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Derrota do Brasil de Ancelotti para o Japão é simbólica, mas pode ser útil no pré-Copa

Canarinho entrou em campo com várias mudanças, chegou a abrir 2 a 0 no placar, mas terminou levando a virada após erros defensivos seguidos

Ancelotti quer fazer testes até a Copa do Mundo de 2026, e a partida amistosa contra o Japão, nesta terça-feira (14), foi mais uma oportunidade para o italiano. Contra os japoneses foram oito alterações em comparação ao time que iniciou jogando contra a Coreia. Apenas Casemiro, Vini Junior e Bruno Guimarães foram mantidos entre os titulares.

O treinador italiano disse, em coletiva prévia ao duelo, que iria rodar a equipe para testar diversos jogadores em diferentes esquemas. Os amistosos da Data Fifa de março de 2026, seriam os decisivos para definir a convocação para a Copa do Mundo.

— Os jogadores que estão aqui, para se motivarem, têm que pensar que podem jogar. Um pouco de concorrência no time é bom para a motivação de cada jogador. Um time bem definido pode estar na Copa do Mundo. Acho que, neste momento, tem que rodar para ver como trabalham em diferentes sistemas — disse o treinador.

Dentro de campo, as alterações pareciam não comprometer primeiro tempo diante do Japão, mas a etapa final teve uma atuação desastrosa – com falhas individuais na defesa, como a de Fabrício Bruno no primeiro gol japonês – que devem fazer Ancelotti repensar a quantidade de testes nos próximos amistosos.

Apesar do jogo também ser contra uma seleção da escola asiática, os japoneses tem uma maneira diferente de jogar do que a Coreia do Sul e possuem um melhor nível técnico, com mais entrosamento também. O Brasil até chegou a ter algumas dificuldades no início e levar sustos, mas conseguiu se reorganizar a abrir 2 a 0 ainda no primeiro tempo.

SELEÇÃO BRASILEIRA
Seleção Brasileira contra o Japão. (Foto: RAFAELRIBEIRORIO I CBF)

Paulo Henrique, atleta do Vasco, foi quem abriu o placar para a Canarinho aos 25′. A jogada passou pelos pés de Paquetá e Bruno Guimarães, até chegar aos pés do lateral-direito, que invadiu a área e deu um tapa de primeira para abrir o placar. Esse foi o primeiro tento do jogador com a camisa Amarelinha.

O senso de coletividade foi algo que marcou bastante também dentro de campo nesses primeiros minutos, uma vez que a seleção mantinha a tranquilidade para ir tocando a bola e esperando os gols saírem com bastante paciência.

A calma deu certo e aos 31′, o Brasil ampliou, novamente com um jogador que havia sido reserva contra a Coreia, mas ganhou minutagem contra o Japão. Paquetá novamente participou da jogada, dessa vez, com um passe de cavadinha, encontrou Gabriel Martinelli, que mandou um chute de canhota para marcar o segundo da amarelinha.

Enquanto a parte ofensiva ia muito bem, na defensiva o Brasil também demonstrava uma certa segurança durante a primeira etapa. Mas no segundo tempo tudo mudou, e diversas falhas deixaram o setor muito exposto.

Primeiro, Fabrício Bruno, falhou ao ser pressionado e acabou ‘servindo’ Minamino após saída de bola errada, e viu o japonês diminuir o placar. Depois, novamente falhas defensivas assombraram o Brasil.

Primeiro com erro coletivo e Nakamura chutando e vendo o chute desviar em Fabrício Bruno, empatando o jogo. Posteriormente, Ueda virou o jogo, novamente após erro da zaga, que deixou o japonês subir inteiro no escanteio.

Os últimos 45′ foram de domínio total do Japão. A segunda etapa mostrou – em diversos aspectos – como a seleção brasileira está num estágio muito inicial de desenvolvimento. Os poucos amistosos antes da Copa do Mundo vão exigir um trabalho muito complexo do italiano, que pode ter que dosar os testes para encontrar uma equipe-base para o Mundial.

Se há uma utilidade na vitória do Japão – a primeira dos asiáticos na história sobre o Brasil – é a de conter uma euforia que existia desde o primeiro minuto da chegada do italiano ao comando da seleção.

Após a goleada sobre a Coreia por 5 a 0 na semana passada, a imprensa europeia chegou a falar sobre um retorno do ‘jogo bonito’ ao Brasil, que, em realidade, ainda está longe de ser um time coeso como, por exemplo, as rivais Argentina, Espanha e França.

Brasil x Japão
Brasil x Japão em amistoso. (Foto: RAFAELRIBEIRORIO I CBF)

Brasil dá indícios de melhora, mas leva virada do Japão

Com a formação bem modificada em relação ao jogo contra a Coreia, o Brasil demorou para conseguir criar algo diante do Japão. A equipe de Carlo Ancelotti ia encontrando dificuldades para criar jogadas, visto que os japoneses jogavam bastante fechados e apostando em contra-ataques.

A primeira grande chance do jogo foi com Ueda, aos 21′. Minamino chutou e o camisa 18′ desviou, mas a bola passou rente à trave defendida por Hugo Souza.

O susto deu mais gás ao Brasil, que conseguiu se organizar e abrir o placar após uma jogada bem trabalhada entre Paquetá e Bruno Guimarães, até sobrar para Paulo Henrique abrir o placar na saída do goleiro. Aos 31′, novamente o camisa 11 brilhou e deu uma ‘cavadinha’ para Gabriel Martinelli ampliar.

Na segunda etapa, o Japão voltou melhor buscando o gol desde o primeiro minuto, e não demorou para diminuir o placar. Aos 6′, Fabrício Bruno falhou na saída de bola, e Minamino dominou dentro da área e finalizou no ângulo.

Os donos da casa seguiram pressionando e aproveitaram uma falha de marcação aos 16′, para ampliar. Ito encontrou Nakamura livre na área e tocou. O camisa 13 chutou, Fabrício Bruno tentou cortar, mas acabou mandando para a própria meta.

Aos 21′, Joelinton até chegou a marcar, mas o gol foi anulado por impedimento. E quem marcou novamente foram os japoneses. Ito aproveitou falha da defesa novamente e achou Ueda na pequena área, que virou o jogo para os donos da casa.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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