Apenas um adversário? Como Portugal viu o sorteio da ‘last dance’ de Cristiano Ronaldo em Copas
CR7 disputará seu sexto Mundial, provavelmente o último da carreira, e não encontrou pedreiras no grupo
Em busca de um título mundial inédito, a seleção portuguesa conheceu os três adversários que compõem seu grupo na Copa do Mundo de 2026 em sorteio nesta sexta-feira (5). Portugal enfrentará Colômbia, Uzbequistão e o vencedor da repescagem internacional (República Democrática do Congo, Nova Caledônia ou Jamaica).
A edição do próximo ano tem um aspecto especial aos lusitanos: será a sexta disputada por Cristiano Ronaldo, maior ídolo do país, e provavelmente a última, visto que já terá 41 anos.
Maior artilheiro e líder em assistências do selecionado luso, o atacante do Al Nassr sonha, após ser importante nas conquistas da Eurocopa (2016) e Liga das Nações (2019 e 2025), em dar a última taça importante que falta a sua nação.
A Trivela buscou jornalistas portugueses para avaliarem a situação atual da seleção de Portugal e as expectativas para 2026.
🔓🗝️ Grupo do Mundial 2026 𝗿𝗲𝘃𝗲𝗹𝗮𝗱𝗼! #FazHistória | @FIFAWorldCup pic.twitter.com/Ajlv6xRfld
— Portugal (@selecaoportugal) December 5, 2025
Copa do Mundo de 2026: Análise do grupo de Portugal
Ao olhar os três adversários dos portugueses, há um claro concorrente pela primeira colocação. A Colômbia, após não se classificar para o Mundial de 2022, emplacou um ciclo extremamente consistente sob comando de Nestor Lorenzo, com direito a invencibilidade de mais de dois anos.
No período, os Cafeteros bateram até Espanha, Alemanha e Japão em amistosos e só foram perder para Argentina na final da Copa América 2024. Nas Eliminatórias Sul-Americanas, com vitórias sobre Brasil e dos próprios argentinos, terminaram na terceira colocação, apenas um ponto do segundo Equador.
Para Pedro Pinto, do jornal luso “Record”, o selecionado colombiano realmente é o “único adversário que, em condições normais, poderá colocar problemas a Portugal“. No entanto, como será o último confronto da chave, provavelmente os portugueses já estarão classificados.
— Não vejo qualquer tipo de dificuldade contra Uzbequistão e o adversário que vier da repescagem — completa o jornalista.
O favoritismo português é ainda maior por sua qualidade técnica individual. Cristiano Ronaldo tem ao lado, de longe, a melhor geração que já teve em seu país, como argumenta Bruno Fernandes, editor também do período “Record”.
— O técnico Roberto Martinez tem à sua frente uma geração de futebolistas inigualável, provavelmente como nunca teve, que estão na sua menor versão, casos de Nuno Mendes, Vitinha, Bruno Fernandes, Rafael Leão, Gonçalo Ramos, uma série de atletas que jogam nos maiores campeonatos do mundo — inicia.
— A verdade é que com mais ou menos críticas, maior ou menor dificuldades, Portugal chega a este Mundial como vencedor da Liga das Nações, como uma seleção bem cotada, bastante unida. Portanto, penso que teremos na seleção portuguesa um dos principais candidatos a poder lutar pelo troféu, sem ser o principal favorito. Penso que é das seleções que têm melhores condições para chegar a uma fase adiantada, talvez ficar nos quatro primeiros lugares, é essa a expectativa que existe.

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Como foi o ciclo da seleção portuguesa até a Copa do Mundo?
Após mais de oito anos comandada por Fernando Santos, quem trouxe os dois primeiros títulos da seleção, mas nunca empolgou pelo futebol jogado, a seleção portuguesa apostou no espanhol Roberto Martínez, que tinha conduzido a Bélgica nos dois mundiais anteriores.
A mudança, porém, não tem sido empolgante. Os até agora pouco mais de dois anos com o treinador de 52 anos são de muitas vitórias (26 em 36 jogos), mas quase sempre com um estilo de jogo burocrático, sofrendo para furar defesas mais fechadas e tendo alguns tropeços no caminho que ligam o alerta.
Um jogo bem chato e pouco vistoso foi visto na campanha da Euro 24, com direito a derrota para Geórgia na última rodada da fase de grupos. Nas oitavas de final, sofreu contra a Eslovênia, só avançando nos pênaltis graças a defesas milagrosas de Diogo Costa. Nas quartas, contra a França, até que competiu bem e só caiu nas penalidades.
Martínez estava pressionado no cargo, mas a Nations League conquistada no ano seguinte colocou panos quentes na situação. Portugal eliminou a Dinamarca com muita dificuldade, mas teve muito merecimento passando pela Alemanha na semifinal e batendo a Espanha, melhor seleção do mundo neste momento, nos pênaltis na decisão após 2 a 2 em 120 minutos.
— Após ter perdido no Europeu de 2024, com Portugal não fazendo uma boa campanha, pensou-se aí que existira uma mudança de ciclo [com a saída de Martínez], havia nomes como José Mourinho e Jorge Jesus que estavam ‘a bater a porta da seleção nacional’ — explica Bruno Fernandes.

A classificação para Copa veio sem sustos, mas sem brilhar, empatando com a Hungria em jogo de vacilo de concentração e sofrendo derrota para Irlanda que causa temores na forma que o time sofre para criar chances de gol a depender do contexto.
— Roberto Martinez consegue reinventar-se e Portugal acaba por conquistar a Liga das Nações, por fazer jogos bastante bons, por conseguir uma classificação relativamente tranquila, responsável, não perfeita, para este Mundial de 2026 — completou Bruno.
— As exibições nunca convenceram e isso acabou por custar caro quando tiveram “match points” para fechar as Eliminatórias contra Hungria e Irlanda. O principal objetivo foi conseguido, mas sem brilhantismo. Aliás, têm sido todos cumpridos, como na Liga das Nações contra algumas das melhores seleções do mundo — reitera o colega Pedro Pinto.
Como Portugal se saiu na última Copa?
Em 2022, a seleção portuguesa não fez grande exibições na primeira fase, mas avançou em primeiro em grupo com Gana (que lutou para vencer por 3 a 2), Uruguai (2 a 0) e Coreia do Sul (derrota por 2 a 1).
No mata-mata, Fernando Santos surpreendeu ao sacar Cristiano Ronaldo, que fez péssimo Mundial, e seu substituto Gonçalo Ramos marcou hat-trick e deu uma assistência na melhor atuação de Portugal, 6 a 1 sobre a Suíça nas oitavas.
Encontrou nas quartas, no entanto, a grande sensação da Copa do Mundo do Catar: Marrocos. Após eliminarem a Espanha, os Leões do Atlas bateram os portugueses, 1 a 0, e avançaram para melhor campanha de um africano na competição.



