Copa do Mundo

Posição de Trump sobre Irã na Copa do Mundo 2026 expõe hipocrisia da Fifa

Presidente dos Estados Unidos não acompanha discurso de Infantino sobre participação país atacado por anfitrião do Mundial

Pouco mais de 24 horas. Esse foi o tempo que Donald Trump precisou para ir na contramão do discurso adotado por Gianni Infantino para tratar sobre a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 em meio ao conflito com os Estados Unidos, uma das três sedes do torneio.

Nesta quinta-feira (12), o presidente estadunidense escreveu em sua plataforma “Truth Social” que não acredita que seja “apropriado” para a seleção asiática estar presente no Mundial, apesar de ter conquistado a classificação nas Eliminatórias.

Cabe destacar que, na madrugada do dia anterior (11), o dirigente da Fifa disse que Trump havia garantido que os iranianos “eram bem-vindos” nos EUA para jogar a Copa do Mundo. Devido à guerra entre os países, o envolvimento da nação do Oriente Médio na competição segue incerta.

— A seleção iraniana de futebol é bem-vinda à Copa do Mundo , mas eu realmente não acredito que seja apropriado que eles estejam lá, para a própria segurança deles — publicou o líder estadunidense.

Infantino buscou aval de Trump por presença do Irã na Copa do Mundo

Em publicação em seu perfil no Instagram, Infantino alegou que recebeu garantias de Donald Trump de que a seleção do Irã era “bem-vinda” aos Estados Unidos. O presidente da Fifa reforçou o papel do futebol em “unir o mundo”, e sua importância “agora mais do que nunca”.

Presença do Irã não está garantida na Copa do Mundo (Foto: Imago/Light Studio Agency)
Presença do Irã não está garantida na Copa do Mundo (Foto: Imago/Light Studio Agency)

— Conversamos sobre a situação atual no Irã e sobre o fato de a seleção ter se classificado para participar da Copa do Mundo. O presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos — começou Gianni Infantino.

— Todos nós precisamos de um evento como a Copa do Mundo da Fifa para unir as pessoas, agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao Presidente dos Estados Unidos pelo seu apoio, pois isso demonstra mais uma vez que o futebol une o mundo — escreveu o mandatário da entidade.

Ainda na quarta-feira (11), o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, reforçou que “sob circustância alguma” podem participar do Mundial após ataques estadunidenses, com o apoio de Israel, terem matado o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano. Vale lembrar que uma desistência oficial do torneio do país deve passar pela federação iraniana.

— Considerando que este regime corrupto (os EUA) assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo — declarou Donyamali à TV estatal.

No sorteio dos grupos do torneio, realizado em dezembro de 2025, a seleção iraniana ficou na chave G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. As partidas estão previstas para serem disputadas em cidades americanas — duas em Los Angeles e uma em Seattle.

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Ausência da seleção seria cúmulo da hipocrisia da Fifa

Torcedores Iranianos. (Foto: IMAGO/Richard Wareham)
Torcedores Iranianos. (Foto: IMAGO/Richard Wareham)

Às vésperas da repescagem que decidirá as últimas vagas para a Copa do Mundo, a participação de um dos classificados está em xeque devido ao ataque de outro país. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia no dia 24 de fevereiro 2022, a Fifa demorou apenas dois dias para banir a seleção de participar de suas competições.

Entretanto, quando os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares do Irã ainda em julho do ano passado, Infantino não aplicou a mesma sanção. Na realidade, apesar disso, o presidente da entidade máxima do futebol chegou a criar e entregar o polêmico Prêmio da Paz a Trump.

Outro detalhe importante é que, ainda em 2025, o representante da Casa Branca assinou uma ordem executiva proibindo a entrada nos EUA de cidadãos de 12 países, incluindo os iranianos. A Fifa, por sua vez, se limita a dizer que “acompanha os acontecimentos” e que “não pode resolver problemas geopolíticos”.

Com a escalada da tensão no Golfo Pérsico desde o início de março, a presença do Irã no Mundial de seleções foi desancoselhada pelo próprio presidente americano, cuja justificativa é a possibilidade de insegurança para os atletas, comissão técnica e torcedores.

Enquanto parte da comunidade internacional defende o boicote à Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, Gianni Infantino se aproxima cada vez mais de Donald Trump. A relação sólida entre ambos levanta suspeitas de que os interesses vão além do esporte.

Caso a ausência da seleção iraniana se confirme, será o cúmulo da hipocrisia da entidade, que, para não condenar ações dos EUA, se esconde atrás da neutralidade prevista em seu estatuto.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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