Eliminatórias da Copa

Potter troca estilo por sobrevivência e coloca a Suécia na Copa com Gyokeres salvador

Em pouco tempo de trabalho, treinador inglês deixa estética de lado e conduz suecos de volta ao maior palco do futebol mundial

Graham Potter chegou à seleção sueca com pouco tempo, um ambiente pressionado e quase nenhuma margem para erro. Herdou uma equipe fragilizada emocionalmente, sem confiança e carregando o peso de uma campanha anterior decepcionante.

Diante desse cenário, fez o que muitos treinadores idealistas resistem em fazer: deixou o plano estético em segundo plano. Em vez de tentar impor rapidamente um modelo mais elaborado, de posse, circulação e controle territorial, Potter entendeu que o contexto exigia outra resposta. E foi justamente essa leitura que colocou a Suécia na Copa do Mundo.

A vitória por 3 a 2 sobre a Polônia, em casa, foi quase um retrato fiel dessa nova versão sueca. Longe de controlar o jogo, a equipe sofreu, cedeu campo e conviveu com momentos de forte pressão adversária. Mas competiu com um senso de urgência que faltava há tempos.

A Suécia enfim soube resistir. E, quando teve as chances, foi cirúrgica. Num confronto de repescagem, onde o peso emocional costuma distorcer qualquer plano de jogo, Potter optou por simplificar o caminho e tornar sua equipe funcional.

Elenco sueco comemora classificação para Copa do Mundo
Elenco sueco comemora classificação para Copa do Mundo (Foto: Joel Marklund / Bildbyran / Imago)

Menos identidade estética, mais instinto competitivo: a Suécia de Potter

Isso não significa que o treinador inglês tenha renegado suas ideias. Potter continua sendo um técnico identificado com estruturas flexíveis, inteligência posicional e jogo associativo. A diferença é que, neste curto espaço de tempo, ele percebeu que tentar acelerar uma transformação mais profunda poderia custar a vaga.

Em vez de forçar uma identidade ainda em gestação, ativou o modo sobrevivência: compactou a equipe, reduziu riscos, aceitou jogar sem a bola em vários momentos e apostou numa Suécia mais vertical, física e agressiva nos momentos decisivos.

Contra a Polônia, essa estratégia beirou o caos em alguns trechos. A Suécia foi dominada em boa parte da partida, correu riscos reais de perder o controle da classificação e, por vezes, pareceu sobreviver mais pela entrega e pela eficiência do que por qualquer superioridade estrutural.

Mas há mérito justamente nisso. Potter entendeu que, em “cenários-limite”, nem sempre vence quem joga melhor; muitas vezes, avança quem sabe sofrer. E a Suécia soube sofrer.

A classificação carrega, portanto, um simbolismo importante. Não apenas pelo retorno ao Mundial após a frustração de 2022, justamente quando caiu diante da própria Polônia na repescagem, mas também porque devolve algum sentido competitivo a uma seleção que vinha perdendo relevância.

Inserida agora no Grupo F, ao lado de Japão, Holanda e Tunísia, a Suécia ainda tem ajustes profundos a fazer se quiser ser mais do que uma participante. Mas Potter, ao menos por enquanto, já entregou o que lhe foi pedido no momento mais crítico: resultados, sobrevivência e uma vaga improvável na Copa.

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Suécia é premiada por eficiência e castiga poloneses

Mesmo atuando fora de casa, a Polônia começou mais à vontade em campo, com mais posse de bola e fluidez nas triangulações. Visivelmente pilhados, os suecos abusavam dos passes errados e acumulavam decisões equivocadas. Bastou um lance, no entanto, para isso mudar.

Na primeira boa chegada dos donos da casa, os poloneses sucumbiram e o gol saiu. Com 19′ no relógio, Gyokeres iniciou jogada pela esquerda e encontrou Ayari na área. O camisa 18 deu lindo passe de calcanhar para Elanga, que, de primeira, encheu o pé e acertou o ângulo de Grabara.

Apesar do duro golpe, a seleção de Robert Lewandowski não se abateu. Pelo contrário: manteve a postura arrojada, seguiu propondo o jogo e incomodando os mandantes. Não à toa, buscou o empate pouco depois. Aos 32′, Zalewski carregou pela esquerda, cortou para o meio já invadindo a área e finalizou colocado. A bola desviou levemente em Lagerbielke e morreu no fundo da rede de Nordfeldt — que poderia ter feito melhor no lance.

O cenário novamente parecia positivo para os visitantes, mas a eficiência sueca voltou a falar mais alto antes do intervalo. Mesmo mal na partida, o time de Graham Potter foi para o intervalo em vantagem. Perto dos acréscimos, Nygren cobrou falta na área e encontrou o zagueiro Lagerbielke, que subiu com liberdade no primeiro pau para testar consciente e vencer Grabara.

No apagar das luzes, Gyokeres coloca Suécia na Copa

Gyokeres celebra gol da classificação sueca
Gyokeres celebra gol da classificação sueca (Foto: Maxim Thore / Bildbyran / Imago)

Veio o segundo tempo, e a tônica permaneceu a mesma: Polônia presente no campo de ataque e pressionando em busca do empate, e Suécia se defendendo. Aos dez minutos, essa pressão e dominância surtiu efeito mais uma vez. Em boa jogada coletiva, Matty Cash cruzou bem da direita, Kaminski desviou de cabeça, Zalewski recebeu na esquerda da área e ajeitou para Swiderski, sozinho, empurrar para o gol vazio.

O 2 a 2 obrigou Graham Potter a mexer no time, e a Suécia, aos poucos, foi se encontrando em campo. Aos 42′, o gol salvador — e chorado — saiu. Bergvall finalizou da entrada da área, e Grabara fez boa defesa. No rebote, Zeneli acertou a trave. Na sobra, Gyökeres ganhou dividida com Bednarek e colocou os suecos na Copa do Mundo.

Em qual grupo da Copa a Suécia estará?

Grupo F da Copa do Mundo 2026:

  • Holanda
  • Japão
  • Tunísia
  • Suécia

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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