Copa do Mundo

Grupo C da Copa do Mundo: O que você precisa saber sobre Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia?

Em busca de seu sexto título mundial, o Brasil inicia a sua trajetória na Copa do Mundo de 2026 com um grupo que pode causar alguns problemas, encarando Marrocos, Escócia e Haiti.

Brasil e Marrocos fazem a primeira partida do grupo no sábado (13), às 19h (horário de Brasília), em East Rutherford, na sede de Nova York. Logo na sequência, às 22h (horário de Brasília), Haiti e Escócia medem forças em Foxborough, na sede de Boston.

Conheça mais sobre os times do Grupo C da Copa do Mundo.

Confira também a análise dos outros grupos da Copa do Mundo 2026: Grupo A | Grupo B

BRASIL

Técnico: Carlo Ancelotti
Capitão:
Marquinhos
Como se classificou:
Quinto lugar nas Eliminatórias da América do Sul
Participações em Copa: 22
Melhor participação:
Campeão (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002)
Desempenho na última participação:
Quartas de final (2022)

O que você precisa saber sobre o Brasil

A seleção brasileira chega à Copa do Mundo de 2026 com um ciclo repleto de testes, trocas de treinador, polêmicas internas e incertezas. Com apenas um ano de trabalho, Carlo Ancelotti trouxe esperança e expectativa, mas ainda assim não pôde preparar o Brasil tão bem para o torneio.

Lesões de jogadores cruciais como Eder Militão, Estêvão e Rodrygo impactaram diretamente a forma como Ancelotti montou o Brasil. As melhores atuações vieram em um 4-2-4 ousado, que privilegiava associações curtas, tabelas e progressão pelo meio, com construção sempre por baixo.

Sem Estêvão e Rodrygo, o Brasil perdeu meias indispensáveis para esse modelo e o resultado foram jogos ruins, principalmente na derrota contra a França em que foi dominado. A mudança de volta ao 4-3-3 com pontas clássicos teve bons resultados no último amistoso antes da convocação, e o italiano convocou 26 jogadores que indicam que esse será o modelo usado na Copa do Mundo.

A ponta do iceberg da Seleção é Neymar. O maior artilheiro da história do Brasil em jogos oficiais não joga pelo time nacional desde 2023, vive há quase três anos lutando para estar apto fisicamente ao alto nível e teve flashes de bons momentos, mas nunca mais no mesmo padrão de rendimento. No fim, é um time com boas peças e reunião de talento boa o bastante, mas dúvidas sobre o modelo de jogo e Neymar podem atrapalhar a participação no torneio.

O que esperar do Brasil

Se tudo for bem, o Brasil conseguirá quebrar a sina de ser eliminado nas quartas de final por europeus e fazer sua melhor campanha desde 2014, por mais que não seja amplo favorito ao título. Se tudo der errado, o time de Ancelotti pode tropeçar antes mesmo das quartas, com confrontos complicados nos 16 avos e oitavas, e ver Neymar dar um adeus melancólico ao sonho do hexa

Provável escalação do Brasil (4-2-4): Alisson, Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Guimarães; Raphinha, Luiz Henrique, Matheus Cunha e Vinicius Júnior.

Destaque

Rodrygo e Estêvão foram os melhores jogadores da era Ancelotti, mas desfalcam o Brasil. Vinicius Júnior naturalmente seria a resposta plausível, por conta do seu grande desempenho nos últimos anos no Real Madrid.

Ainda assim, Vini nunca chegou perto de reproduzir o grande nível do futebol de clubes na Seleção. Uma Copa do Mundo como o claro protagonista técnico do time pode ser uma boa forma de mudar a sua história.

Fique de olho

Luiz Henrique é a clara aposta para surpreender na Copa do Mundo. Chega com grandes atuações nas últimas oportunidades que teve, infernizou adversários quando entrou como reserva e ganhou a posição no último amistoso antes da convocação oficial.

Luiz Henrique durante amistoso do Brasil (Foto: IMAGO / Latin Sport Images)
Luiz Henrique durante amistoso do Brasil (Foto: IMAGO / Latin Sport Images)

Em um 4-3-3 que pede pontas tradicionais, o jogador do Zenit é o clássico ponta-direita veloz, explosivo e que desequilibra em situações de um contra um. Sua escalação desde o início, inclusive, pode ser o que deixa Neymar no banco na “dança das cadeiras” do ataque brasileiro.

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MARROCOS

  • Técnico: Mohamed Ouahbi
  • Capitão: Achraf Hakimi
  • Como se classificou: Líder do grupo E das Eliminatórias Africanas
  • Participações em Copa: 7
  • Melhor participação: Quarto lugar (2022)
  • Desempenho na última participação: Quarto lugar (2022)

O que você precisa saber sobre Marrocos

Maior surpresa da última Copa, Marrocos se colocou no centro de uma crise às vésperas da edição de 2026. O técnico Walid Regragui, responsável pelo quarto lugar em 2022, se demitiu em março deste ano após muita pressão pelo vice na Copa Africana de Nações, que teve a nação marroquina como sede – na Justiça Desportiva, o título está com a anfitriã porque Senegal abandonou o jogo e depois retornou, mas haverá novos capítulos. Assumiu Mohamed Ouahbi, treinador do sub-20 dos Leões do Atlas, que foi campeão mundial da categoria. 

Ironicamente, há quatro anos, Regragui também tinha assumido meses antes do Mundial. Agarrando-se a isso e aos vários bons jogadores que tem em seu elenco, o selecionado chega para a competição e promete competitividade novamente.

O ciclo serviu para consolidar sua posição como uma das maiores forças do continente. Passou com 100% de aproveitamento nas Eliminatórias, mas, ao mesmo tempo, decepcionou nas Copas Africanas, seja em futebol jogado no vice em campo em 2026 ou em resultado na queda nas oitavas de final na edição de 2024.

Inclusive, a dificuldade de Marrocos em propor jogo era uma das críticas na era Regragui. Com uma convocação mais jovem do que a da última edição, Ouahbi, por filosofia, gosta mais de um jogo dominado com a posse de bola. O que pode não acontecer na estreia contra a seleção brasileira, mas pode ser a tônica nos duelos frente à Escócia e Haiti.

O que esperar de Marrocos

Favorita à segunda colocação no Grupo C, Marrocos chegaria ao mata-mata com condições de olhar de frente para grandes adversários, afinal, eliminou Espanha e Portugal na edição passada, mostrando como jogos com encaixe de contra-ataques podem ser sua grande arma. Nesse possível caminho, teria Holanda ou Japão nos playoffs, dois adversários que podem ter mais domínio, e um adversário ainda abaixo nas oitavas, o que deixa possibilidade aberta até pelo menos às quartas de final, onde há a chance de enfrentar uma gigante como a França. Importante citar a dificuldade dos marroquinos em propor jogo com a posse, o que ocorrerá em partidas contra adversários mais fáceis, tendo a possibilidade de dificultar confrontos que seriam acessíveis nas prévias.

Provável escalação de Marrocos (4-2-3-1): Bono; Hakimi, Diop, Aguerd e Mazraoui; Amrabat, El Ayaoui e Saibari; Brahim Diaz, Abde e Rahimi

Destaque

O único jogador da seleção marroquina que é o melhor do mundo em sua posição, Achraf Hakimi ainda é o capitão e uma das principais lideranças do Marrocos. O lateral-direito tem um papel decisivo no momento ofensivo por ter praticamente um ponta, dando liberdade para Brahim Díaz poder ser mais um meia por dentro. Em outros momentos, também avança por dentro por sua grande qualidade e capacidade física.

Fique de olho

Bouaddi é a grande novidade de Marrocos para a Copa do Mundo (Foto: Johnny Fidelin/Icon Sport)
Bouaddi é a grande novidade de Marrocos para a Copa do Mundo (Foto: Johnny Fidelin/Icon Sport)

A Federação Marroquina lutou para conseguir a grande surpresa de sua convocação para a Copa. O garoto Ayyoub Bouaddi, de 18 anos, defendeu a França nas seleções de base, mas escolheu Marrocos e chega como um reserva importante no meio-campo. O jogador do Lille é um meio-campista moderno, bom no jogo sem bola e ainda mais brilhante na fase de criação por sua qualidade no passe.

HAITI

  • Técnico: Sébastien Migné
  • Capitão: Johny Placide
  • Como se classificou: Melhor segundo lugar da segunda fase das Eliminatórias da Concacaf
  • Participações em Copa: 2
  • Melhor participação: Fase de grupos (1974)
  • Desempenho na última participação: Fase de grupos (1974)

O que você precisa saber

A vaga direta de Estados Unidos, México e Canadá à Copa do Mundo abriu a possibilidade de que seleções menores brigassem de igual para igual pelas vagas remanescentes da Concacaf. O Haiti, por exemplo, não conquistava o acesso à competição desde 1974 e passa por uma crise política e social, fruto dos conflitos entre gangues no país. 

Por conta disso, o Haiti teve de mandar todas as suas partidas em Curaçao. O francês Sébastien Migné, treinador da seleção haitiana desde junho de 2024, nunca visitou o país. Mesmo assim, conquistou a classificação para a Copa do Mundo, com veteranos remanescentes da Copa América de 2016, a última disputada pela seleção, como convidada. 

O Haiti chega motivado ao retornar após 52 anos. Nos últimos amistosos antes do Mundial, vitória contundente contra a Nova Zelândia por 4 a 0 e derrota para o Peru por 2 a 1, os caribenhos mostraram uma excelente pressão alta e efetividade na transição depois de roubar a bola, mas também revelaram uma dificuldade de lidar com rebotes de bolas paradas.

O que esperar do Haiti

Adversário do Brasil na fase de grupos, o Haiti chega como azarão em busca da classificação ao mata-mata. A tendência é que tenha um duelo direto com a Escócia, logo na estreia, para definir o futuro da equipe em busca da vaga por meio do terceiro lugar na chave. Entretanto, é a quarta força do Grupo C, atrás da seleção brasileira, escocesa e de Marrocos. A aposta é que, assim como em 1974, não vá além da fase de grupos. 

Provável escalação do Haiti (4-4-2): Johny Placide; Duke Lacroix, Hannes Delcroix, Ricardo Adé e Carlens Arcus; Ruben Providence, Jean-Jacques Danley, Jeanricner Bellegarde e Louicius Deedson; Duckens Nazon e Wilson Isidor. 

Destaque

Duckens Nazon é a principal referência da história do Haiti no futebol. Ainda que não esteja mais no auge de sua carreira, o maior artilheiro da história do país teve papel fundamental na classificação à Copa do Mundo e chega com a possibilidade de ser titular aos 32 anos. 

Antes de disputar o Mundial, Nazon precisou deixar o Irã, em meio ao conflito com os Estados Unidos, e estava sem disputar desde março até o duelo com a Nova Zelândia no início deste mês. Nascido na França, é o principal nome de uma seleção multicultural, em que a maioria dos jogadores tem origem francesa. 

Fique de olho

Ruben Providence comemora gol do Haiti em amistoso (Foto: IMAGO / Icon Sportswire)
Ruben Providence comemora gol do Haiti em amistoso (Foto: IMAGO / Icon Sportswire)

Assim como tantos outros companheiros de seleção, Ruben Providence nasceu na França e deu os primeiros passos de sua carreira no Velho Continente, distante do futebol haitiano. Com passagens pelas categorias de base do Paris Saint-Germain e da Roma. Aos 24 anos, o atacante pode se destacar na campanha da seleção na Copa do Mundo — abriu o placar na goleada sobre a Nova Zelândia.

ESCÓCIA

  • Técnico: Steve Clarke
  • Capitão: Andrew Robertson
  • Como se classificou: Liderou o grupo C nas Eliminatórias da Europa                   
  • Participações em Copa: 8
  • Melhor participação: Fase de grupos
  • Desempenho na última participação: Fase de grupos (1998)

O que você precisa saber sobre a Escócia

A seleção escocesa está novamente em um grupo com Brasil e Marrocos, assim como em sua última participação na Copa do Mundo, em 1998. A geração atual, no entanto, é mais talentosa e promissora do que a de 28 anos atrás.

Serão liderados por Andy Robertson, um dos grandes laterais da última década da Premier League, e Scott McTominay, que se reinventou no futebol italiano. Os escoceses ficaram no topo de um grupo com a Dinamarca, Grécia e Bielorrússia, com quatro vitórias, um empate e uma derrota, nas Eliminatórias da Europa.

Jogando ora em 4-2-3-1, ora em 3-4-1-2, o time de Steve Clarke aposta na amplitude dos alas, principalmente com a qualidade de Robertson, e na criatividade e explosão de McTominay para chegar ao último terço. Geralmente, seus dois atacantes combinam um de força física e outro mais rápido e ágil. Há também o cenário em que apostam em pontas mais incisivos, como Ben Gannon-Doak.

O que esperar da Escócia

Se tudo for bem, a Escócia conseguirá passar de fase pela primeira vez na história, o que é possível mesmo com o terceiro lugar. Se tudo der errado, uma boa geração escocesa ficará novamente em um grupo difícil e pode perder sua melhor chance na história.

Provável escalação da Escócia (4-2-3-1): Kelly; Hickey, Souttar, McKenna, Robertson; McGinn, Christie; Doak, McTominay, Curtis; Hirst.

Destaque

Scott McTominay é o principal nome da seleção escocesa. De um volante incompreendido no Manchester United, o gigante se tornou um meia muito perigoso no Napoli: cria, ataca a área e finaliza com qualidade. Aos 29 anos, vive seu auge e é peça crucial da engrenagem ofensiva do time. Robertson, McGinn e Christie são outros nomes importantes e mais veteranos.

Fique de olho

Ben Gannon-Doak ganhou espaço recentemente na Escócia (Foto: IMAGO / Action Plus)
Ben Gannon-Doak ganhou espaço recentemente na Escócia (Foto: IMAGO / Action Plus)

Ben Gannon-Doak é uma grande promessa que despontou no Liverpool, mas não teve espaço. Depois de empréstimos, acabou no Bournemouth, onde também foi reserva de Rayan. Jovem ponta-direita habilidoso e rápido, pode ser a válvula de escape dos escoceses no Mundial.

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Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.
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Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.
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Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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