Copa do Mundo

Promessa escolhe Marrocos e novo técnico ganha boa dor de cabeça a poucos meses da Copa

Primeiro adversário do Brasil no Mundial teria convencido Ayyoub Bouaddi, promessa do Lille, a jogar pelo país

Primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo, Marrocos parece estar próximo de receber uma grande notícia. Promessa do Lille, Ayyoub Bouaddi teria dado seu aval verbal para defender os Leões do Atlas, segundo informações de “Foot Mercato” e “Onze Mondial.”

Após uma visita da comitiva da federação — com o técnico Mohamed Ouahbi e o presidente Fouzi Lekjaa — o jovem meio-campista franco-marroquino se mostrou convencido pelo projeto. Ele poderia ser convocado já para a Data Fifa deste mês, quando a seleção enfrenta Equador e Paraguai.

E Bouaddi não deve ser o único reforço jovem. Ouhabi também observa Samir El Mourabet, destaque do Strasbourg na atual temporada da Ligue 1.

Ambos chegam para disputar espaço num setor que já é o coração da equipe marroquina — e, ao mesmo tempo, seu maior dilema.

Marrocos tem um meio-campo de competição feroz

Mesmo antes dos novos nomes, o Marrocos já tinha um leque de opções de respeito no meio. Durante a Copa Africana de Nações (CAN), a equipe de Walid Regragui alcançou a final apesar de enfrentar lesões justamente nesse setor. O trio-base era formado por Azzedine Ounahi, Sofyan Amrabat e Neil El Aynaoui em um 4-3-3 tradicional, com Amrabat como o volante de sustentação.

Quando as lesões apareceram, Regragui ajustou a engrenagem. A reta final do torneio revelou um meio mais técnico, com Bilal El Khannouss e Ismael Saibari ao lado de um El Aynaoui recuado. 

Oussama Targhalline estava no banco, e talentos como Bilal Nadir, Amir Richardson, Oussama El Azzouzi e Amine Harit ficaram fora por pura concorrência — um reflexo do luxo que o país vive na posição.

Ayyoubi Bouaddi lamenta após derrota do Lille (Foto: Philippe Lecoeur/FEP/Icon Sport)
Ayyoubi Bouaddi lamenta após derrota do Lille (Foto: Philippe Lecoeur/FEP/Icon Sport)

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Como Bouaddi se encaixa na seleção marroquina?

Bouaddi chega para oferecer algo que o Marrocos ainda busca com consistência: controle de ritmo e leitura de jogo. Ele é o tipo de meio-campista que dita o tempo das jogadas, encontra linhas de passe e melhora o entorno com inteligência.

Mas não se trata apenas de um criador. Sua presença física e capacidade de pressionar alto o tornam um box-to-box moderno, funcional em diferentes esquemas.

Essa versatilidade pode ser útil à nova visão de Mohamed Ouahbi, que deve imprimir um estilo próprio, diferente do pragmatismo de Regragui. E é aí que surgem as opções táticas.

Várias rotas possíveis para Ouahbi

Se Ouahbi mantiver o 4-3-3 que usava na seleção sub-20, El Aynaoui tende a seguir como o primeiro volante. Amrabat, que antes era peça intocável, pode começar a perder terreno para nomes mais jovens e técnicos, depois de uma sequência de lesões e atuações irregulares.

Nesse cenário, Bouaddi e El Mourabet seriam os responsáveis por dar dinâmica e ligação ao ataque, com Ounahi ou Saibari como variações mais ofensivas. El Khannouss, embora talentoso, seria deslocado um pouco de sua zona preferida.

Outra alternativa passa por um 4-2-3-1, esquema usado por Ouahbi na seleção sub-20. Nesse formato, Bouaddi poderia dividir a base com El Aynaoui ou El Mourabet, deixando o espaço central para um articulador como Ounahi, El Khannouss ou Saibari.

O resultado seria um meio mais técnico e fluido, mesmo que a equipe perdesse parte da imposição física que Amrabat oferecia.

Um problema de luxo

Entre tantas opções de qualidade, Ouahbi tem um desafio quase ingrato: escolher. O Marrocos reúne um meio-campo que rivaliza com os melhores da África em talento e versatilidade. Se Bouaddi confirmar o que se espera dele e El Mourabet seguir em ascensão, o treinador terá uma base para os próximos ciclos internacionais.

Mas é justamente aí que mora o risco. Com tantos perfis promissores, as decisões serão observadas sob lupa — e qualquer desequilíbrio será cobrado rapidamente. Para o Marrocos, trata-se de um problema de rico: excesso de opções, exigência de resultados e um futuro repleto de expectativa.

O artigo é a adaptação de um texto de Louis Mukoma Fargues para o Afrik-Foot, site parceiro da Trivela

Foto de Matheus Rocha

Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.

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