Como fica a situação do Irã na Copa do Mundo após ataques dos Estados Unidos?
Tensão geopolítica coloca em cheque participação do país asiático no torneio que começa daqui três meses
A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 está em risco. Após os Estados Unidos, uma das sedes do torneio, atacar e bombardear o país do Oriente Médio, a tensão envolvendo os países tomou os principais noticiários do planeta.
Com a escalada do conflito entre os países, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, afirmou que considera “improvável” a participação do país no torneio.
— Com o ataque dos Estados Unidos é improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo com esperança, mas são os dirigentes do esporte que devem decidir sobre isso — disse o presidente em discurso em uma televisão estatal iraniana.
Faltando três meses para o início da competição, ainda não se sabe como a Fifa pretende mediar a situação de alguma forma. Após os ataques, entidade afirmou que seu objetivo é manter a participação de todos na competição.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, conversou com jornalistas e afirmou que a entidade segue monitorando a situação para tomar uma melhor decisão sobre o tema.
— Eu li as notícias assim como vocês nesta manhã [de sábado]. Tivemos uma reunião hoje e seria prematuro comentar em detalhes. Mas, é claro, vamos monitorar os desdobramentos em relação a todas as questões ao redor do mundo. Nosso foco é realizar uma Copa do Mundo segura, com a participação de todos os países — disse ao “The New York Times” durante reunião do Conselho da Associação Internacional de Futebol, realizada no País de Gales.
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Como fica a situação do Irã na Copa do Mundo 2026?
No grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, o Irã conseguiu sua classificação para a Copa do Mundo após terminar em primeiro lugar no grupo A das Eliminatórias Asiáticas. Em caso de participação, essa será a quarta disputa consecutiva da seleção no torneio. Todos os jogos iranianos nesta fase estão marcados para acontecer nos Estados Unidos.
O primeiro jogo da seleção está marcado para 15 de junho, contra a Nova Zelândia, em Los Angeles. Depois, enfrenta a Bélgica, no dia 21, na mesma cidade. O último duelo será contra o Egito, no dia 27, em Seattle. Além dos Estados Unidos, a Copa também acontecerá no Canadá e no México.
No ano passado, o Irã chegou a ter três instalações nucleares bombardeadas pelos EUA. No entanto, a seleção seguiu participando das Eliminatórias Asiáticas e conseguiu a classificação. Agora, a situação é diferente.
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Além do país ser bombardeado, o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, foi assassinado, fato que deixou o país diante de um cenário político difícil de prever. Com isso, as expectativas sobre o futuro do conflito são preocupantes..
— Para Teerã, esta não é uma guerra curta ou uma escalada contida que possa ser pausada e reiniciada. Esta nova fase do conflito é existencial e diz respeito claramente à sobrevivência do regime. Também é improvável que termine rapidamente — disse a Dra. Sanam Vakil, diretora do Programa para o Oriente Médio e Norte da África, em entrevista à “BBC”.
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Seleção iraniana ameaça boicote ao torneio
Sem garantir segurança aos atletas e comissão técnica em meio aos conflitos, a seleção iraniana ameaça boicotar o torneio. Caso isso aconteça, a Fifa tem regras em seu regulamento que preveem a substituição por outra seleção da Confederação Asiática de Futebol.
O Iraque, seleção que participa da repescagem continental no fim do mês, ou os Emirados Árabes Unidos, que não conseguiram a classificação, seriam os favoritos para assumirem a vaga.
Uma decisão ainda não foi tomada pela Federação Iraniana e nem pela Fifa. No entanto, ambas as entidades devem chegar a um acordo nos próximos dias. Enquanto isso, a seleção feminina do Irã segue a preparação para sua estreia na Copa da Ásia, que acontece na Austrália.
Em comunicado, a liga asiática afirmou que acompanha de perto os acontecimentos recentes e a prioridade é garantir segurança a todos neste momento.
— A principal prioridade da AFC continua sendo o bem-estar, a segurança e a proteção de todos os jogadores, treinadores, dirigentes e torcedores. Nesse sentido, estamos em contato próximo e regular com a seleção feminina iraniana e seus dirigentes na Gold Coast, oferecendo todo o nosso apoio e assistência — escreveu.
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Entenda o ataque dos Estados Unidos ao Irã
No sábado (28), o Irã foi atacado pelos Estados Unidos e Israel. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou grandes operações de combate, prometendo aniquilar as forças armadas do país do Oriente Médio e destruir seu programa nuclear. Segundo informações da imprensa iraniana, 201 pessoas morreram, enquanto 747 ficaram feridas.
Durante o dia, explosões foram registradas na capital Teerã e em outras cidades iranianas. Em resposta, o país asiático disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas em países como Catar, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes.