Por que desistência do Irã da Copa do Mundo é ‘cenário provável’, mas não definido
Ministro do Esporte iraniano fala em não disputar a competição no mesmo dia em que a Fifa tenta amenizar situação
O Irã está próximo de abandonar a disputa da Copa do Mundo. Pelo menos é o que garante Ahmad Donyamali, ministro do Esporte e da Juventude iraniano, nesta quarta-feira (11), no mesmo dia em que Gianni Infantino, presidente da Fifa, destacou diálogo que teve com Donald Trump para assegurar a participação da seleção iraniana.
“Considerando que este regime corrupto (os EUA) assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo”, afirmou Donyamali, à TV estatal do Irã. Ainda que forte, a declaração não é uma garantia definitiva, já que o abandono da seleção deve partir da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), mas dá um aceno para o que pode ocorrer nos próximos dias.
— Eles nos impuseram duas guerras em oito ou nove meses e mataram e martirizaram milhares de nosso povo. Portanto, certamente não podemos ter esse tipo de presença (na Copa do Mundo) — garantiu o ministro iraniano.

Classificada para a Copa do Mundo, a seleção iraniana deverá disputar todas as partidas da fase de grupos nos Estados Unidos — a competição é organizada em conjunto com Canadá e México. Nos últimos dias, o país foi bombardeado pelo exército americano e de Israel, ações militares que resultaram no assassinato de dezena de líderes militares e políticos, incluindo o aiatolá Ali Hosseini Khamenei, Líder Supremo do Irã.
Presidente da Fifa diz ter garantias de Trump para a participação do Irã
Antes das declarações de Donyamali, Infantino tentou garantir que o Irã seria “bem-vindo” pelo governo dos Estados Unidos na Copa do Mundo. Desde o início dos ataques a Teerã, capital do país persa, a Fifa tem se reunido para discutir soluções para a crise diplomática às vésperas da Copa do Mundo.
— Conversamos sobre a situação atual no Irã e o fato de que a seleção iraniana se classificou para participar da Copa do Mundo de 2026. Durante as discussões, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos — afirmou Infantino.

Desde que Trump foi eleito, em 2024, Infantino tem se aproximado do presidente dos Estados Unidos por meio da Fifa. O país recebeu o Mundial de Clubes no último ano, foi sede do sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo, assim como da maioria das partidas da competição em 2026. Trump também foi condecorado pelo “Troféu da Paz”, criado pela Fifa e que teve o presidente americano como primeiro — e, até agora, único — premiado.
— Todos nós precisamos de um evento como a Copa do Mundo para unir as pessoas agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos por seu apoio, pois isso mostra mais uma vez que o futebol une o mundo — afirmou Infantino.
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O que ocorre caso o Irã desista de disputar a Copa do Mundo?
Até o momento, a FFIRI não se pronunciou a respeito de abdicar da participação na Copa do Mundo. Mehdi Taj, presidente da Federação, colocou a disputa da competição em dúvida nos últimos dias, caso o conflito entre os países continuasse até o início do torneio.
Não seria a primeira vez que uma seleção desiste de disputar a Copa do Mundo mesmo já classificada. No entanto, isso não ocorre desde a era moderna da competição, a partir de 1974, quando o troféu Jules Rimet foi substituído pelo atual.

Na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, Escócia, França e Índia, já classificadas, abdicaram da competição, justificando a distância e os gastos como empecilhos para participarem. Na ocasião, a Fifa não substituiu as seleções, e o Mundial foi disputado por apenas 13 equipes.
Em 2026, uma eventual desistência do Irã abre margem para a Fifa decidir fazer o que bem entender. A seleção iraniana está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Um dos cenários possíveis é equivalente ao de 1950: manter 47 seleções na disputa, e a chave do Irã com uma equipe a menos.
A Fifa também pode realocar a vaga para qualquer outra seleção do mundo, seja da Associação Asiática de Futebol (AFC) ou de outra confederação continental. O Iraque, que disputará a repescagem intercontinental em março, é um dos postulantes a esta possível vaga.

O cenário ideal, como a reportagem ouviu de pessoas ligadas à Fifa, é que a participação do Irã seja mantida. Também por isso Infantino veio a público tentar ventilar o apoio de Trump para que a seleção iraniana decida seguir com a viagem aos Estados Unidos em junho. Anteriormente, o presidente americano chegou a afirmar que a presença ou desistência do Irã “não faria diferença”.


