A lição que os ‘brasileiros’ Mamelodi Sundowns deixam sobre a relação com a Seleção
Time sul-africano é um dos adversários do Fluminense no Mundial e tem o Brasil como inspiração dentro e fora de campo
Brasil e África do Sul estão separados por milhares de quilômetros e um Oceano Atlântico entre os países, mas o futebol encurta essa distância e aproxima Mamelodi Sundowns aos seus “irmãos” na América.
O time sul-africano está no grupo F do Mundial de Clubes com Borussia Dortmund, Ulsan e Fluminense, e se orgulha de ter o apelido de “The Brazilians” (Os Brasileiros, em português) e essa alcunha é em alusão à Seleção.
O clube foi instituído oficialmente em 1970 na capital Pretória e tem uniforme composto por camisa amarela com detalhes em verde e calção azul, inspirado pelo icônico conjunto do Brasil.
A vestimenta realmente pode levar espectadores a pensar à primeira vista que é a equipe de Carlo Ancelotti em campo, no entanto, as semelhanças não ficam restritas a isso. “O apelido vai muito além das cores compartilhadas, já que o Masandawana [outro apelido do time] joga com um estilo inspirado nos irmãos sul-americanos”, destaca o clube no site oficial.
‘Os Brasileiros’ com orgulho: Inspiração do Sundowns na Seleção vai além do campo
O Sundowns exerce sua dominância na África do Sul, com o octacampeonato consecutivo no país e algumas das principais estrelas do futebol no continente, como o goleiro sul-africano Ronwen Williams, indicado ao Troféu Yashin em 2024. Há ainda dois brasileiros no elenco: Lucas Ribeiro e Arthur Sales.
Arthur concedeu entrevista ao colunista da Trivela, Andrey Raychtock, e falou sobre a importância do apelido de “Os Brasileiros” para o clube.
— Queremos jogar como a Seleção. Gostamos de ser chamados de ‘Os Brasileiros’. Acho que em tudo tentamos estar perto do Brasil — diz.
O atacante de 22 anos afirma que a admiração vai muito além do campo e não se baseia apenas no fato de o Brasil ser o único pentacampeão mundial e historicamente associado a um futebol vistoso, criativo e empolgante. O apreço leva o jogador a refletir sobre a lição que os companheiros ensinam aos próprios brasileiros.
— Acho que nem nós, brasileiros, admiramos tanto o futebol brasileiro quanto eles. Quando você vê, pensa assim: ‘Temos que ser apaixonados pelo nosso futebol desse jeito’.
É possível ter noção do tamanho dessa afeição no Mundial de Clubes, especialmente nesta quarta-feira (25), quando o Sundowns encara o Fluminense na rodada final da fase de grupos. Os Brasileiros da África do Sul prometem dificultar para os cariocas.
O grupo treinado por Miguel Cardoso é fundamentado no apreço pelo controle do jogo e imposição sobre o adversário.
— O que diferencia o Sundowns é o estilo moderno baseado na posse de bola, frequentemente comparado aos principais clubes europeus — explica o jornalista de futebol africano Clyde Tlou à Trivela.
Dos últimos 10 jogos, o menor percentual de posse de bola registrado pelo Sundowns foi contra o Pyramids no jogo de ida da final da Champions League da África (59%). O máximo obtido no período foi 81%, no embate diante do Magesi no Campeonato Sul-Africano.
“Eles acham que a seleção brasileira é assim, dominante. Queremos estar com a bola, não importa como. Troca treinador e o jeito continua o mesmo. As pessoas que estão aqui já entendem. Por jogar tanto tempo da mesma maneira, eles respeitam a gente. Não vêm pressionar”, comenta Arthur.

Clyde Tlou analisa que o elenco do clube é forte, tem muita qualidade técnica e flexibilidade tática, de forma a complicar a vida dos oponentes e propiciar perigo em transições ofensivas. Não à toa, outro apelido do Mamelodi Sundowns é o “Bafana Ba Style” (Garotos com Estilo, em português), que faz referência justamente a esse modelo de jogo.
A equipe é uma mescla de estrelas experientes — como os meias Themba Zwane e Tebogo Mokoena e o goleiro Williams — e jovens promessas, a exemplo do atacante Thapelo Maseko e do zagueiro Malibongwe Khoza. Dessa forma, se estabelece como forte candidata a avançar ao mata-mata pelo grupo F.
— O time é mais do que capaz de surpreender gigantes globais — diz Tlou.
O Fluminense lidera o grupo F, com quatro pontos, após vencer o lanterna Ulsan e empatar com o Borussia Dortmund, agora vice-líder. O clube brasileiro faz boa campanha e é considerado grande favorito.



