Copa do Mundo

Prodígio de berço: Bergvall herda talento de mãe e avó em busca de consolidação na Suécia

Meia do Tottenham é filho de ex-jogadores de futebol e conviveu com futebol no âmbito familiar desde a juventude

Lucas Bergvall, meio-campista do Tottenham, de apenas 20 anos, chega à Copa do Mundo deste ano como uma das boas esperanças da Suécia, em busca de uma campanha atingindo fases mais agudas.

No entanto, bem antes de se tornar uma das principais promessas da Premier League pelos Spurs, Bergvall teve uma trajetória destinada ao futebol desde o seu nascimento — em especial das mulheres da família.

Bergvall nasceu em berço futebolístico

Nascido em 2006, Lucas Bergvall chegou ao mundo em um ambiente de apaixonados por futebol. Filho de dois ex-jogadores de futebol, Bergvall conheceu os campos rapidamente. Seu pai, Andreas, atuou no nível semiprofissional na Suécia, enquanto sua mãe, Malin, jogou pelo time feminino do Djurgardens IF, por três temporadas, sempre na primeira divisão.

Além dos pais, a avó de Lucas, Lilemor, sempre foi uma fanática pelo futebol e jogou, de forma amadora, até os 48 anos. Ou seja, o destino estava traçado bem antes de Bergvall aprender os primeiros fundamentos com a bola nos pés.

O DNA voltado para as quatro linhas também esteve impregnado em seus irmãos. Theo, de 21 anos, é lateral do Lausanne, da Suíça, enquanto Rasmus, o mais novo, com 17, está realizando a transição para o time principal do Brommapojkarna, da Suécia.

Assim como a maioria dos irmãos com pouca diferença de idade, o trio é fruto do mesmo clube: o Brommapojkarna, responsável por revelar Viktor Gyokeres, do Arsenal, e Dejan Kulusevski, ex-Juventus e companheiro de Bergvall no Tottenham. A partir do desenvolvimento dos três filhos como jogadores profissionais, Andreas Bergvall concedeu uma entrevista ao site “The Athletic”, em maio de 2024, e falou sobre o ambiente familiar, que contava com um campo de futebol ao lado de sua residência, em Estocolmo.

— Outras famílias vão esquiar ou viajar, nós só jogávamos futebol por diversão — afirmou o pai de Bergvall.

Diante do êxito de Lucas, mesmo que ainda jovem, Andreas detalhou a personalidade do atual meia do Tottenham desde pequeno, descrevendo-o como alguém que não aceitava bem a derrota.

— Jogávamos lá e o Lucas sempre chorava quando não ganhava. Colocamos ele nessa colina pequena e chamamos de ‘a colina que chora’. Quando se acalmasse, poderia voltar. Ele gosta de competir e de vencer, mas não é só futebol. Quando jogamos jogos de tabuleiro ou cartas, ele sempre encontra alguma explicação se não ganhar — contou o pai do meia da seleção sueca.

Lucas Bergvall iniciou sua trajetória no futebol ao ingressar, aos seis anos, nas categorias de desenvolvimento do Brommapojkarna e logo em seu primeiro jogo mostrou que nutria algo especial enquanto jogador. Na vitória por 5 a 2 sobre o AIK, Bergvall marcou três gols, o suficiente para empolgar quem começa a testemunhar o talento do jogador.

Um relato interessante colhido pelo “The Athletic” é o de Peter Kisfaludy, atual coordenador esportivo do Djurgarden e ex-Brommapojkarna. Peter revelou que conheceu Bergvall quando a promessa tinha apenas nove anos, em 2015, e, a partir dali, treinou o meia por pouco mais de quatro temporadas. Por ter testemunhado um momento decisivo para o desenvolvimento de Lucas, Kisfaludy detalhou as características de seu pupilo desde muito jovem:

— Ele tinha técnica, velocidade com a bola, era bom nos duelos de um contra um… O melhor era que ele adorava treinar. Quando o treino terminava e seu time perdia, ele chorava e pedia para jogar mais. Ele vinha ao treino no dia seguinte e dizia: ‘Eu vou ganhar.’ Eu adoro essa mentalidade e você precisa disso se quiser jogar na Premier League — detalhou Peter Kisfaludy.

Ainda no sub-13, Bergvall virou um fenômeno na internet por conta de atuações contra Atlético de Madrid e PSG em um torneio de base que seu time foi convidado. Um vídeo com um compilado de lances do meia nas partidas chamou tanta atenção que chegou a um milhão de visualizações no YouTube. Com esse nível de exposição e expectativa, os pais de Lucas passaram a ser muito assediados por agentes e clubes.

— É tão difícil chegar ao nível mais alto. Fomos realistas, mas vimos sua habilidade. Ele ganhou o prêmio de jogador do torneio na Copa de Madrid e foi nesse ponto que entendi que ele era algo especial — revelou Andreas.

Bergvall em ação pelo Djurgardens. Foto: IMAGO/Bildbyran
Bergvall em ação pelo Djurgardens. Foto: IMAGO/Bildbyran

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Estreia no profissional aos 15 anos e ida para o Tottenham

Diante de tamanha expectativa e o fato de sobrar nas categorias inferiores, Peter Kisfaludy conversou com a comissão técnica do Brommapojkarna sobre promover Bergvall e o colocar em campo no time principal. Não demorou para Lucas impressionar, mesmo que muito jovem, e acabar sendo transferido para um clube mais relevante. Em 2022, Kisfaludy se juntou ao Djurgarden, tradicional equipe da Suécia, e logo solicitou a contratação de seu pupilo.

Mesmo com a resistência por conta da idade e prematura ascensão de Bergvall ao time principal, Peter conseguiu convencer seu novo clube a gastar 1 milhão de euros (R$ 5,8 milhões na cotação atual) em janeiro de 2023 pelo talento de apenas 16 anos.

Em um contexto que exigiria maior maturidade do jovem meia, Lucas Bergvall surpreendeu a todos ao se adaptar rapidamente e se colocar como um jogador importante. Rapidamente, foi notado pela seleção sueca e, a partir de sua estreia, em janeiro de 2024, chamou atenção de grandes europeus, como o Tottenham e o Barcelona.

Mesmo com o peso do interesse de um gigante como o Barça, a abordagem dos Spurs animou a família Bergvall, como revelou a mãe de Lucas:

— O Tottenham teve uma apresentação muito boa. Eles pareciam conhecê-lo muito bem e podiam explicar e mostrar muitos clipes como queriam usá-lo. Eles sabiam quais eram seus pontos fortes e fracos. Não foi apenas uma proposta de transferência — revelou Malin.

A visita ao centro de treinamento dos Spurs e os encontros presenciais com Daniel Levy e Ange Postecoglou, respectivamente CEO e treinador do clube na época, foram decisivos para que Bergvall escolhesse o clube do norte de Londres ao invés do Barcelona, que ainda não havia definido um novo treinador após a saída de Xavi Hernández. Assim, com um ano no Djurgarden, Lucas elevou seu valor de mercado em dez vezes, consumando a transferência para o Tottenham em julho de 2024, por 10 milhões de euros (R$ 58 milhões).

Primeiros anos na Inglaterra ainda são tímidos

A expectativa pelo desenvolvimento de Lucas Bergvall é alta no Tottenham mesmo sem ter se consolidado como titular nas suas primeiras duas temporadas. Inclusive, o ano de 2024/25, seu primeiro na Inglaterra, foi surpreendente em questão de minutagem. Bergvall atuou em 45 partidas, com 2.334 minutos em campo, o que se traduz em praticamente 26 jogos inteiros. A partir deste nível de oportunidades, o meia marcou um gol e contribuiu com outras quatro assistências.

No que se esperava como a temporada de ascensão de Bergvall na Inglaterra, a prática não foi exatamente como o esperado, até pelo ano desastroso do Tottenham, que está ameaçado de rebaixamento na Premier League. Em uma campanha de extrema pressão sempre que solicitado, o meia sueco totaliza 31 jogos em 2025/26, com um gol e cinco assistências.

Apesar disso, sua participação na Copa do Mundo não está ameaçada, até pela bagagem do nível de enfrentamento que possui na Inglaterra. Pela seleção sueca, a trajetória de Bergvall ainda é modesta, com apenas oito jogos disputados, incluindo os dois decisivos para qualificação da Suécia na repescagem europeia, contra Ucrânia e Polônia. O que há de concreto é o talento e a esperança que Lucas detém, principalmente de quem o viu crescer no futebol. Com inspiração das mulheres da família, pode marcar de vez o sobrenome na história da Suécia.

Lucas Bergvall celebra gol pelo Tottenham
Lucas Bergvall celebra gol pelo Tottenham (Foto: Imago)
Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaRedator de esportes

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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