Eliminatórias da Copa

Itália sucumbe ao fantasma e perde a vaga na Copa do Mundo para a Bósnia-Herzegovina

Tetracampeões mundiais ficam fora do terceiro mundial consecutivo, enquanto bósnios retornam após 12 anos fora

Bósnia-Herzegovina e Itália decidiram uma das vagas europeias para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, nesta terça-feira (31), no Estádio Bilino Polje, e protagonizaram uma verdadeira batalha, que se estendeu aos pênaltis. Os donos da casa levaram a melhor nas cobranças e, assim, estenderam o tabu italiano sem disputar um Mundial. Por outro lado, os bósnios não disputavam uma Copa desde 2014, no Brasil.

O clima de tensão, para além do que estava em jogo, começou antes do duelo. Um vídeo vazado mostrou parte do elenco italiano, após a vitória contra a Irlanda do Norte, assistindo à disputa por pênaltis entre País de Gales e Bósnia, que terminou com o triunfo bósnio. Porém, a reação de Federico Dimarco virou pauta, já que o ala-esquerdo comemorou efusivamente a definição do adversário da Itália na grande decisão por vaga na Copa do Mundo.

Diante disso, Edin Dzeko, atacante de vasta experiência e reconhecimento, inclusive no futebol italiano, tratou de responder ao ocorrido em coletiva de imprensa pré-jogo:

— A Itália não queria jogar no País de Gales, não sei porquê. Fomos lá, sem medo, e vencemos. Não sei por que a Itália deveria ter medo de Gales ou da Bósnia. É uma grande seleção, que já ganhou quatro Copas do Mundo, e se eles têm medo de jogar lá, tem alguma coisa errada — alfinetou o jogador.

Em sua defesa, Dimarco desconversou e afirmou respeitar muito seus adversários:

— Sempre tive um profundo respeito por qualquer clube e seleção. Foi uma reação instintiva, porque estávamos entre amigos e companheiros, diante de uma disputa de pênaltis — afirmou o ala da Inter de Milão.

A batalha com bola rolando

Tratando de bola rolando, o ambiente do Estádio Bilino Polje chamou atenção, mesmo com a limitação de nove mil ingressos comercializados — pouco mais da metade da capacidade do estádio — por conta de uma punição da Fifa diante de atos de discriminação em partida anterior, contra a Romênia.

Apesar do gol italiano no primeiro tempo, a Bósnia foi mais incisiva e perigosa em suas investidas ofensivas. Com menos de 10 minutos, os donos da casa chegaram com perigo ao gol de Gianluigi Donnarumma duas vezes. Uma em um chute cruzado e outra com uma finalização de fora de Ermedin Demirovic.

O banho de água fria para os bónios chegou aos 14 minutos, quando o goleiro Nikola Vasilj saiu jogando errado, Nicolo Barella retomou e acionou Moise Kean rapidamente. O atacante pegou de primeira e abriu o placar com um belo gol.

Mesmo com o gol sofrido, o time de Sergej Barbarez não se intimidou e iniciou uma série de respostas. Dzeko foi o primeiro, com um arremate pra fora logo em seguida do tento italiano. Aos 19, Ivan Basic acertou uma bomba e obrigou Donnarumma a fazer grande defesa.

Apesar de tentar esfriar o jogo mantendo maior posse de bola, a equipe de Gennaro Gattuso se mostrou muito permissiva às investidas bósnias, que não cessaram. Katic quase marcou de cabeça em duas oportunidades, Demirovic, também no jogo aéreo, passou perto de igualar o marcador mais próximo do fim da primeira etapa.

Bosnia-Erzegovina vs Italia – Finale degli spareggi di qualificazione ai Mondiali 2026
Moise Kean abriu o placar para a Itália. Foto: Icon Sport

No entanto, o fato do jogo ocorreu aos 40 minutos, quando Bastoni impediu um ataque promissor da Bósnia com um carrinho em Amar Memic e acabou expulso. O que já se configurava como uma pressão, com uma discrepância de 13 finalizações contra apenas duas da tetracampeã mundial, passou a ser um ataque contra defesa.

Com um a menos, a Itália se fechou ainda mais e buscou compactar mais suas linhas, deixando Moise Kean como válvula de escape para contra-ataques durante metade do segundo tempo. No entanto, na estocada tão esperada, o atacante finalizou por cima frente a frente com Vasilj. Após um atacado de substituições, a Bósnia chegou com muito perigo em finalização de Benjamin Tahirovic, parando em grande defesa de Donnarumma.

Na mesma configuração de ataque contra defesa, os italianos tiveram duas oportunidades de matar o confronto. Uma com Esposito, que entrou no lugar de Kean, e outra com Dimarco. O que tanto se adiou, acabou por acontecer na base da pressão.

Em sua principal via de ataque, a Bósnia chegou ao empate no minuto 33 após um cruzamento de Dedic que achou Dzeko. O atacante desviou e obrigou Donnarumma a uma grande defesa, mas, no rebote, Haris Tabakovic não perdoou. Antes do fim dos 90 minutos, os bósnios tiveram mais uma chance, mas Demirovic parou em mais um milagre de Donnarumma.

Seguindo o padrão de faltar inspiração, mas sobrar pressão e dramaticidade, Bósnia e Itália foram para a prorrogação. O contexto não mudou, principalmente pelo desgaste físico da seleção italiana, que superava os 50 minutos com um jogador a menos. Com todos esses elementos somados ao evidente receio do erro em um momento tão decisivo, o jogo passou a ser ainda mais truncado durante os 30 adicionais.

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Pênaltis são um capítulo à parte

Antes das cobranças de pênaltis, Edin Dzeko, principal referência técnica da Bósnia, sofreu uma lesão no ombro e acabou impossibilitado de cobrar uma das penalidades. Assim, com Donnarumma do outro lado, a pressão para os donos da casa só aumentou.

Porém, a primeira rodada de batidas já colocou os bósnios em alta. Enquanto Tahirovic converteu, Francisco Pio Esposito isolou. Na seguinte, Tabakovic e Tonali estufaram as redes.

O jovem Kerim Alajbegovic seguiu os 100% de aproveitamento para a Bósnia, mas Bryan Cristante voltou a perder pelo lado da Itália. Assim, a derradeira ficou nos pés de Esmir Bajraktarevic, que não deixou a chance de voltar a uma Copa escapar. Roteiro de cinema.

Bosnia-Erzegovina vs Italia – Finale degli spareggi di qualificazione ai Mondiali 2026
Torcedores da Bósnia fizeram uma grande festa. Foto: Icon Sport
Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaGerente de Mercado

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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