Copa do Mundo

Grupo F da Copa do Mundo: O que você precisa saber sobre Países Baixos, Japão, Suécia e Tunísia

Neerlandeses lideram grupo com japoneses podendo surpreender, enquanto suecos e tunisianos tentam apagar passado recente ruim

Os Países Baixos são os cabeças de chave do Grupo F, uma coleção curiosa de equipes na Copa do Mundo de 2026. Os neerlandeses chegam sem convencer contra equipes de maior porte, o Japão tenta consolidar um ciclo que teve bons momentos, a Suécia quer provar que a segunda chance nas Eliminatórias valeu a pena e a Tunísia busca um melhor equilíbrio entre ataque e defesa.

O primeiro jogo do grupo acontece no domingo (14), às 17h (horário de Brasília), com Países Baixos e Japão se enfrentando em Arlington, no Texas. Mais tarde, no mesmo dia, às 23h (horário de Brasília), Suécia e Tunísia fecham a rodada inicial em Monterrey, no México.

Conheça mais sobre os times do Grupo F da Copa do Mundo.

Confira também a análise dos outros grupos da Copa do Mundo 2026: Grupo A | Grupo B | Grupo C | Grupo D | Grupo E

PAÍSES BAIXOS

Técnico: Ronald Koeman
Capitão: Virgil van Dijk
Como se classificou: Liderando o grupo G das Eliminatórias Europeias
Participações em Copa: 11
Melhor participação: Vice-campeão (1974, 1978 e 2010)
Desempenho na última participação: Eliminado pela Argentina nos pênaltis, nas quartas de final

O que você precisa saber sobre os Países Baixos

Ronald Koeman tem montado sua seleção em um 4-2-3-1 com um grupo forte no meio-campo e uma defesa que mistura experiência e juventude. O ataque, no entanto, é um misto de jogadores que não atingiram todo seu potencial, mas que ainda estão no auge, nomes inconstantes e um Memphis Depay que deve disputar sua última Copa.

Os Países Baixos tiveram boa participação nas Eliminatórias, invictos em oito jogos e marcando 27 gols enquanto sofreram apenas quatro. A sequência invicta, inclusive, vem desde novembro de 2024, depois de uma derrota por 1 a 0 para a Alemanha na Nations League.

Apesar de um elenco habilidoso, a geração do país já teve nomes melhores e o maior problema do time de Koeman é a consistência em suas exibições. Contra adversários mais fracos, como Malta e Lituânia, venceu com facilidade, mesmo com momentos em que parecia não ter motivação. Mas enfrentando times mais sólidos, como Polônia, Noruega e Equador, teve dificuldades.

O que esperar dos Países Baixos

Depois de uma campanha de quartas de final em 2022, com um time que era melhor do que o atual, é difícil imaginar que os Países Baixos possam superar essa marca na Copa de 2026. Em um chaveamento que pode colocá-los frente a frente com o Brasil logo nos 16 avos de final e, caso passe, times como Alemanha, França, Senegal ou Noruega nas oitavas, é justo dizer que os neerlandeses podem ficar pelo caminho antes.

Escalação provável dos Países Baixos (4-3-3): Bart Verbruggen, Denzel Dumfries, Virgil van Dijk, Micky van de Ven, Nathan Aké; Frenkie De Jong, Ryan Gravenberch, Tijani Reijnders; Donyel Malen, Memphis Depay, Cody Gakpo.

Destaque

Virgil Van Dijk é o principal nome da geração holandesa na década e deve disputar sua última Copa do Mundo. Mesmo que longe do seu auge, ainda é o líder motivacional e dentro de campo, e será crucial para a organização defensiva do time de Koeman. De Jong, por outro lado, é o maestro do meio-campo e o termômetro para os bons jogos da equipe.

Fique de olho

Brian Brobbey em ação pelos Países Baixos (Foto: IMAGO / DeFodi Images)
Brian Brobbey em ação pelos Países Baixos (Foto: IMAGO / DeFodi Images)

Em um time que só terá um jogador de linha com menos de 24 anos (Hato, que deve ser reserva na defesa), Brian Brobbey pode despontar como astro em ascensão. Depois de dois anos mágicos no Ajax como um jovem promissor, o atacante caiu de rendimento e se transferiu para o Sunderland, onde marcou sete gols na Premier League. Em uma Copa do Mundo em que pode entrar e mudar o jogo como um centroavante forte e rápido, tem chance de se destacar.

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JAPÃO

Técnico: Hajime Moriyasu
Capitão: Wataru Endo
Como se classificou: Primeiro colocado do Grupo C na terceira fase das Eliminatórias Asiáticas
Participações em Copa: 8
Melhor participação: Oitavas de final (2002, 2010, 2018 e 2022)
Desempenho na última participação: Oitavas de final (2022)

O que você precisa saber sobre o Japão

O Japão chega para a Copa vivendo talvez o ciclo mais sólido e competitivo de sua história recente. Sob o comando de Hajime Moriyasu, a seleção consolidou uma identidade moderna, misturando intensidade física, organização coletiva e muita qualidade técnica. A liderança tranquila nas Eliminatórias Asiáticas confirmou a evolução de uma equipe que hoje consegue competir em alto nível não apenas dentro do continente, mas também contra as principais potências do futebol mundial.

Taticamente, o Japão costuma partir de um 3-4-2-1 extremamente móvel e versátil. Sem a bola, a estrutura frequentemente se transforma em uma linha de cinco defensores, compactando espaços e dificultando infiltrações. Já com a posse, os alas avançam agressivamente e o sistema ganha características muito ofensivas, aproximando vários jogadores do centroavante. A circulação de bola rápida e a constante movimentação fazem com que o time consiga escapar da pressão rival com naturalidade, explorando principalmente a velocidade e o talento dos homens de frente.

Contra adversários de menor nível técnico, os japoneses normalmente assumem o controle territorial da partida através da pressão alta e do volume ofensivo. O meio-campo técnico dá sustentação à posse, enquanto os jogadores de lado criam situações frequentes de um contra um perto da área. Mas é diante das seleções mais fortes que o Japão tem mostrado uma faceta especialmente perigosa: o jogo de transição. A equipe acelera com enorme eficiência após recuperar a bola, aproveitando a fluidez ofensiva, a intensidade física e a capacidade de seus atacantes atuarem em diferentes zonas do campo.

Essa combinação ficou muito evidente na Copa do Mundo de 2022, quando os japoneses derrotaram a Espanha explorando justamente a velocidade das transições e a organização defensiva.

O que esperar do Japão

O Japão chega para a Copa com expectativa real de avançar ao mata-mata e sonhar com a campanha mais histórica de sua trajetória. Em um Mundial expandido, agora com a fase de 16 avos de final antes das oitavas, a seleção japonesa parece ainda mais preparada para aproveitar sua consistência coletiva e a experiência internacional do elenco. A equipe de Hajime Moriyasu já demonstrou nos últimos anos que consegue competir de igual para igual contra seleções de elite, especialmente em jogos de transição e intensidade alta.

Dependendo do caminho no torneio, porém, o desafio pode crescer rapidamente: uma possível segunda colocação no grupo poderia colocar o Japão diante do Brasil logo nas oitavas de final. Mesmo após a vitória japonesa por 3 a 2 no amistoso de outubro de 2025, os brasileiros seguiriam como favoritos em um eventual confronto, mas os japoneses chegam cada vez mais convencidos de que podem voltar a surpreender uma potência mundial em Copa do Mundo.

Escalação provável do Japão (3-4-2-1): Zion Suzuki; Ko Itakura, Hiroki Ito e Shogo Taniguchi; Hidemasa Morita, Wataru Endo, Ritsu Doan e Keito Nakamura; Takefusa Kubo e Daichi Kamada; Ayase Ueda.

Destaque

Em uma geração japonesa repleta de talento e cada vez mais rica em opções ofensivas, Wataru Endo segue sendo a peça mais indispensável da equipe. Capitão da seleção e jogador do Liverpool, o volante é o responsável por dar equilíbrio a um time que gosta de pressionar alto, atacar com muitos jogadores e acelerar as transições.

Enquanto nomes como Kubo, Kamada, Doan e Minamino dividem o protagonismo criativo, Endo é quem sustenta toda a estrutura coletiva, protegendo a defesa e permitindo que os companheiros atuem com maior liberdade. Sua capacidade de vencer duelos, recuperar bolas e cobrir grandes espaços no meio-campo faz dele um elemento praticamente insubstituível para Hajime Moriyasu.

Fique de olho

Daichi Kamada durante amistoso da seleção japonesa (Foto: IMAGO / AFLOSPORT)
Daichi Kamada durante amistoso da seleção japonesa (Foto: IMAGO / AFLOSPORT)

Em uma seleção que costuma destacar nomes como Wataru Endo, Takefusa Kubo e Kaoru Mitoma nos debates internacionais, Daichi Kamada frequentemente passa despercebido. No entanto, o meia do Crystal Palace é uma das peças mais importantes do sistema de Hajime Moriyasu.

Capaz de atuar como armador, meia-atacante ou até em funções mais avançadas, ele oferece inteligência tática, mobilidade e qualidade técnica para conectar os diferentes setores da equipe.

Kamada é o tipo de jogador que nem sempre aparece nas estatísticas, mas influencia diretamente o ritmo das partidas. Sua capacidade de encontrar espaços entre as linhas adversárias e acelerar as transições ofensivas faz dele uma peça valiosa em um time que aposta na movimentação constante.

SUÉCIA

Técnico: Graham Potter
Capitão: Victor Lindelof
Como se classificou: Repescagem das Eliminatórias Europeias (eliminou Ucrânia e Polônia)
Participações em Copa: Essa será a 13ª participação
Melhor participação: Final (1958)
Desempenho na última participação: Quartas de final (2018)

O que você precisa saber sobre a Suécia

A Suécia desembarca na Copa do Mundo após uma trajetória tortuosa. A equipe viveu uma campanha desastrosa nas Eliminatórias Europeias, terminando na última colocação de seu grupo sem conquistar uma única vitória. A classificação só foi possível graças ao excelente desempenho anterior na Liga das Nações, que garantiu uma vaga na repescagem. Foi nesse cenário de crise que Graham Potter assumiu o comando e conseguiu reorganizar uma seleção que parecia sem rumo, conduzindo-a às vitórias sobre Ucrânia e Polônia nos playoffs decisivos.

A principal mudança promovida por Potter foi devolver equilíbrio ao time. Depois de um período marcado por instabilidade defensiva, a Suécia passou a atuar de maneira mais pragmática, priorizando a organização sem a bola e a compactação entre os setores. Embora o treinador tenha utilizado diferentes estruturas ao longo do processo, a equipe encontrou maior segurança com uma linha defensiva mais protegida (três zagueiros) e uma postura reativa, apostando em transições rápidas sempre que recupera a posse.

Na prática, a força sueca está na combinação entre solidez coletiva e talento individual no ataque. Jogadores como Alexander Isak, Viktor Gyokeres e Anthony Elanga oferecem velocidade, potência física e capacidade para atacar espaços, tornando a seleção especialmente perigosa em contra-ataques.

O que esperar da Suécia

A Suécia chega à Copa com potencial para ser uma das seleções mais incômodas fora do grupo de favoritas. A expectativa mais realista é uma disputa acirrada por uma vaga no mata-mata, especialmente em um Grupo F complicado, que também conta com Holanda e Japão.

Se os homens de frente jogarem o que sabem, os suecos terão poder de fogo suficiente para competir com qualquer adversário. O grande desafio estará na consistência defensiva, já que erros contra equipes tecnicamente qualificadas podem custar caro em uma chave equilibrada. Ainda assim, há motivos para otimismo: esta é considerada uma das gerações mais talentosas produzidas pelo país nas últimas décadas, reunindo nomes consolidados e jovens promessas de grande potencial.

Caso consiga transformar esse talento em entrosamento coletivo, a equipe de Graham Potter tem condições de avançar ao mata-mata e sonhar com uma campanha além das expectativas iniciais.

Escalação provável da Suécia (3-4-2-1): Nordfeldt; Lindelof, Isak Hien (Carl Starfelt) e Gustaf Lagerbielke; Yasin Ayari, Jesper Karlstrom, Daniel Svensson e Gudmundsson; Anthony Elanga e Benjamin Nygren (Alexander Isak); Viktor Gyokeres

Destaque

Viktor Gyokeres chega à Copa do Mundo como a principal referência ofensiva da Suécia. Autor do gol salvador na repescagem contra a Polônia, o camisa 9 foi peça fundamental na campanha que levou sua seleção ao Mundial. Combinando potência física, intensidade sem a bola e grande capacidade de finalização, o atacante do Arsenal é o jogador em quem os suecos depositam suas maiores esperanças para liderar o ataque e transformar oportunidades em gols durante a Copa.

Fique de olho

Lucas Bergvall em ação pela Suécia (Foto: IMAGO / Bildbyran)
Lucas Bergvall em ação pela Suécia (Foto: IMAGO / Bildbyran)

Mesmo sem status de titular absoluto, Lucas Bergvall é um dos jogadores mais promissores da seleção sueca e pode ganhar protagonismo ao longo da Copa do Mundo. Aos 20 anos, o meio-campista do Tottenham reúne características cada vez mais valorizadas no futebol moderno: qualidade técnica, capacidade de conduzir a bola em velocidade e inteligência para ocupar diferentes espaços no meio-campo.

Sua versatilidade permite atuar tanto em funções mais recuadas quanto em posições mais avançadas, oferecendo alternativas importantes para Graham Potter durante as partidas.

TUNÍSIA

Técnico: Sabri Lamouchi
Capitão:
Ellyes Skhiri
Como se classificou:
Líder do grupo H das Eliminatórias Africanas
Participações em Copa:
7
Melhor participação:
Fase de grupos (7 vezes)
Desempenho na última participação:
Fase de grupos (2022)

O que você precisa saber sobre a Tunísia

Outra participante que mudou de técnico às vésperas da competição, mas não deve ter uma grande mudança em seu estilo de jogo. Nos últimos anos, a Tunísia se firmou como uma seleção chata de enfrentar por sua linha de defesa muito baixa, meio-campo compacto e muita dedicação para defender a área. O Brasil sofreu com isso no empate em 1 a 1 em novembro passado. Era assim com Sami Trabelsi, técnico demitido após a eliminação nas oitavas de final da Copa Africana de Nações, em janeiro, e segue sendo com Sabri Lamouchi, atual comandante.

A qualidade defensiva é tão grande que até em jogos que tem mais obrigação de atacar consegue se manter segura. Não sofreu nenhum gol nas 10 partidas das Eliminatórias.

O novo treinador, porém, quer ser mais do que um cara defensivo. Ele chegou para rejuvenescer alguns setores na seleção. Chamou e conseguiu a naturalização do alemão Rani Khedira, irmão do campeão do mundo Sami Khedira, promoveu a estreia da joia Khalil Ayari, do PSG, convocou pela primeira vez os jovens Rayan Elloumi e Raed Chikhaoui e trouxe de volta Omar Rekik após quatro anos fora do selecionado.

O que esperar da Tunísia

Eliminada na fase de grupos em todas as edições que disputou, a seleção tunisiana dificilmente conseguirá o primeiro mata-mata de sua história em um grupo tão equilibrado. A tarefa é tentar aproveitar a fragilidade de algum dos adversários, que, por diferentes motivos, não têm sido tão regulares como em outros momentos.

Escalação provável da Tunísia (4-2-3-1): Aymen Dahmen, Yan Valery, Dylan Bronn, Montassar Talbi e Ali Abdi; Ellyes Skhiri e Rani Khedira; Sebastian Tounekti, Hannibal Mejbri e Elias Saad; Hazem Mastouri

Destaque

Quando era da base do Manchester United, Hannibal Mejbri era tratado como uma grande promessa, mas acabou sem cumprir as expectativas no gigante inglês. Para as Águias de Cartago, no entanto, é um pilar, já com 44 jogos, tendo apenas 23 anos. Vem de temporada na Premier League com o rebaixado Burnley, sem um grande destaque. É um meia com grande capacidade criativa.

Fique de olho

Khalil Ayari durante amistoso da Tunísia (Foto: IMAGO / Branislav Racko)
Khalil Ayari durante amistoso da Tunísia (Foto: IMAGO / Branislav Racko)

Jovem que chegou à base do PSG no ano passado, Khalil Ayari é uma das promessas para o futuro da seleção. É um ponta canhoto com bom drible e agilidade. Chegou a atuar nos dois amistosos de março, um deles como titular, e pode ser um jogador importante, dando um frescor ao time vindo do banco de reservas.

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Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.
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Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.

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