Copa do Mundo

O que esperar do Haiti, adversário do Brasil que se classificou à Copa em meio a grave crise política

Classificada pela segunda vez na história, seleção haitiana tenta equilibrar limitações técnicas e momento raro de protagonismo no cenário internacional

A seleção brasileira conheceu, nesta sexta-feira (5), os seus adversários na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. E entre eles está o Haiti — país que retorna ao Mundial depois de mais de cinco décadas.

A presença haitiana no caminho brasileiro adiciona um componente curioso à chave: um time de história modesta, mas que chega impulsionado por uma campanha histórica nas Eliminatórias e pelo simbolismo de representar um país que encontra no futebol um raro ponto de celebração em meio às adversidades.

Grupo C da Copa do Mundo:

Como foi a campanha do Haiti até a classificação para Copa do Mundo?

A classificação do Haiti para a Copa do Mundo de 2026 é histórica — o país retorna a um Mundial 52 anos após sua última participação, em 1974.

O Haiti iniciou sua participação diretamente na segunda fase das Eliminatórias da Concacaf. A seleção acumulou nove pontos — três vitórias e uma derrota — e avançou para a etapa decisiva da competição, terminando na segunda colocação do grupo, atrás apenas de Curaçao.

Na fase final das Eliminatórias, os haitianos lideraram o Grupo C, com 11 pontos ganhos — três triunfos, dois empates e uma derrota. A vaga foi confirmada com uma vitória convincente por 2 a 0 sobre a Nicarágua, com gols de Louicius Don Deedson e Ruben Providence.

É importante notar que, devido à grave crise interna no país — com violência e controle de gangues em regiões da capital — a seleção haitiana não pôde mandar jogos em seu próprio território. Por isso, a campanha foi praticamente toda como “mandante neutro”, com partidas realizadas em locais como Curaçao.

O Haiti vive um longo período sem eleições presidenciais — a última ocorreu em 2016 — e atualmente o país é comandado por um Conselho Presidencial de Transição. Nos últimos anos, a escalada da violência e o avanço de grupos armados desestabilizaram ainda mais o cenário político, chegando ao ponto de pressionar o então primeiro-ministro Ariel Henry a deixar o cargo em meio ao agravamento da crise.

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Quem são os jogadores destaques do Haiti?

Duckens Nazon em ação pelo Haiti
Duckens Nazon em ação pelo Haiti (Foto: Icon Sport)

Dois nomes se destacam no sistema defensivo haitiano: Johny Placide e Ricardo Adé. Placide, goleiro experiente (37 anos) e figura constante nas convocações, foi decisivo em partidas importantes das Eliminatórias. Adé, zagueiro da LDU, reúne rodagem internacional e enfrentou recentemente clubes brasileiros em competições continentais — como São Paulo, Palmeiras e Botafogo —, consolidando-se como uma das referências do elenco.

No meio e no ataque, Jean-Ricner Bellegarde e Duckens Nazon assumem protagonismo. Bellegarde, jogador do Wolverhampton e recém-integrado à seleção, contribuiu na criação de jogadas e deu mais dinamismo ao setor.

O nome mais influente da seleção é o centroavante Nazon, francês naturalizado haitiano e veterano de 31 anos. Revelado no futebol francês e com passagens por clubes da Inglaterra, Bélgica, Bulgária, Escócia e Turquia, ele defende atualmente o Esteghlal Tehran, do Irã. Nas Eliminatórias, foi decisivo: anotou seis gols, distribuiu duas assistências e se firmou como a principal referência ofensiva do grupo.

Retrospecto do Haiti em Copas

O Haiti chega à Copa de 2026 carregando um histórico tímido no torneio: antes disso, sua única participação havia sido em 1974, na Alemanha Ocidental. Naquela edição, a equipe sofreu derrotas duras — 7 a 0 para a Polônia, 4 a 1 para a Argentina e 3 a 1 para a Itália — e caiu ainda na fase de grupos.

Desde então, mesmo presente em competições da Concacaf e torneios regionais, o país raramente conseguiu ir além das etapas iniciais ou competir de igual para igual com as potências da região. O cenário competitivo seguia limitado, marcado por dificuldades estruturais e falta de continuidade.

Por isso, a classificação para o Mundial de 2026 representa o capítulo mais promissor da história haitiana no futebol. A vaga quebra um jejum de mais de cinco décadas e reposiciona a seleção em um patamar inédito, com visibilidade que o país jamais havia vivido no cenário mundial.

Jogadores do Haiti celebram gol durante jogo contra os EUA
Jogadores do Haiti celebram gol durante jogo contra os EUA (Foto: Icon Sport)

Retrospecto geral contra o Brasil (e perspectiva para 2026)

O histórico entre Brasil e Haiti é curto, mas amplamente favorável à seleção brasileira. As equipes se enfrentaram somente três vezes, todas com vitórias elásticas da Canarinho. O primeiro duelo ocorreu em 1974, em um amistoso encerrado em 4 a 0. Trinta anos depois, em 2004, a seleção viajou ao Caribe para o “Jogo da Paz”, ação humanitária que terminou novamente em goleada brasileira por 6 a 0.

O encontro mais recente — e o único em competição oficial — aconteceu na Copa América de 2016, quando o Brasil goleou por 7 a 1.

Esse retrospecto reforça a distância histórica entre as duas seleções, tanto em estrutura quanto em nível competitivo. Embora o Haiti chegue à Copa do Mundo de 2026 vivendo seu momento mais relevante desde a classificação de 1974, o cenário não altera substancialmente a disparidade técnica diante do Brasil.

Dito isso, a tendência é que o Haiti acabe sendo o “saco de pancadas” do grupo — ou seja, a seleção mais vulnerável diante dos favoritos. A conferir se isso se confirmará.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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