Copa do Mundo

Grupo A da Copa do Mundo: O que você precisa saber sobre México, África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia?

Sediando o torneio, mexicanos lideram grupo extremamente aberto com seleções que têm questões a responder

Faltam poucos dias para o início da Copa do Mundo. No dia 11 de junho, às 16h (horário de Brasília), México e África do Sul entram em campo para reeditar a primeira partida do Mundial de 2010, no país africano, e também dar abertura ao novo modelo do torneio com 48 seleções no lendário Estádio Azteca. Coreia do Sul e Tchéquia completam o grupo.

Os donos da casa encabeçam um grupo bastante aberto, com seleções de diversas virtudes e formações, fazendo com que os jogos possam ser alguns dos mais interessantes da primeira fase do Mundial.

Conheça mais sobre as seleções que formam o Grupo A da Copa do Mundo de 2026.

MÉXICO

  • Técnico: Javier Aguirre
  • Capitão: Edson Álvarez
  • Como se classificou: País-sede
  • Participações em Copa: 18
  • Melhor participação: 1970 e 1986 (quartas de final em ambas)
  • Desempenho na última participação: Fase de grupos (2022)

O que você precisa saber sobre o México

O México chega à Copa do Mundo vivendo um cenário diferente das últimas edições. Como um dos países-sede, a seleção evitou o desgaste das Eliminatórias, mas perdeu a sequência de jogos competitivos que normalmente ajuda a consolidar ideias e formar casca.

Javier Aguirre, experiente em torneios curtos, assumiu justamente com a missão de transformar amistosos e compromissos regionais em ambientes de pressão real. Existe um sentimento claro de responsabilidade: jogar um Mundial em casa aumenta a expectativa da torcida e obriga a equipe a apresentar algo mais consistente do que nas campanhas recentes.

Dentro de campo, Aguirre montou um México menos preocupado em encantar e mais focado em competir. A equipe trabalha com intensidade alta, tenta pressionar sem a bola e acelera as transições sempre que recupera a posse. 

O treinador entende que, em Copa do Mundo, organização e capacidade de adaptação costumam pesar mais do que futebol vistoso. Por isso, o time alterna momentos de marcação agressiva com ataques rápidos pelos lados, explorando principalmente a velocidade de Alexis Vega e Roberto Alvarado.

O esquema tático base é o 4-3-3, que pode se transformar em um 4-2-3-1 ou até mesmo um 4-4-2, dependendo do adversário em questão.

O que esperar do México

A condição de país-sede naturalmente coloca o México sob enorme expectativa para a Copa do Mundo. Cabeça de chave do Grupo A, a seleção terá um caminho inicial considerado acessível diante de África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia, o que abre margem até para avançar na liderança da chave. O ambiente em casa e o apoio da torcida podem impulsionar um time competitivo e organizado, especialmente pela intensidade que Javier Aguirre tenta implementar.

Ainda assim, o elenco apresenta limitações técnicas e pouca profundidade em comparação com seleções de elite, algo que tende a pesar nos mata-matas. A sensação é de que o México tem condições reais de chegar à fase de 16 avos e, quem sabe, sonhar com as oitavas. Ir além disso, hoje, parece algo distante.

Escalação provável do México (4-3-3): Raúl Rangel; Israel Reyes, Johan Vásquez, César Montes e Jesús Gallardo; Edson Álvarez (Erik Lira), Álvaro Fidalgo e Gilberto Mora; Roberto Alvarado, Alexis Vega e Raúl Jiménez.

Destaque

Raúl Jiménez em ação pelo México (Foto: IMAGO / Straffon Images)
Raúl Jiménez em ação pelo México (Foto: IMAGO / Straffon Images)

Mesmo aos 34 anos, Raúl Jiménez continua sendo o principal nome da seleção mexicana. O atacante do Fulham está há uma década no futebol europeu e carrega a experiência de quem disputou grandes ligas e viveu diferentes momentos da carreira desde que deixou o América-MEX, em 2014. Hoje, além dos gols, é a principal referência técnica e emocional do time de Javier Aguirre.

A trajetória recente de Jiménez também ajuda a explicar o peso que ele tem dentro do elenco. Depois da grave fratura no crânio sofrida em 2020 e de problemas físicos em sequência antes da Copa do Mundo de 2022, muita gente duvidou que ele conseguiria voltar ao alto nível. Ele voltou. Talvez sem o mesmo auge físico de anos atrás, mas ainda importante pela inteligência para jogar de costas, participar das construções ofensivas e decidir partidas em momentos de pressão.

Fique de olho

Érik Lira talvez não esteja entre os nomes mais populares da seleção mexicana, mas virou peça importante no time de Javier Aguirre. É o jogador que dá equilíbrio ao meio-campo: ajuda na saída de bola, protege a defesa e faz o trabalho mais tático da equipe. Sem chamar muita atenção, ganhou espaço justamente pela regularidade e pela disciplina dentro de campo.

Aguirre gosta desse perfil mais competitivo e confiável, e Lira parece entender bem o papel que ocupa no elenco. Depois dos amistosos contra Portugal e Bélgica, ele reforçou o discurso de confiança do grupo e deixou claro que está disposto a fazer o que o treinador precisar: “Levantei a mão para que Javier saiba que sou mais um soldado pronto para a guerra”.

Não é um jogador de muitos holofotes, mas pode acabar sendo um dos mais importantes para o funcionamento do México na Copa.

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ÁFRICA DO SUL

  • Técnico: Hugo Broos
  • Capitão: Ronwen Williams
  • Como se classificou: Líder do Grupo C das Eliminatórias Africanas
  • Participações em Copa: 4
  • Melhor participação: Fase de grupos (4 vezes)
  • Desempenho na última participação: Fase de grupos (2010)

O que você precisa saber sobre a África do Sul

A África do Sul não teve vida fácil nas Eliminatórias Africanas para o Mundial. Em um grupo que também contava com a Nigéria, os Bafana Bafana chegaram a perder para Ruanda e uma vitória contra o Lesoto foi transformada em derrota pela escalação de um jogador irregular. O retorno à Copa após 16 anos só foi assegurado na última rodada, com vitória convincente sobre Ruanda, por 3 a 0.

Os sul-africanos chegam ao torneio sob o comando do belga Hugo Broos. O técnico, que comanda a equipe desde 2021, normalmente alinha sua equipe em um 4-2-3-1, usando a base do Mamelodi Sundowns, equipe local de mais sucesso nos últimos anos. Cinco jogadores dos “Brasileiros” devem ser titulares, incluindo o goleiro e capitão Ronwen Williams.

A equipe tenta construir com a bola no pé, assim como os Sundowns, com Teboho Mokoena e Themba Zwane sendo importantes no processo. Mas também existe a opção de apostar na velocidade em transição, principalmente de seu trio de frente – os pontas Oswin Appollis e Relebohile Mofokoeng e o atacante Lyle Foster.

O que esperar da África do Sul

Em um grupo bastante equilibrado, o técnico Hugo Broos prefere adotar um discurso de aprendizado e competitividade diante do desafio.

– Será uma grande experiência para a nossa equipe. Precisamos desse tipo de jogo, contra seleções desse nível. Vamos aprender muito e depois veremos o que acontece. No futebol, tudo é possível. Vamos lutar, como temos feito nos últimos anos – afirmou o treinador.

Escalação provável da África do Sul (4-2-3-1): Ronwen Williams; Khulisu Mudau, Mbekezeli Mbokazi, Ime Okon e Aubrey Modiba; Sphephelo Sithole e Teboho Mokoena; Oswin Appollis, Themba Zwane e Relebohile Mofokoeng; Lyle Foster

Destaque

O cérebro da seleção atende pelo nome de Teboho Mokoena. Aos 29 anos, o jogador do Mamelodi Sundowns é peça-chave no equilíbrio do time, combinando intensidade defensiva, qualidade na construção ofensiva e perigo constante nas bolas paradas.

Mokoena é parte importante de todo o processo da África do Sul (Foto: IMAGO / Visionhaus)
Mokoena é parte importante de todo o processo da África do Sul (Foto: IMAGO / Visionhaus)

Recentemente, Mokoena foi peça-chave no segundo título continental do Mamelodi, marcando o gol do título no empate contra o AS FAR, de Marrocos. 

O único alerta é que todo o sucesso – os Sundowns jogaram o Mundial de Clubes e o meia esteve na Copa Africana de Nações – levou Mokoena a um número elevado de jogos nos últimos 12 meses. 

Fique de olho

Entre os nomes mais talentosos da nova geração sul-africana, Relebohile Mofokeng chega à Copa do Mundo cercado de expectativa. Ídolo dos torcedores do Orlando Pirates, o atacante de 21 anos ainda busca repetir pela seleção o impacto que já tem no clube.

O Mundial pode representar a grande oportunidade para essa afirmação. Hugo Broos já sinalizou que pretende dar mais protagonismo ao jovem durante a competição na América do Norte. Dono de velocidade, criatividade e capacidade de decidir jogos com gols e assistências, Mofokeng reúne características para ser uma das armas ofensivas da África do Sul. Agora, o desafio será transformar o potencial em desempenho no maior palco do futebol.

COREIA DO SUL

Técnico: Hong Myung-bo
Capitão: Son Heung-min
Como se classificou: Líder do Grupo B das Eliminatórias Asiáticas
Participações em Copa: 12
Melhor participação: Quarto lugar (2002)
Desempenho na última participação: Oitavas de final (2022)

O que você precisa saber sobre a Coreia do Sul

Bagunça é uma boa palavra para resumir o ciclo da Coreia do Sul. Jürgen Klinsmann assumiu o comando após o Mundial do Catar, mas foi demitido após um desempenho horrendo na Copa da Ásia de 2023, incluindo vencer apenas um jogo na fase de grupos e perder para a Jordânia na semifinal.

Quem assumiu foi o lendário capitão Hong Myung-bo, que treinou a seleção na Copa de 2014 e vinha de dois títulos da K-League com o Ulsan HD. No entanto, o futebol em campo não melhorou muito. E, para piorar, em uma entrevista ao jornal “A Bola”, o assistente técnico João Aroso afirmou que ele era o responsável pelas táticas, enquanto Hong era “a cara” da comissão técnica para jogadores e público.

No meio de todo esse ciclo confuso, a Coreia do Sul chega ao Mundial com Hong preferindo uma linha de cinco na defesa, mas sendo bastante criticado pelos torcedores por causa da formação. 

Se usar a linha de cinco mesmo, a Coreia do Sul deve depender muito do trabalho da boa dupla de meio-campistas centrais Paik Seung-ho, do Birmingham, e Hwang In-beom, do Feyenoord, enquanto a referência do ataque ainda é Son Heung-min, que provavelmente deve ser usado como centroavante. 

O que esperar da Coreia do Sul

Com toda a confusão no ciclo e um grupo extremamente aberto, uma vaga na segunda rodada é a expectativa mais realista para os sul-coreanos. Mais que isso dependeria muito dos confrontos, já que é uma seleção que ainda não consegue bater oponentes mais fortes.

Escalação provável da Coreia do Sul (5-2-3): Kim Seung-gyu, Seol Young-woo, Kim Min-jae, Kim Tae-hyeon, Lee Han-beom, Lee Tae-seok; Hwang In-beom, Paik Seung-ho; Lee Kang-in, Lee Jae-sung, Son Heung-min

Destaque

Mesmo tendo ido para a MLS e não conseguindo ter o impacto prometido no LAFC, Son Heung-min continua como o rosto mais importante da seleção e todos os ataques sul-coreanos devem passar pelo pé dele, seja na criação ou na finalização.

O atacante precisa de apenas quatro gols para se tornar o maior artilheiro da história da seleção, recorde que hoje pertence a Cha Bum-kun, que fez história pela Coreia do Sul nos anos 70 e 80.

Fique de olho

Jens Castrop será o primeiro jogador com dupla cidadania a atuar pela Coreia do Sul em uma Copa do Mundo. Nascido na Alemanha de uma mãe sul-coreana, ele confirmou a mudança de seleção em 2025 após atuar pela seleção europeia em todas as categorias de base. 

Jens Castrop é novidade bem-vinda na seleção sul-coreana (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)
Jens Castrop é novidade bem-vinda na seleção sul-coreana (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Aos 24 anos, Castrop vem de sua primeira temporada na Bundesliga, sendo titular regularmente no Borussia Mönchengladbach, atuando primariamente como ala esquerdo em meio campo com cinco jogadores. Na seleção, ele deve manter a posição, mas também pode ser volante em caso de necessidade.

TCHÉQUIA

  • Técnico: Miroslav Koubek
  • Capitão: Ladislav Krejci
  • Como se classificou: Repescagem europeia (bateu Irlanda e Dinamarca)
  • Participações em Copa: 2
  • Melhor participação: Fase de grupos (2006)
  • Desempenho na última participação: Fase de grupos (2006)

O que você precisa saber sobre a Tchéquia

O ciclo da seleção tcheca rumo à Copa do Mundo começou com a classificação à Eurocopa via Eliminatórias ao lado da Albânia e à frente da Polônia. Contudo, acabou eliminada na lanterna de sua chave no principal torneio da Uefa, em 2024, ficando atrás de Portugal, Turquia e Geórgia.

Já na Liga das Nações, subiu da divisão B para a A ao dominar um grupo composto por Ucrânia, Geórgia e Albânia. Já nas Eliminatórias Europeias para o Mundial, os resultados oscilantes — incluindo a derrota histórica para as Ilhas Faroé em outubro de 2025 — motivaram a demissão do treinador Ivan Hasek.

A seleção apostou em Miroslav Koubek, que trouxe impacto imediato dentro de campo e foi fundamental para chegar à 2ª posição do qualificatório e ter a chance de disputar os playoffs. Os tchecos mostraram muita força mental para garantir os empates contra irlandeses e dinamarqueses no tempo regulamentar e posterior classificação via pênaltis.

A identidade histórica da seleção tcheca se mantém: jogo de muita imposição física e força nas jogadas aéreas, potencializada por uma média de altura alta entre os titulares. Como falta talento técnico, o time compensa em entrega e agressividade. A espinha dorsal do elenco é experiente, com atletas nas principais ligas da Europa, além de talentos bem-sucedidos no campeonato local.

O que esperar da Tchéquia

No Grupo A, ao lado de México, Coreia do Sul e África do Sul, a Tchéquia vai tentar fazer aquilo que não conseguiu em 2006: passar da primeira fase. Como os oito melhores terceiros colocados vão aos 16-avos-de-final, a seleção pode se classificar caso consiga uma vitória — o que não seria algo impossível. 

E se a partida no mata-mata for para os pênaltis, os europeus chegam com o moral elevado devido às decisões dramáticas na repescagem da Uefa realizadas em março, que estão bem vivas na memória dos jogadores, comissão técnica e torcedores.

Provável escalação da Tchéquia (5-3-2): Matej Kovar; Vladimir Coufal, Tomás Holes, Robin Hranác, Ladislav Krejci, Jaroslav Zeleny; Vladimír Darida, Tomás Soucek; Pavel Sulc e Patrik Schick.

Destaque

Patrik Schick é a grande estrela tcheca. Quarto maior artilheiro da história da seleção com 25 gols em 52 partidas, o centroavante do Bayer Leverkusen é quem mais impõe respeito aos adversários por conta de sua movimentação no último terço e ótima capacidade de finalização.

Schick tem o potencial de resolver uma partida sozinho quando está 100% fisicamente. Ao longo da temporada, o atacante de 30 anos sofreu alguns problemas musculares na Alemanha, mas terminou 2025/26 com 22 gols e quatro assistências em 42 partidas.

Fique de olho

Após construir toda sua carreira na Tchéquia, Pavel Sulc conquistou sua primeira chance nas principais ligas europeias com a camisa do Lyon. Contratado no início de 2025/26, o meia-atacante de 25 anos foi um dos destaques da equipe de Paulo Fonseca que terminou na 4ª posição da Ligue 1, garantindo vaga nas eliminatórias da Champions League.

Pavel Sulc em ação pela seleção tcheca (Foto: IMAGO / CTK Photo)
Pavel Sulc em ação pela seleção tcheca (Foto: IMAGO / CTK Photo)

Sulc é conhecido não só por sua habilidade técnica, unindo capacidade de criação e conclusão de jogadas, mas também por sua imprevisibilidade e comprometimento defensivo, com muita disposição física para pressionar a saída de bola rival. Em sua temporada de estreia na França, registrou 15 bolas na rede e 10 passes para gol em 40 jogos.

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Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.
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Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.
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Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.

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