Copa do Mundo

Grupo D da Copa do Mundo: O que você precisa saber sobre EUA, Paraguai, Austrália e Turquia

Uma das sedes, Estados Unidos são cabeça de chave de um grupo que pode ter os jogos mais equilibrados do Mundial

Assim como os vizinhos Canadá e México, os Estados Unidos são cabeça de chave de um grupo bastante aberto na Copa do Mundo em que serão sede. Assim como os norte-americanos, Paraguai, Austrália e Turquia não chegam ao torneio consolidadas, mas buscando aproveitar o novo formato para conseguir fazer mais impacto no futebol mundial do que nos últimos anos.

O primeiro jogo do grupo acontece na sexta-feira (12), às 22h (horário de Brasília), no Estádio de Los Angeles. Austrália e Turquia fecham a rodada inicial do grupo na virada de sábado (13) para domingo (14), 1h da manhã (horário de Brasília), em Vancouver.

Conheça as equipes que formam o Grupo D da Copa do Mundo.

ESTADOS UNIDOS

  • Técnico: Mauricio Pochettino
  • Capitão: Tim Ream
  • Como se classificou: País-sede
  • Participações em Copa: 12
  • Melhor participação: Terceiro lugar (1930)
  • Desempenho na última participação: Oitavas de final (2022)

O que você precisa saber sobre os Estados Unidos

Após a seleção fracassar sob o comando de Gregg Berhalter na Copa América de 2024, nem passando da fase de grupos, o comando do ciclo mais importante do futebol estadunidense caiu nas mãos de Maurício Pochettino. O técnico mais conhecido por sua passagem pelo Tottenham até conseguiu recuperar um pouco da autoestima da equipe, mas acabou fora da final da Liga das Nações e perdeu a decisão da Copa Ouro para o México em 2025.

Na segunda metade de 2025, Pochettino conseguiu dar uma cara melhor à seleção, vencendo quatro de cinco jogos contra adversários relevantes — incluindo dois adversários do grupo, Austrália e Paraguai, e uma goleada de 5 a 1 para cima do Uruguai. No entanto, um fantasma que assola o USMNT apareceu novamente: a dificuldade em confrontos contra oponentes melhores. Na Data Fifa de março, a derrota para a Bélgica não foi nada positiva e o revés contra Portugal até mostrou uma equipe melhor, mas com dificuldades de finalizar.

Por mais que existam desconfianças sobre a seleção local, o amistoso contra Senegal no fim de maio mostrou que Pochettino parece ter escolhido o estilo de jogo que melhor funcionou ao longo de seu tempo no comando dos EUA. A equipe deve construir jogo com três zagueiros, mas com diferentes mecanismos dos dois lados. Na direita, o lateral Alex Freeman será o zagueiro daquele setor e deve ter liberdade para avançar para fazer dobradinhas com o ala-direito Sergiño Dest. Já na esquerda, Tim Ream fica para dar liberdade ao ala-esquerdo Antonee Robinson de usar o corredor enquanto Christian Pulisic cai para o meio.

Ainda existem três dúvidas para Pochettino. No gol, Matt Freese e Matt Turner têm revezado jogos e nenhum dos dois mostrou uma grande vantagem em relação ao outro, apesar de Freese ser bom pegador de pênaltis. Já na zaga, o melhor jogador da posição, Chris Richards, ainda não tem condição de jogo e não participou de nenhum dos amistosos pré-Copa. E no ataque, existe a dúvida sobre quem será o centroavante: Ricardo Pepi parece oferecer melhor capacidade de conexão com a construção de jogo, como mostrou contra Senegal, enquanto Folarin Balogun tem mais faro de gol dentro da área.

O que esperar dos Estados Unidos

Jogando em casa, os Estados Unidos querem pelo menos igualar o feito da última vez que jogaram em casa, passar ao mata-mata. Daí para frente, com variações de estilo, a equipe comandada por Pochettino pode dar trabalho aos rivais. Curiosamente, talvez o melhor caminho para os norte-americanos seja passar em segundo lugar do grupo, possibilitando melhores confrontos na segunda fase (seria também um segundo colocado) e também a partir das oitavas de final.

Provável escalação dos Estados Unidos (3-4-2-1): Matt Freese, Alex Freeman, Chris Richards (Mark McKenzie) e Tim Ream; Sergiño Dest, Sebastian Berhalter, Tyler Adams e Antonee Robinson; Weston McKennie e Christian Pulisic; Folarin Balogun

Destaque

Chegou o momento para o LeBron James do soccer… ops, Christian Pulisic (“sick” como doente em inglês, não como os sobrenomes croatas). Prometido como o grande nome do futebol estadunidense há alguns anos, não conseguiu liderar a provável melhor geração de jogadores do país a grandes resultados.

O atacante vem de um momento ruim no Milan e não tinha produzido muito pela seleção, mas o gol no amistoso contra Senegal e o fato de não ser mais o capitão da seleção, honra dada a Tim Ream, podem ajudar bastante o meia-atacante a desempenhar melhor naquele que é o torneio mais importante de sua carreira.

Fique de olho

Alex Freeman no evento de convocação da seleção estadunidense (Foto: IMAGO / Brazil Photo Press)
Alex Freeman no evento de convocação da seleção estadunidense (Foto: IMAGO / Brazil Photo Press)

Alex Freeman fez seu primeiro jogo como titular na carreira profissional apenas em março de 2025, quando começou a temporada da MLS pelo Orlando City. A ascensão foi tão rápida que, em menos de um ano, rendeu uma vaga no time de melhores do ano da liga, convocação para a seleção americana (com 13 jogos ainda no primeiro ano) e uma transferência para o Villarreal.

Ainda com 21 anos, ele oferece bastante versatilidade a Pochettino. Lateral de origem, ele deve ser o zagueiro pelo lado direito em uma linha de três e também pode se juntar ao meio-campo para oferecer mais uma opção na progressão da bola.

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PARAGUAI

  • Técnico: Gustavo Alfaro
  • Capitão: Gustavo Gómez
  • Como se classificou: 6º lugar das Eliminatórias Sul-Americanas
  • Participações em Copa: 8
  • Melhor participação: Quartas de final (2010)
  • Desempenho na última participação: Quartas de final (2010)

O que você precisa saber sobre o Paraguai

Após ficar de fora da Copa do Mundo em três edições seguidas, o Paraguai viveu uma revolução dentro de campo até chegar ao Mundial, retornando à competição após 16 anos

A Albirroja viveu momentos de instabilidade durante as Eliminatórias Sul-americanas e só conseguiu reagir após a sexta rodada, quando somava apenas um gol. Foi quando a Associação Paraguaia de Futebol decidiu pela 11ª troca de comando em 13 anos, substituindo Daniel Garnero por Gustavo Alfaro. 

O argentino, então, implementou não apenas um DNA, mas um estilo que traria a reação imediata e necessária para o grupo: pregando intensidade e reforçando a importância dos jogos sem sofrer gols. Alfaro estabeleceu um 4-4-2 em quase todas as partidas, mudando para uma linha de cinco defensores apenas nos jogos em altitude contra Equador e Bolívia.

Diante das mudanças, Alfaro também trouxe de volta a solidez defensiva e intensidade coletiva, abandonando um futebol baseado na posse de bola, que não colheu frutos.

O resultado do seu trabalho também se expressa em números. Isso porque o Paraguai passou invicto pelos nove primeiros jogos sob o comando do argentino – sequência que incluiu vitórias sobre Argentina, Brasil e Uruguai, tendo a sequência interrompida apenas na partida contra a seleção brasileira fora de casa. 

O que esperar do Paraguai

Em um grupo bastante aberto, a expectativa paraguaia é de passar de fase. Paraguai vive a expectativa por uma campanha que consiga ir mais longe do que as quartas de final, alcançadas em 2010, especialmente depois da empolgante classificação com o técnico Gustavo Alfaro, onde chegou a superar rivais continentais. 

Escalação provável do Paraguai (4-4-2): Orlando Gill, Juan Cáceres, Gustavo Gómez, Omar Alderete e Junior Alonso; Diego Gómez, Andrés Cubas, Damián Bobadilla e Miguel Almirón; Julio Enciso (Kaku) e Antonio Sanabria 

Destaque

É consenso que o principal nome da Albirroja no ciclo atual é o de Julio Enciso. Considerado um dos maiores jogadores revelados pelo futebol paraguaio nos últimos 20 anos, o meia-atacante tem como principais atributos a sua velocidade e as jogadas diretas, podendo decidir especialmente no último terço do campo. 

La Joya, como é apelidado, estreou na seleção nacional aos 17 anos enquanto defendia o Libertad. Depois passou a atuar na Premier League defendendo o Brighton, onde ficou conhecido por marcar gols de fora da área. Com as lesões e mudanças de treinador, o jogador acabou perdendo espaço e chegou a ser emprestado ao Ipswich Town, até que foi transferido para o Strasbourg após seis temporadas atuando no futebol inglês. 

Enciso sofreu uma lesão no amistoso do Paraguai contra a Nicarágua, mas deve seguir no elenco, por mais que talvez atue apenas na última partida da fase de grupos.

Fique de olho

Filho do ex-goleiro Aldo Bobadilla, Damián Bobadilla seguiu os passos do pai ao escolher a carreira no futebol, tornando-se um meio-campista de destaque no elenco paraguaio.

Bobadilla em ação pela seleção paraguaia (Foto: IMAGO / Icon Sportswire)
Bobadilla em ação pela seleção paraguaia (Foto: IMAGO / Icon Sportswire)

Bobadilla se desenvolveu em seu clube de infância, o Cerro Porteño, ainda em 2021, e passou a aprimorar as características essenciais para atuar na função: o jogo físico, a calma e as tomadas de decisões inteligentes.

Desde 2024, ele joga pelo São Paulo, onde se consolidou no elenco principal aos 24 anos. A Copa do Mundo pode ser a despedida do paraguaio do Tricolor, inclusive, já que ele é um dos principais ativos do clube e já interessa a times europeus.

AUSTRÁLIA

  • Técnico: Tony Popovic
  • Capitão: Mat Ryan
  • Como se classificou: 2º lugar no Grupo C da segunda fase das Eliminatórias Asiáticas
  • Participações em Copa: 6
  • Melhor participação: Oitavas de final (2006 e 2022)
  • Desempenho na última participação: Oitavas de final (2022)

O que você precisa saber sobre a Austrália

A Austrália chega à sua sétima Copa do Mundo, com seis classificações seguidas, como a 27ª melhor seleção no ranking da Fifa. Depois de uma grande sequência nas Eliminatórias, teve resultados mistos nos amistosos das últimas Datas Fifa.

O time de Popovic teve três derrotas consecutivas para fechar o ano de 2025, contra Estados Unidos, Venezuela e Colômbia, marcando apenas um gol. Em março deste ano, venceu Camarões e goleou Curaçao e recuperou o ritmo, mas voltou a perder em maio, para o México.

Os australianos formaram um time sólido e compacto no meio-campo, com alas que ajudam bastante na defesa a partir de um 3-4-2-1. A principal questão da equipe, no entanto, é o poderio ofensivo limitado, apesar de jovens de potencial.

O que esperar da Austrália

Com jovens de grande projeção no time que disputará a Copa de 2026, a Austrália pode sonhar em voltar ao mata-mata, como no último Mundial. Com uma fase a mais e até mesmo com a possibilidade de terceiros colocados se classificarem aos 16 avos, voltar às oitavas pode ser um sonho realista, por mais que difícil.

Escalação provável da Austrália (3-4-2-1): Mat Ryan, Alessandro Circati, Harry Souttar, Lucas Herrington; Jacob Italiano, Jackson Irvine, Aiden O’Neill, Jordan Bos; Matthew Leckie, Connor Metcalfe; Mohamed Touré

Destaque

A geração australiana conta com uma mescla entre destaques experientes como Ryan (34), Jackson Irvine (33) e Mathew Leckie (35), e joias jovens. Na defesa, Alessandro Circati, do Parma, e o ala-esquerdo Jordan Bos, do Feyenoord, aparecem como os mais consolidados.

Mas o grande nome da Austrália na Copa pode ser Mohamed Touré. Aos 22 anos, são apenas nove jogos com a seleção principal e dois gols, mas dominou a Championship desde que chegou ao Norwich, em janeiro. Foram nove gols e três assistências em 11 partidas. O centroavante titular dos Socceroos é a esperança ofensiva do time.

Fique de olho

Irankunda durante amistoso da Austrália (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)
Irankunda durante amistoso da Austrália (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

Nestory Irankunda é a joia australiana. Do campo de refugiados ao Bayern de Munique em poucos anos, o atacante é uma explosão física e técnica, e aos 20 anos já acumula 14 jogos e cinco gols com a seleção principal da Austrália. Participou de 40 jogos com o Watford na Championship e esteve envolvido em nove gols, mesmo não sendo titular absoluto. Pode ser um nome que “bagunça” os jogos para a Austrália nos segundos tempos.

TURQUIA

  • Técnico: Vincenzo Montella
  • Capitão: Hakan Çalhanoglu
  • Como se classificou: Repescagem Europeia (eliminou Romênia e Kosovo)
  • Participações em Copa:
  • Melhor participação: Terceiro lugar (2002)
  • Desempenho na última participação: Terceiro lugar (2002)

O que você precisa saber sobre a Turquia

A nova geração turca tem conseguido se colocar entre as potências da Europa ao longo dos últimos anos. Além da Copa do Mundo, a seleção conquistou a classificação às duas últimas Eurocopas (2020 e 2024). Montella, italiano, se destacou como técnico do Adana Demirspor antes de assumir o comando da Turquia, em 2023. 

Sob seu comando, e depois de bater na trave nas Eliminatórias para o Mundial em 2022, a Turquia conquistou a classificação de forma heroica, eliminando a surpresa Kosovo, que buscava sua primeira Copa do Mundo. Para o Mundial, a principal dúvida de Montella passa pela posição de centroavante. 

Arda Güler e Kenan Yildiz, destaques de Real Madrid e Juventus, respectivamente, chegam como principais referências da equipe, e nenhum dos dois ainda havia nascido na última participação da Turquia em Copas do Mundo. Agora, a dupla carrega a esperança de um país que volta a figurar no principal palco do futebol. 

O que esperar da Turquia

A Turquia, apesar de não ser cabeça de chave, chega com certo favoritismo para avançar à próxima fase. Está no grupo mais equilibrado do torneio, ao lado de Estados Unidos, Paraguai e Austrália. Mesmo com problemas no ataque, a expectativa é de que a Turquia avance ao menos até as oitavas de final.

Escalação provável da Turquia (4-2-3-1): Ugurcan Cakir; Ferdi Kadıoglu, Merih Demiral, Abdulkerim Bardakci e Zeki Celik; Hakan Calhanoglu e Ismail Yuksek; Arda Güler, Orkun Kökçü e Kenan Yildiz; Baris Alper Yilmaz. 

Destaque

Arda Güler, mesmo com apenas 21 anos, chega como a referência da Turquia para o torneio. Sob o comando de Xabi Alonso, ganhou espaço no time titular do Real Madrid a partir desta temporada, e seguiu como um dos destaques dos merengues com a chegada de Álvaro Arbeloa. Nesta temporada, marcou quatro gols e deu nove assistências com a camisa do Real Madrid em LaLiga. 

Fique de olho

Ao lado de Güler, Kenan Yildiz é a outra referência do ataque da Turquia. Nascido na Alemanha, ele optou por defender o país de sua família depois de não ganhar espaço nas categorias de base do Bayern de Munique e da seleção nacional. 

Comparado a Del Piero, o meia-atacante da Juventus é cobiçado por grandes clubes da Europa. Na classificação sobre Kosovo, apesar de não ter marcado, foi o melhor jogador da Turquia na partida. Chega motivado aos Estados Unidos. 

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Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.
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Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.
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Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.
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Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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