Mundial de Clubes

O Fluminense de 2023 é o maior time da história do clube?

Fluminense disputa final do Mundial de Clubes contra o Manchester City e acende debate: o time de Fernando Diniz em 2023 é o maior da história do clube?

O ano de 2023 é mágico para os tricolores. A frase ainda permanece no tempo presente já que o Flu disputa a final do Mundial de Clubes contra o Manchester City, na sexta (22), às 15h (de Brasília), no King Abdullah Sporting City Stadium, a Joia da Coroa. E mesmo que não seja campeão do mundo como pleiteia que foi em 1952, um debate está aceso na torcida e nas redes sociais: este Fluminense é o maior time da história do clube?

Fluminense foi campeão da Libertadores e ainda pode conquistar o Mundial de Clubes em 2023 - Foto: Icon sport
Fluminense foi campeão da Libertadores e ainda pode conquistar o Mundial de Clubes em 2023 – Foto: Icon sport

A conquista inédita da Libertadores da América já coloca o elenco atual como uma equipe histórica para os tricolores. A equipe ainda conseguiu um bicampeonato estadual que não acontecia há 40 anos, e embora o título não tenha mais o peso do passado, engrossa a lista de taças nas Laranjeiras. A cereja do bolo pode ser o maior troféu da história do Fluminense, o Mundial de Clubes da Fifa.

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Mas antes mesmo da disputa da decisão, garantida após vitória sobre o gigante Al Ahly nas semifinais da competição, o Tricolor já convenceu até Fernando Diniz, o comandante da equipe. Se passou todo o seu trabalho, iniciado na última temporada, afirmando que “um time nunca está pronto”, ele reconsiderou as palavras na entrevista coletiva concedida antes da vitória sobre os egípcios.

— Parecia que nunca ia chegar esse dia, mas chegou.

Título do Mundial de Clubes fecharia discussão para o Fluminense de 2023

O fato é que 90 minutos separam o Fluminense de 2023 de ser lembrado de maneira eterna como o grande time da história do clube. Não que o título do Mundial de Clubes seja fácil, muito pelo contrário. Mas qualquer resultado que faça o time de Fernando Diniz vencer o Manchester City de Pep Guardiola teria peso para ser mais do que uma taça.

A conquista seria uma revolução cultural no futebol brasileiro — e até mundial.

Diniz prega que nada no futebol deveria depender de a bola entrar ou não no gol adversário. Mas o fato é que o título do Mundial de Clubes seria uma trajetória cinematográfica. Se busca um futebol que valoriza mais as pessoas, Fernando teria que lidar com atletas que deixariam de serem humanos para se tornarem heróis.

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Um Fluminense que proporcionou todos os outros

Haveria um maior Fluminense de todos os tempos se não houvesse o primeiro? A escalação formada por Américo Couto: Victor Etchegaray e Mário Frias; Mário Rocha, Schuback e Oscar Cox; Adolpho Simonsen, Eurico de Moraes, Costa Santos e Heráclito Vasconcellos sempre será lembrada.

E não à toa. Além de ser o primeiro Fluminense a entrar em campo na história do clube, aplicou 8 a 0 para dar o primeiro passo no futebol. Costa Santos, que marcou três vezes, pode não ter os 84 gols de Germán Cano pelo Tricolor, mas colocou a bola na rede pela primeira vez para a equipe que ainda jogava de cinza e branco — no campo do Paysandu, na rua de mesmo nome, nas Laranjeiras.

Além do histórico time de 1902, haveria outro logo após. O tetracampeão estadual em 1906, 1907, 1908 e 1909, com muitos dos jogadores que atuaram na partida de estreia talvez tenha marcado o início da coleção de craques de Laranjeiras. Depois, de 1936 a 1941, o Flu só não foi campeão em 1939, formando outra seleção tricolor: Batatais, Moysés, Machado, Santamaria, Brant, Orozimbo, Sobral, Sandro, Romeu, Tim e Hércules.

O Fluminense de 1952 não pode ficar de fora do debate

Se o título do Mundial de Clubes é o grande sonho para 2023, o que dizer de uma equipe que já o conquistou?

O time campeão da Copa Rio de 1952, o Mundial de Clubes da época, era formado por ídolos históricos do Fluminense, de Castilho a Telê Santana - Foto: Flu Memória
O time campeão da Copa Rio de 1952, o Mundial de Clubes da época, era formado por ídolos históricos do Fluminense, de Castilho a Telê Santana – Foto: Flu Memória

Para começar a prosa, o Fluminense que venceu a Copa Rio de 1952, pleiteada junto à Fifa como a precursora da competição intercontinental, tinha um dos maiores jogadores da história do futebol: Didi, o Folha Seca. E outro incontestável ídolo do clube, para muitos, o maior: Carlos Castilho. E não parava por aí.

Castilho; Píndaro e Pinheiro; Jair Santana, Edson e Bigode; Telê, Didi, Marinho, Orlando Pingo de Ouro e Quincas, a escalação inicial da conquista da Copa Rio de 1952 acumulou, na soma, 3946 jogos pelo Fluminense. Uma escalação de ídolos. E era comandada por Zezé Moreira, o técnico que mais treinou o Flu em todos os tempos: 474 jogos.

Os títulos do Rio-São Paulo que eternizaram ídolos do Fluminense

Ainda com remanescentes da equipe que venceu o mundo no Rio de Janeiro, o Fluminense deu outras glórias a Castilho, Pinheiro, Telê Santana e companhia em 1957 e 1960 ao vencer o Torneio Rio-São Paulo, que se ainda não era nacional, concentrava os times mais fortes do país à época.

O comandante do ataque agora era Waldo, o maior artilheiro da história do clube, com 319 gols. Campeão invicto em 1957 e de um torneio ainda mais forte em 1960, o Fluminense coroou mais uma era gloriosa, que parecia não ter fim. Até ali, para muitos, o Flu era o maior time do país.

O Fluminense que venceu o maior Brasileiro da história

A discussão aqui foge um pouco do Fluminense para ganhar o mundo. Considerada a melhor de todos os tempos, a Seleção Brasileira de 1970 encantou o planeta e fez de Pelé definitivamente o maior nome da história do futebol mundial.

O Fluminense foi campeão do maior Campeonato Brasileiro da história, em 1970, com todos os campeões da Copa do Mundo daquele ano, para muitos, a maior Seleção do futebol - Foto: Flu Memória
O Fluminense foi campeão do maior Campeonato Brasileiro da história, em 1970, com todos os campeões da Copa do Mundo daquele ano, para muitos, a maior Seleção do futebol – Foto: Flu Memória

O que dizer do time que faturou o Campeonato Brasileiro com todos os craques do tricampeonato da Copa do Mundo? O Fluminense de 1970 é histórico por muitos motivos. Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Didi; Cafuringa, Mickey, Samarone e Lula formaram um dos maiores times da história do clube.

Máquina Tricolor, para muitos, é o melhor Fluminense da história

Enquanto discutimos o maior Fluminense de todos os tempos, o melhor time sempre estará na disputa. A Máquina Tricolor de Rivellino e companhia chega forte no debate. Um sonho do presidente eterno Francisco Horta que virou realidade em três cores nos anos 1970.

A Máquina Tricolor com grandes craques do futebol mundial como Rivelino, Paulo Cezar Caju e Carlos Alberto Torres foi para muitos o melhor Fluminense da história - Foto: Flu Memória
A Máquina Tricolor com grandes craques do futebol mundial como Rivelino, Paulo Cezar Caju e Carlos Alberto Torres foi para muitos o melhor Fluminense da história – Foto: Flu Memória

Se deixou escapar o Campeonato Brasileiro por duas vezes, venceu o disputadíssimo Carioca em 1975 e 1976. Os títulos inegavelmente impedem a Máquina de ser o inconteste maior time da história, mas talvez seja o que mais encantou o torcedor.

Além de Rivellino, Carlos Alberto Torres, Paulo Cezar Caju, Gil, Doval e Dirceu, o Flu teve Félix, Edinho, Rodrigues Neto e muitos craques no período. Venceu o bicampeão europeu Bayern de Munique e viajou pelo mundo batendo seleções europeias. Um time que deixaria Fernando Diniz sorrindo por anos.

O time tricampeão dos anos 1980 que tinha a cara do Fluminense

Jovens da base, apostas certeiras e grandes craques. Um Casal 20 para todo o sempre. O Fluminense que conquistou o tricampeonato estadual em 1983, 1984 e 1985, além do Brasileirão em 1984, para muita gente, é o maior da história do clube.

Assis e Washington, o Casal 20. Dupla marcou época no Fluminense dos anos 1980, um time marcado na história com a cara do clube - Foto: Flu Memória
Assis e Washington, o Casal 20. Dupla marcou época no Fluminense dos anos 1980, um time marcado na história com a cara do clube – Foto: Flu Memória

Dessa vez a começar pelo banco de reservas, onde Carlos Alberto Parreira se tornaria um raro caso de técnico a conquistar a idolatria de uma torcida. O primeiro ato de um dos maiores treinadores da história do futebol mundial foi formar um time com a cara do Fluminense.

Paulo Victor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Deley e Romerito; Assis, Washington e Tato formam mais um dos times que cada tricolor fanático sabe de cor e salteado. Os títulos estaduais sobre o Flamengo e o Brasileiro sobre o Vasco remontam a uma fase de sonhos para o Fluminense, e o imaginário mantém essa equipe na disputa.

A geração que lavou a alma do Fluminense e tem Fred como símbolo

Desde 2009 que o Fluminense não sabe o que é ser campeão sem Fred, que chegou como um reforço badalado naquele ano. Os títulos de 2010 e 2012 lavaram a alma de uma torcida machucada pelo jejum e por péssimos anos 1990 e 2000. Hoje diretor do clube, ele foi campeão da Libertadores de 2023 como dirigente.

Fred foi herói em 2012 e e tornou, para muitos, o maior ídolo da história do Fluminense, e representa o time da era como um dos maiores da história do clube (Foto: AFP PHOTO/Yasuyoshi CHIBA)
Fred foi herói em 2012 e e tornou, para muitos, o maior ídolo da história do Fluminense, e representa o time da era como um dos maiores da história do clube (Foto: AFP PHOTO/Yasuyoshi CHIBA)

Com o ídolo da camisa 9 como símbolo, talvez esse time não tenha uma escalação definida. Mas venceu o Campeonato Brasileiro duas vezes, e na segunda, sem dar a menor chance ao vice-campeão Atlético-MG, já com a base que deu ao Galo o incontestável título da Libertadores em 2013 com um lindo futebol.

Fred, Deco e Thiago Neves, três craques ídolos do Fluminense formando um time inesquecível - Foto: Ricardo Ayres/Photocamera/Fluminense FC
Fred, Deco e Thiago Neves, três craques ídolos do Fluminense formando um time inesquecível – Foto: Ricardo Ayres/Photocamera/Fluminense FC

Embora não seja espetacular, o time acostumou o torcedor do Fluminense desta geração com as glórias. Importância histórica para o clube.

O Fluminense de 2023 é histórico por si só

O Fluminense de Fernando Diniz jamais será esquecido. A montagem do elenco com aposta em veteranos, o retorno de um ídolo, um técnico inovador, jovens formados no clube e um artilheiro de nível mundial. Um título inesquecível. Parece ser a síntese de todos os grandes Fluminenses da história.

Fábio, Samuel Xavier, Nino, Felipe Melo e Marcelo; André, Martinelli e Ganso; Keno, Cano e Arias não formam só um onze inicial inesquecível como os outros. A escalação que conquistou a Libertadores da América e ainda pode dar o mundo aos tricolores sintetiza o que é o Fluminense. Para o Rio, o Brasil e o mundo.

O debate está aceso antes mesmo que o Tricolor entre em campo na sexta (22), às 15h (de Brasília), contra o Manchester City, pela final do Mundial de Clubes. E você, o que acha? Qual o maior Fluminense de todos os tempos?

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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