannia até 2014/15 como reserva, auxiliando novatos como Asmir Begovic e Jack Butland. Seu adeus aconteceu apenas em 2015, com duas temporadas pelo Melbourne City antes de se aposentar. Pela seleção, Sorensen jogou até 2011 e totalizou 101 aparições, disputando também a Euro 2004 e a Copa de 2010 como titular.

Nicklas Bendtner

Bendtner tinha mais marra do que bola, sem cumprir todas as expectativas ao redor de seu futebol nos tempos de Arsenal. Mesmo assim, foi um dos principais jogadores de seu país enquanto permaneceu na Inglaterra. O atacante foi levado pelos Gunners ainda na base e estreou pela equipe principal em 2005, antes de passar um período emprestado pelo Birmingham. O jovem virou uma das opções principais no Estádio Emirates a partir de 2007/08. Nunca se estabeleceu como titular absoluto, mas marcava seus gols em tempos de seca dos londrinos. Os casos de indisciplina e a falta de comprometimento, entretanto, eclipsavam as mostras de talento.

Bendtner teve sua melhor temporada em 2008/09, quando anotou nove gols na Premier League. Também estrelaria uma classificação diante do Porto na Champions 2009/10, com três gols. Ficou uma temporada emprestado ao Sunderland em 2011/12, onde foi bem e até descolou um empréstimo à Juventus. Não correspondeu e logo sua passagem pelo Arsenal se encerraria. Jogou ainda por Wolfsburg, Nottingham Forest, Rosenborg e Copenhague, com direito a um bom momento pelo clube norueguês, até a aposentadoria ser confirmada em 2021. Na Premier League, disputou 136 jogos e fez 36 gols. Já pela seleção, foram 30 gols em 81 partidas, titular na Copa de 2010 e na Euro 2012. Defendeu o país até 2018.

Eriksen, do Tottenham

Christian Eriksen

Exceção feita aos goleiros, Eriksen é muito provavelmente o jogador dinamarquês mais talentoso que passou pela Premier League. E o meia daria razão à idolatria nos tempos de Tottenham. O camisa 10 chamava atenção desde as categorias de base, a ponto de ser cortejado por outros clubes da Europa. Assinou com o Ajax ainda na adolescência e por lá se estabeleceu como um dos melhores jogadores da Dinamarca logo cedo. Tinha 18 anos quando ganhou suas primeiras chances no time principal e já foi levado à Copa do Mundo por Morten Olsen. Acabaria usado no segundo tempo de dois jogos, mas ficava claro como um talento muito especial surgia. Já a ascensão no Ajax aconteceu a partir de 2010/11. Virou protagonista dos Godenzonen e liderou o clube a três títulos consecutivos na Eredivisie. Os gols e as assistências vinham aos montes, com o novato arrebatando prêmios de revelação e mesmo de jogador do ano. Como titular da seleção, jogou a Euro 2012.

A mudança de Eriksen para a Premier League aconteceu em 2013/14, virando a principal aposta do Tottenham num mercado de transferências abastado. Tornou-se o maestro que os Spurs precisavam, com diversos momentos de brilhantismo e mais prêmios individuais. Ainda que a primeira temporada de Eriksen tenha sido atrapalhada pelas lesões, ele já seria um dos melhores da equipe. Seguiria com enorme influência nas boas campanhas dos londrinos, em especial na Premier League 2015/16. Seria eleito o jogador do ano dos Spurs em 2016/17 e entraria para a seleção do campeonato em 2017/18, quando registrou 10 gols e 11 assistências na liga.

Foi este também o auge do camisa 10 pela seleção. Após as ausências na Copa de 2014 e na Euro 2016, Eriksen carregou a Dinamarca nas Eliminatórias para o Mundial da Rússia. Anotou 11 gols na campanha, três deles na repescagem contra a Irlanda, e ainda deu quatro assistências. Faria uma boa Copa, apesar do pênalti perdido na eliminação contra a Croácia. Já em 2018/19, o meia voltaria a gastar a bola pelo Tottenham na caminhada até a decisão da Champions. O único período mais em baixa aconteceu em 2019/20, quando a vontade de sair pesava e ele assinou com a Internazionale em janeiro. O tão perseguido título nas grandes ligas aconteceu na última temporada, se reerguendo para impulsionar os nerazzurri na sua arrancada pelo Scudetto.

Eriksen possui números incríveis na Premier League, com 51 gols e 67 assistências em 226 partidas. Pelo Tottenham em todas as competições, foram 69 gols e 90 assistências em 305 aparições. Aos 29 anos, já tinha 109 jogos e 36 tentos pela seleção dinamarquesa. Era sério candidato a arrebatar os recordes nas duas estatísticas, até a pausa abrupta em sua carreira nesta Euro 2020. O mais importante, de qualquer forma, é saber que o camisa 10 segue saudável enquanto ainda avalia se poderá dar sequência à sua carreira.

Kasper Schmeichel

Kasper Schmeichel nasceu em Copenhague, mas passou a infância inteira na Inglaterra. Por lá, o garoto aprendeu desde cedo a conviver num ambiente ultracompetitivo como o Manchester United e teve o melhor professor de todos em seu pai, Peter Schmeichel. Após um período em Portugal, onde começou a jogar na base local, o adolescente iniciaria sua trajetória no Manchester City enquanto seu pai se aposentava. E sua história inteira se desenvolveria no Campeonato Inglês.

Schmeichel ainda demorou a ganhar suas primeiras chances no City. Passou emprestado por Darlington, Bury e Falkirk, até fazer suas primeiras aparições na Premier League 2007/08. Chegou a pegar um pênalti de Robin van Persie contra o Arsenal e manteve sua meta zerada num clássico contra o United, mas terminaria a temporada outra vez emprestado, defendendo Cardiff City e Coventry City. Sem ser aproveitado pelos Citizens, arrumou as malas e foi jogar a quarta divisão pelo Notts County, onde se reencontraria com Sven-Göran Eriksson, responsável por sua transferência. Acabaria eleito o melhor goleiro da League Two, enquanto liderou o acesso e o título dos Magpies. Sem que o clube pudesse bancar seu salário, aceitaria uma oferta do Leeds.

Em Elland Road, Schmeichel teve um início inspirado e acumularia grandes atuações. Entretanto, o Leeds precisava de dinheiro e resolveu vendê-lo ao Leicester depois de um ano, em 2011/12. A partir de então, nasceria uma lenda no Estádio King Power. O dinamarquês se reencontrou mais uma vez com Eriksson no início do projeto e se tornou responsável pelos consistentes desempenhos na Championship. Seria brilhante na campanha do acesso em 2013/14 e assim permaneceria na Premier League. Retornando de lesão, Schmeichel salvou o time do rebaixamento em 2014/15 e depois abrilhantaria a campanha do título com Claudio Ranieri em 2015/16. Mesmo cotado por outros clubes, seguiu nas Raposas e protagonizou os melhores momentos do time desde então – em especial, a caminhada até as quartas de final da Champions 2016/17 e a conquista da FA Cup em 2020/21. São 426 jogos pelo clube, 247 deles pela Premier League.

Pela seleção da Dinamarca, Schmeichel recebeu sua primeira convocação em 2012, já no Leicester. Seria reserva na Eurocopa. Ainda ficaria no banco de Stephan Andersen por um tempo, até ganhar a posição a partir de 2014. Foi importante na classificação para a Copa de 2018 e sairia do Mundial como um dos melhores de sua posição, com grandes atuações ao longo da campanha. Segue enorme na Euro 2020. Disputou 70 jogos pela equipe nacional até o momento, com 34 partidas sem sofrer gols e 54 tentos tomados.

Christensen, do Chelsea (Foto: Getty Images)

Andreas Christensen

Andreas Christensen era mais um jogador jovem que dava pinta de não ser aproveitado pelo Chelsea, mas escreve outra história. O zagueiro despontou no Brondby, filho de um ex-goleiro do clube, e foi levado para a base do Chelsea em 2012. Mesmo estreando meses depois, ainda amargaria um longo tempo no time reserva até ser emprestado pelo Borussia Mönchengladbach em 2015/16. Foram duas boas temporadas na Bundesliga, que o botaram como titular dos Blues em 2017/18. Seja por problemas físicos ou por opção dos treinadores, nem sempre foi absoluto. Ainda assim, deu conta do recado em vários momentos.

A temporada atual é aquela que realmente estabelece Christensen na história do futebol inglês. O zagueiro faria boas partidas na conquista da Champions, em especial nos mata-matas. Quando precisou substituir Thiago Silva na final, terminou como um dos melhores em campo. E a Euro 2020 corresponde a esse bom momento do zagueiro. Titular já na Copa de 2018, o beque aparece entre os destaques de sua posição no torneio continental. Convocado desde 2015, quando tinha 19 anos e virou aposta de Morten Olsen antes de despontar no Gladbach, Christensen disputou 46 jogos pela seleção.

Höjbjerg é apresentado no Tottenham (Divulgação)

Pierre-Emile Hojbjerg

Outro que ainda constrói seu nome na Premier League, mas tem bola para figurar nesta lista, é Hojbjerg. O meio-campista defendeu Copenhague e Brondby na base, sendo apontado como um dos principais talentos do país. Foi assim que chegou ao Bayern de Munique e se juntou inicialmente ao segundo quadro, mas com raras chances para pintar na equipe principal. Rodaria emprestado por Augsburg e Schalke 04 sem muito alarde, até ser vendido para o Southampton em 2016. Foi então que o jogador de 21 anos realmente pôde apresentar seu melhor.

Hojbjerg não demorou a tomar conta da meia-cancha dos Saints e seria uma das chaves para o bom desempenho do time na Premier League. Chegaria a disputar a final da Copa da Liga e até mesmo a receber a braçadeira de capitão. Só perdeu um pouco de seu moral quando anunciou o desejo de sair. Em 2020, assinou com o Tottenham. E mesmo que a temporada dos Spurs tenha sido morna, o meio-campista foi um dos melhores do time. Seria o atleta mais usado na Premier League 2020/21 e terminaria em alta antes de chegar na Euro 2020. Cortado da Copa de 2018, esta é sua primeira competição internacional com a seleção.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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