‘Profundo constrangimento’ atinge a Fifa em relação ao prêmio da paz concedido a Trump
Oficialmente, entidade ratifica decisão, mas ações do presidente dos EUA pós-premiação incomodam alto escalão, informa jornal
O prêmio da paz concedido pela Fifa ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causa cada vez mais incômodo em membros de médio e alto escalão da entidade, conforme informou o jornal “The Guardian”.
A ideia já havia gerado certo desconforto na instituição por não ter critérios de escolha detalhados, segundo apurou a publicação. No entanto, o sentimento evoluiu para “profundo constrangimento”, de acordo com uma fonte consultada.
Fonte da Fifa projeta período da Copa do Mundo ‘muito delicado’ nos EUA
A Fifa anunciou a criação de sua premiação da “paz” em 5 de novembro. No comunicado, reforçou o objetivo de “homenagear indivíduos que realizaram ações excepcionais e extraordinárias em prol da paz e, ao fazê-lo, unir pessoas em todo o mundo”.
Um mês depois, durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo, o prêmio foi entregue a Trump pelas mãos do presidente da entidade, Gianni Infantino.
— Queremos ver esperança, queremos ver união, queremos ver o futuro. É o que queremos ver de um líder, e você definitivamente merece o primeiro Prêmio da Paz da Fifa — disse o mandatário ao chefe de Estado norte-americano.

Desde o começo, o troféu foi visto como uma maneira de “afagar” Trump depois que o Nobel da Paz ficou com Maria Corina Machado, opositora da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela.
A questão é que, desde então, o governo de Donald Trump fez ataques aéreos à Venezuela, capturou Nicolás Maduro e a esposa e os levou aos EUA e ameaçou invadir a Groenlândia.
A situação reforçou a linha frágil entre o futebol e assuntos políticos. Segundo o jornal, executivos manifestaram descontentamento com a forma como as coisas aconteceram, contudo, o entendimento interno na Fifa é que Infantino deve atuar nesta vertente que inclui Trump.
Demais executivos temem ser prejudicados caso interfiram. “Me envolver na política em torno desta Copa do Mundo é algo que fico longe. Meu trabalho é me preocupar com o futebol no campo e nada mais”, declarou uma fonte ao “Guardian”.

A Fifa foi questionada pela publicação e oficialmente ratificou a decisão de conceder ao presidente dos Estados Unidos o primeiro prêmio da paz da instituição. Em contrapartida, fonte da alta cúpula admitiu que o período da Copa no país tende a ser “muito delicado” e “difícil”.
Além dos EUA, México e Canadá são os anfitriões do Mundial 2026.



