Brasil

A entrevista que mostra que Germán Cano e o Fluminense vivem um sonho para se desfrutar

Passagem de menos de dois anos de gols, títulos, glória eterna e uma linda história de amor: um sonho que Germán Cano e Fluminense precisam desfrutar

A palavra mais repetida por Germán Cano durante a meia hora de conversa com a reportagem da Trivela no Itanhangá Golf Club foi “desfrutar”, em um total de 12 vezes. Também durante o dia especial de golfista, o argentino falou muitas vezes em “sonhos”. E como ainda não acredita no que viveu e está vivendo no Fluminense, o atacante parece apenas desfrutar dos seus sonhos — algo que o clube, seus torcedores e o jogador devem fazer.

Atencioso e de fala calma com todos, algo que traz como princípio desde a educação na infância, Cano autografou mais camisas do que fez o L no dia em que a imprensa acompanhou seu hobby preferido. Recebeu o carinho dos tricolores e também de torcedores rivais. Querido por todos, amável com as crianças e sempre sorrindo, o jogador de 35 anos estava leve.

Depois de mais de cinco horas na Taça Germán Cano, a última etapa do Campeonato Carioca de Golfe, o argentino estava calmo. Relaxado, falou sobre tudo, do futebol à política, passando por sua vida desde Lomas de Zamora até o Rio de Janeiro — lugar de onde não quer sair. Muito por conta da idolatria no Fluminense.

— A verdade é que foi tudo muito rápido. São dois anos no clube e já aconteceu tanta coisa boa. Não esperava que seria assim, claro. Mas aproveito os momentos. Desfruto de tudo isso que estou vivendo. Fico muito feliz com a idolatria, com a torcida e com a minha fase em campo — resumiu.

 

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Amor pelo Fluminense e o Rio de Janeiro muda planos de Cano

Depois de um início irregular e fora de posição na Argentina, onde teve a concorrência de jogadores históricos no seu time de coração, o Lanús, e foi pouco aproveitado em Chacarita Juniors e Colón, Cano se encontrou na Colômbia. A linda Medellín o abraçou de maneira incrível, e o argentino experimentou a primeira dose da idolatria.

 

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Comprou uma casa e planejou até passar boa parte da vida por lá. Aí, veio o Brasil. Se ainda não era o Fluminense, o rival Vasco lhe trouxe ao Rio de Janeiro. Não demorou para que o argentino se apaixonasse.

— Sempre tive o sonho de jogar no Brasil. Mas parecia uma coisa difícil de realizar, até que aconteceu. Me apaixonei pelo Rio de Janeiro, e tenho muito carinho também pelo Vasco, embora hoje seja rival, por ter me aberto as portas por aqui. Tudo o que vivo aqui é fantástico, um sonho. Eu tenho desfrutar ao máximo — contou.

 

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Tanto que o próprio Cano brincou com supostos interesses de tirá-lo do Fluminense.

— Será muito difícil. São 100 milhões de reais, não é? (risos). Quero passar a vida aqui — disse, entre um par e outro no campo de golfe.

A verdade viria depois. O atacante admitiu não conseguir mensurar a idolatria no Fluminense — mas que isso é uma das coisas mais importantes de sua vida.

— Ainda não faço ideia do meu lugar entre os ídolos do Fluminense. Acho que só vou ter dimensão mais velho. A verdade é que fico muito feliz com o carinho, é incrível a forma que me tratam. O Fluminense me deu muita coisa, mas ainda não tenho dimensão disso — contou.

Comparação no Fluminense com Fred parece loucura para Cano

Os 84 gols em menos de duas temporadas com a camisa do Fluminense fazem de Cano um recordista. Além de ter sido artilheiro de todas as competições possíveis pelo clube, o argentino se colocou em um hall de ídolos eternos.

Marcou 13 vezes em 12 jogos na Libertadores, incluindo a final. Levantou a taça e tem grandes chances de ser o Rei da América no prêmio do jornal uruguaio El País. Não à toa, até por ser o herdeiro da posição, há quem o compare com Fred, para muitos, o maior ídolo da história do Fluminense.

Fred e Germán Cano atuaram juntos, e argentino herdou posição e posto de ídolo do camisa 9 no Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)
Fred e Germán Cano atuaram juntos, e argentino herdou posição e posto de ídolo do camisa 9 no Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)

E isso soa como loucura para Germán Cano.

— Não consigo acreditar que me comparam com o Fred. É algo muito lindo para mim. Ele foi um excelente jogador e um companheiro incrível, tem uma história muito bonita no clube. Idolatria é algo pessoal, claro. Mas me parece louco demais. É um privilégio, claro. Mas não consigo me comparar — disse.

Libertadores pelo Fluminense deixou Cano de cama, e ele ainda nem acredita

O Fluminense representa muito na vida de Germán Cano. Desde que o Vasco lhe avisou que não contava mais com ele após a campanha da Série B de 2021, que manteve o clube na segunda divisão, tudo aconteceu fácil. Nos negócios e em campo.

— O primeiro contato foi do Mário (Bittencourt, presidente do Fluminense), e já foi ótimo. Nos demos bem de cara, ele me mostrou o projeto e o quanto me queria no clube. Foi tudo bem e tudo fácil. Vendo o que vivi no Fluminense entendo que esse início “fácil” explica muita coisa — relembra.

Germán Cano quer bater recordes pelo Fluminense, que enfrenta o Santos nesta quarta pelo Campeonato Brasileiro - Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC
Germán Cano recebe o carinho da torcida do Fluminense, que explode no Maracanã ao cantar seu nome – Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

De lá para cá vieram 84 gols e três títulos, um deles, inesquecível. Ou inacreditável. Cano nem acredita que conquistou a Libertadores da América, seu maior sonho.

— Eu até hoje eu ainda não acredito que vivi tudo isso. Não sei se já caiu a ficha que fomos campeões, que passamos por tudo o que passamos. Não é claro para mim ainda. Vivi momentos muito especiais. É uma felicidade incrível. Eu vou assimilando pouco a pouco. Fiz 44 gols ano passado, mas este ano é o melhor da minha vida. Vivi coisas maravilhosas, conquistei a Libertadores, estou eternizado na história do clube, é algo incrível.

 

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A caminhada foi tão sonhada que o argentino passou por tudo assim, sem sentir. Após o título, entretanto, o corpo e a mente cobraram a conta. Germán Cano sentiu tanta dor que ficou dias na cama.

— A verdade é que eu não me aguentava de dores. Por três ou quatro dias eu fiquei quase que completamente em repouso, deitado na cama. Não sei como consegui. É mais uma parte do sonho.

Maior sonho de Cano é ganhar Mundial de Clubes pelo Fluminense

Se a Libertadores figurava no imaginário de Cano, agora o argentino já tem um novo maior sonho: o Mundial de Clubes. Para ele, agora, todo dia é 22 de dezembro, a data da possível final. Insaciável nos gols, o atacante tampouco matou a fome de títulos.

Germán Cano explode o Maracanã e comemora gol pelo Fluminense na final da Libertadores - Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC
Germán Cano explode o Maracanã e comemora gol pelo Fluminense na final da Libertadores – Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

— Meu maior sonho é vencer o Mundial de Clubes. É só o que penso agora, no curto prazo. No longo prazo meu maior sonho é competir novamente, ganhar mais coisas, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Recopa, outra Libertadores. Eu vivo meu sonho no Fluminense.

É difícil duvidar de Germán Cano. Melhor desfrutar de seus sonhos, como os tricolores e o Fluminense.

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Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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