Eliminatórias da Copa

Portugal confirma problema que marcou o ciclo e mostra por que não é favorita à Copa

Com Cristiano Ronaldo expulso, seleção treinada por Roberto Martínez sofreu para infiltrar na defesa da Irlanda como aconteceu há um mês

A seleção de Portugal não empolga, joga pouco e não foi uma novidade a derrota por 2 a 0 para Irlanda nesta quinta-feira (13), pela nona rodada do grupo F das Eliminatórias Europeias para Copa do Mundo de 2026. O duelo no Aviva Stadium, em Dublin, ficou marcado por um problema que assombra todo ciclo português.

Quando se vê frente a defesas muito bem fechadas (os irlandeses atuavam em um 5-4-1 com muitos jogadores por dentro), os lusitanos são pouco criativos e não conseguem infiltrar no adversário. A posse de bola, estéril, fica um longo período entre os zagueiros e volantes até que alguém cruze na área de forma aleatória — foram 29 levantamentos na área na derrota aos Boys in Green.

Nem mesmo com um meio-campo formado por Vitinha, Rúben Neves e João Neves, dos melhores do mundo na posição, a equipe treinada por Roberto Martínez consegue criar. Os pontas desta quinta, Bernardo Silva e João Félix, foram ainda menos acionados.

Mesmo que consiga competir em jogos grandes, como quando caiu para França na Eurocopa em um jogo equilibrado ou quando superou Alemanha e Espanha para vencer a Nations, Portugal ainda peca nesses jogos menores e exemplifica o porquê não ser uma das favoritas à Copa, apesar de ter um dos melhores elencos do mundo.

A sorte do selecionado português é que enfrenta a Armênia, pior seleção do grupo, na rodada final e confirma sua presença no Mundial vencendo. Até com empate a classificação acontece se a Irlanda vencer a Hungria ou se os húngaros vencerem por menos de três gols.

O problema será a ausência de Cristiano Ronaldo, expulso por cotovelada em O’Shea. Ele ainda pode se complicar e perder partidas na Copa caso pegue gancho maior do que um jogo.

Portugal mostra mais problemas

Além da questão ofensiva pouco criativa, a seleção portuguesa ainda foi muito frágil defensivamente — o que não tem sido tão comum com Martínez. A Irlanda, que tinha dificultado para Portugal no último mês da mesma forma e só perdido com gol no fim, expôs a vulnerabilidade defensiva dos adversários.

Os lusitanos sofreram com erros na saída de bola a partir da pressão adversária. Assim Diogo Costa cedeu o escanteio que terminou em gol de Troy Perrot após desvio de Scales na segunda trave.

A Seleção das Quinas ainda cedeu espaços no momento de transição após perder a posse de bola, sofrendo com contra-ataques, e também pela linha alta defensiva. Um lançamento de O’Shea terminou no segundo gol de Perrot no dia.

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Irlanda é perfeita em sua estratégia no 1º tempo

Para os fãs de futebol defensivo, marcado por uma defesa quase intransponível e ataques rápidos e verticais, a seleção irlandesa deu um show. Mesmo que ficasse fechadinha (e fizesse isso muito bem), dava as caras no ataque sem medo via lançamentos ou passes em profundidade explorando a linha alta de defesa dos lusitanos.

Os dois gols não foram por acaso e poderia ter sido mais: em lançamento aos 37 minutos, Ogbene ganhou na velocidade da zaga, levou para esquerda da área, onde cortou para dentro e chutou colocado na trave.

Portugal, forçando cruzamentos e chutes de fora, só foi pressionar de verdade após sofrer esse chute no poste — e, justamente, quando veio o segundo gol dos donos da casa. Foi nesse período que Vitinha exigiu defesa de Kelleher, que deu rebote e Neves tocou para trás antes da defesa afastar. Dalot também teve duas chances em bolas que sobraram na área, mas mandou ambas por cima da meta.

Parrott comemora gol da seleção da Irlanda
Parrott comemora gol da seleção da Irlanda (Foto: Icon Sport)

Expulsão de Cristiano Ronaldo acaba com qualquer esperança portuguesa

A seleção portuguesa voltou para etapa final do mesmo jeito, ainda mais porque o técnico decidiu mudar apenas a defesa no intervalo: saíram o zagueiro Gonçalo Ignácio e o lateral-direito João Cancelo para as entradas de Renato Veiga e Nélson Semedo.

Com isso, o time em nada incomodou Kelleher. Teve até uma boa chance em escanteio desviado por Veiga, com a bola sobrando livre para Vitinha na segunda trave, mas o volante furou.

Após a expulsão de Cristiano Ronaldo, aos 15, Portugal não conseguiu pressionar, com exceção de chute de Gonçalo Ramos para boa defesa do goleiro irlandês, e no fim tomou um sufoco para manter o placar só 2 a 0.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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