Torcida gigante e hegemonia na África: como é o Al Ahly que enfrenta o Fluminense
Rival do Fluminense na semi, Al Ahly garante ter 50 milhões de torcedores, venceu 11 Ligas dos Campeões da África e disputa Mundial de Clubes pela 9ª vez
Um desavisado pode achar que o Fluminense “se livrou” do Al Ittihad de Benzema, Kanté e Fabinho nas semifinais do Mundial de Clubes. Mas talvez não saiba o que é o Al Ahly, gigante do Egito que será o adversário do Tricolor na Arábia Saudita. Os egípcios são donos de uma hegemonia na África e tem uma das maiores torcidas do mundo — o que já está claro em Jeddah.
É impossível não caminhar pelas ruas da cidade sem ver torcedores do Ahly egípcio — há também um Al Ahly em Jeddah, um dos grandes do futebol saudita. De camisas vermelhas e sorrisos no rosto, comemoram a nona participação de seu time no Mundial de Clubes. Esta é a sexta semifinal.
Al Ahly tem uma hegemonia no futebol da África
São 11 títulos da Liga dos Campeões da CAF, a principal competição de clubes da África. A equipe não fica de fora de uma final desde 2019. Foi derrotada em 2017, 2018 e 2021-22, assim como em 2007 e 1983. Isso mesmo: 16 finais em 59 edições, obviamente outro recorde.

Estável financeiramente, o que é raro no continente, sobra nas competições africanas. O principal rival, Zamalek, também é tradicional e segundo maior campeão africano, mas tem “apenas” cinco conquistas e três vices. Ainda amargou, em 2019-20, na pandemia, uma derrota na final justamente para o Al Ahly.
O Al Ahly está para a África como o Real Madrid para a Europa. É a única comparação possível. Até mesmo o Boca Juniors é menos pesado para a América do Sul — como o Fluminense mostrou em 4 de novembro, no Maracanã.
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Al Ahly afirma ter a maior torcida do mundo
Além do vermelho e preto, o Al Ahly guarda outra semelhança com o Flamengo: afirma ter a maior torcida do mundo. Os egípcios se gabam de ter mais de 50 milhões de torcedores, o que é menos da metade da população do Egito, hoje em cerca de 110 milhões de pessoas.
Torcida do Al Ahly do Egito hoje no último treino do time antes da final da Liga dos Campeões da África contra o Wydad Casablanca. pic.twitter.com/EsmEibR0US
— Mundo das Torcidas (@MdasTorcidas) October 31, 2017
A Fifa discorda um pouco dos números. Em seu site oficial, diz que o Al Ahly tem entre 30 e 35 milhões de torcedores, o que ainda assim faz da torcida uma gigante mundial.
Fundado em 1907, o clube surgiu para representar a força dos egípcios frente à tentativa do império britânico de ocupar o país. Os ingleses e outros estrangeiros dominavam o futebol na época.
SCENES ?#YallaYaAhly pic.twitter.com/ZjD8YLd798
— Al Ahly SC ?? (@AlAhlyEnglish) November 1, 2023
Em campo, Al Ahly pode dar trabalho ao Fluminense
O Al Ahly está longe de ser um azarão no Mundial de Clubes. Com um trabalho longevo, que já dura mais de um ano, os egípcios jogam como gosta o técnico suíço Marcel Koller, que foi um meia burocrático: de maneira organizada, de olho nos contra-ataques e atacando pelas pontas.
O Al-Ahly é gigante. Maior campeão africano, uma torcida gigantesca e uma história riquíssima no Egito e no continente.
Mais organizado e mais consciente, deu um banho de bola no Al-Ittihad.
Ter grandes jogadores não significa ter um grande time e Gallardo vai ter trabalho.
— Eduardo Barthem (@EduardoBarthem) December 15, 2023
O camisa 10 da equipe atua pelo lado direito, sempre em busca de organizar o time. Percy Tau foi captado pelo Brighton, uma das equipes que melhor encontra talentos baratos pelo mundo, após se destacar no Mamelodi Sundowns, da África do Sul. O Al Ahly o repatriou a preço de ouro, e hoje ele é o craque do time.
O time atua em duas linhas de quatro bem coesas, nem sempre baixas, mas com boa pressão sobre a bola. Não é espetacular, mas sofre poucos sustos.
Sobre o Percy Tau: foi captado pelo BRIGHTON, há alguns anos, depois de impressionar no Mamelodi Sundowns.
O Al Ahly comprou ele, há algumas temporadas, da Europa.
É a contratação mais cara da história do Al Ahly. Recém eleito o melhor jogador atuando na África.
Bagre? NÃO. pic.twitter.com/I9KhIn2NuB
— Luis Fernando Filho (@luisfernanfilho) December 15, 2023
Muito forte fisicamente, deve ser um adversário difícil para o Fluminense, que sofreu contra equipes desse estilo durante a temporada, como Botafogo, Grêmio e Atlético-MG, embora taticamente não reproduzam bem o Al Ahly.
Fluminense e Al Ahly se enfrentam na segunda (18), às 15h (de Brasília) pela semifinal do Mundial de Clubes, no King Abdullah Sports City, em Jeddah, na Arábia Saudita. Quem vencer disputa a final intercontinental contra o vencedor de Manchester City x Urawa Reds Diamonds.




