52 anos depois: RD Congo vai à Copa com justiça e torna grupo de Portugal interessante
Seleção africana só participou do Mundial uma vez, em 1974
A República Democrática do Congo fez história nesta terça-feira (31). Após 52 anos, o selecionado africano voltará à Copa do Mundo, na edição de 2026, graças à vitória por 1 a 0 sobre a Jamaica na final da repescagem mundial no Estádio Akron. Foi um resultado emocionante e merecido.
Desde o primeiro minuto, os congoleses tentaram mais contra um adversário caribenho muito conservador e pouco ofensivo. A agonia só acabou após 120 minutos. O 0 a 0 no tempo normal virou um triunfo com vantagem mínima dos Leopardos, gol do zagueiro Axel Tuanzebe em escanteio aos nove minutos do primeiro tempo da prorrogação.
O Congo só tinha jogado uma Copa, em 1974, quando o país ainda se chamava Zaire. Na ocasião, foi eliminado na fase de grupos com três derrotas para Iugoslávia, Brasil e Escócia.
A participação é marcada pela ameaça de morte do então ditador Mobutu Sese Seko aos jogadores se eles perdessem o último jogo por mais de quatro gols, após terem sofrido nove dos iuguslavos e dois dos escoceses. A seleção brasileira venceu por 3 a 0.
A vitória sobre os jamaicanos ainda é um alento e respiro a uma nação que vive uma sangrenta guerra civil na região leste do seu território entre forças governamentais e grupos rebeldes apoiados por Ruanda, país vizinho.
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RD Congo entra no grupo de Portugal na Copa do Mundo
A classificação dos Leopardos os leva ao grupo K com Portugal, Uzbequistão e Colômbia. O selecionado, muito competitivo e o responsável por eliminar a Nigéria, um dos melhores times do continente africano, nas Eliminatórias Africanas, torna a chave ainda mais aberta e interessante.
A seleção europeia é a clara favorita e está entre as candidatas ao título mundial pela quantidade de ótimos jogadores, mas ainda é inconsistente como forma coletiva. Os Caferos, após dois anos invicta entre 2022 e 2024, somam um período também irregular recentemente. Os uzbeques são a zebra do grupo, podendo abrir espaço para o Congo avançar pelo menos como melhor terceira colocada.
O ex-Zaire estreia justamente contra os portugueses, em 17 de junho, depois tendo a Colômbia, no dia 23, e o Uzbequistão, 27.
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Congo e Jamaica fazem bom 1º tempo
Não foi um caminhão de boas chances para os dois lados, mas foi um primeiro tempo de bom nível, com alternância de domínios. A RD Congo teve melhores momentos, começando de forma intensa e com o objetivo de mudar o cenário do jogo. Além de marcar com Cédric Bakambu, impedido, em cruzamento na área, teve cabeçada do mesmo atacante exigindo defesa de Andre Blake.
A Jamaica superou essa pressão segurando mais a bola depois dos 15 minutos, mas ainda não conseguia criar. Enquanto isso, Meschack Elia era o mais perigoso do lado africano, explorando o corredor direito, por lá uma na rede pelo lado de fora e outra na trave.
Com meia hora, Kasey Palmer limpou a marcação na entrada da área, mas parou na marcação congolesa. Enfim, aos 40, a melhor chance do lado caribenho. Em roubada no campo de ataque, Leon Bailey finalizou e quase acertou o pé do poste.
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Segunda parte é menos agitada
Foi um segundo tempo de muito receio e pouca ousadia. Mesmo iniciando com uma linda chapada de Bakambu, que Blake teve que se esticar todo para defender, o Congo pecou no momento do último passe ou na finalização.
Congo, após muitos erros no começo, reencontrou-se com as substituições. Théo Bongonda estava impedido ao sair na cara do gol antes de outro gol anulado do centroavante. O assistente do tento inválido isolou chance sozinho na área, enquanto Edo Kayembe, outro saindo do banco de reservas, assustou em batida de longe.
A Jamaica foi ainda mais conservadora e, além de peixinho de Bailey para fora, nada criou no campo de ataque na segunda parte.
Prorrogação tem RD Congo melhor e Jamaica ainda reativa
Foram nove minutos da RD Congo, novamente, tomando a iniciativa. Até o gol marcado, teve Ngal’ayel Mukau finalizando na área com perigo e Brian Cipenga fazendo jogada de linha de fundo que culminou no escanteio do gol.
A Jamaica, como mostrou em toda partida, não teve inspiração para empatar. No máximo, Renaldo Cephas, sozinho na ponta direita, limpou bonito a marcação e cruzou rasteiro, mas a defesa afastou. Nos minutos finais, Kayembe ainda perdeu um gol fácil, de frente para Blake, isolanodo feio um passe açucarado.