Mundial de Clubes

Mundial de Clubes é oportunidade para que todos conheçam Cano, um dos maiores artilheiros do mundo

Germán Cano só fez menos gols que Haaland e Mbappé desde 2022, quando chegou ao Fluminense, mas ainda assim, é pouco conhecido na Arábia Saudita, sede do Mundial de Clubes, e no resto do mundo

O Fluminense que entra em campo amanhã contra o Al Ahly pelas semifinais do Mundial de Clubes já é um time histórico por conta da conquista da Libertadores da América. E talvez o grande símbolo entre muitos novos ídolos do clube seja um desconhecido para o mundo: Germán Ezequiel Cano Recalde, um dos maiores artilheiros do futebol desde 2022.

Aos 35 anos, Cano é um dos favoritos para ser o Rei da América em 2023, prêmio destinado ao grande jogador do continente na temporada. Artilheiro da Libertadores com assombrosos 13 gols em 12 jogos, o argentino só colocou menos bolas na rede que Haaland e Mbappé desde que chegou ao Flu, em janeiro do ano passado.

Apesar dos números, ele é pouco reconhecido até em seu país natal. Sem ter atuado em nenhum grande argentino, o jogador revelado pelo Lanús só foi virar um centroavante, de fato, na Colômbia. De lá para cá, desandou a fazer gols. Mais especificamente 290 em 12 anos. No Fluminense, são 84, e 2023 ainda nem terminou.

— A verdade é que foi tudo muito rápido. São dois anos no clube e já aconteceu tanta coisa boa. A equipe é uma família. Tudo o que fizemos foi pelo coletivo, e fico feliz que ajudei o clube a fazer grandes coisas, como conquistar a Libertadores. Confesso que era difícil imaginar que eu seria artilheiro e campeão da Libertadores, uma competição muito especial para mim e para o Fluminense — contou, em exclusiva à Trivela.

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Cano já jogou Mundial de Clubes, mas não marcou

O que pouca gente sabe, também, é que Germán Cano já disputou um Mundial de Clubes, e até enfrentou um time brasileiro. Em 2017, o argentino estava no banco do Pachuca, que perdeu para o Grêmio na prorrogação nas semifinais. Ele entrou no intervalo da prorrogação e jogou apenas 15 minutos.

Cano em ação pelo Pachuca, do México, clube pelo qual disputou o Mundial de Clubes em 2017 - Foto: Reprodução/Twitter
Cano em ação pelo Pachuca, do México, clube pelo qual disputou o Mundial de Clubes em 2017 – Foto: Reprodução/Twitter

Depois de ser artilheiro de todas as competições possíveis pelo Fluminense, Cano agora mira balançar as redes no Mundial. Principal esperança de gols do Tricolor, ele certamente é a chave de uma vitória do Tricolor na Arábia Saudita. O título é o grande sonho do argentino.

— Meu maior sonho é vencer o Mundial de Clubes. É só o que penso agora, no curto prazo. No longo prazo meu maior sonho é competir novamente, ganhar mais coisas, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Recopa, outra Libertadores. Eu vivo meu sonho no Fluminense — afirmou.

Só Haaland e Mbappé marcaram mais que Cano desde 2022

Nem mesmo os 50 gols de Cristiano Ronaldo em 2023 colocam o português à frente de Cano desde 2022. Isso porque com apenas 16 gols em 2022, o craque do Al Nassr marcou 66 vezes no período, contra 84 do artilheiro do Fluminense. Apenas Erling Haaland e Mbappé colocaram mais bolas na rede que o argentino.

Artilheiro e campeão da Libertadores, Germán Cano se eternizou na galeria de grandes ídolos do Fluminense - Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
Artilheiro e campeão da Libertadores, Germán Cano se eternizou na galeria de grandes ídolos do Fluminense – Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC

Harry Kane tem os mesmos 84 gols que Germán Cano desde janeiro de 2022. Confira a lista levantada pela Trivela dos cinco maiores artilheiros do mundo no período.

  • Erling Haaland (Manchester City e Noruega) — 106 gols
  • Kylian Mbappe (PSG e França) – 99 gols
  • Germán Cano (Fluminense) — 84 gols
  • Harry Kane (Tottenham e Inglaterra) — 84 gols
  • Robert Lewandowski (Barcelona e Polônia) — 71 gols

Para efeito de comparação, Lionel Messi marcou “apenas” 63 gols no período.

Marcelo é o único jogador realmente conhecido do Fluminense na Arábia Saudita

Ainda que Cano tenha sido o grande nome do Fluminense nas últimas temporadas, não é nele que os árabes pensam quando falam no time. Famoso pelos anos de Real Madrid, Marcelo é uma unanimidade, e pouquíssimos torcedores que conversaram com a Trivela em Jeddah conheciam outros jogadores. Na verdade, muitos conheceram o time na final da Libertadores, que foi transmitida no país.

— Nós amamos a Libertadores. Eu conhecia a camisa, mas não sabia que era do Fluminense. Achava bonita. Aí, soube que o Marcelo voltou ao Brasil e vi que era nesse time, mas tampouco sabia o nome ainda. A Arábia Saudita é um país apaixonado por futebol, e nós vimos a final da Libertadores. Liguei os pontos e depois disso assisti todos os jogos — contou o jovem Sultan, de 11 anos.

Um motorista de aplicativo curiosamente homônimo deu versão bem parecida. Apesar de falar pouco inglês, ele mostrou imagens em seu telefone de stories antigos do seu Instagram em que filmava a televisão na hora do título. Esse Sultan, por outro lado, já conhecia o Fluminense e a Libertadores, mas dos jogadores, apenas Marcelo.

O craque da camisa 12 era o centro das atenções para a imprensa internacional no treinamento no King Abdullah Sporting City no domingo (17). Quando chegou perto da grade que impedia os jornalistas de se aproximarem do campo, para falar com seus filhos, o jogador atraiu praticamente todos os repórteres, que correram para filmá-lo. Habilidoso como dentro das quatro linhas, ele voltou para o meio dos companheiros para não tirar o foco do treino.

O Fluminense entra em campo nesta segunda (18), às 15h (de Brasília) para enfrentar o Al Ahly pela semifinal do Mundial de Clubes. Bom momento para que os árabes conheçam Germán Cano.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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