O que não dá pra ver pela TV: os detalhes de Fluminense x Al Ahly no Mundial de Clubes
Da tática aos gritos no vestiário, Fluminense vive grandes dias de sua história na Arábia Saudita, e muitos detalhes não aparecem na TV
Que torcedor não sonhou em ver o seu time campeão do Mundial de Clubes? Os tricolores são um dos poucos que mantém esse desejo possível em 2023. Vivendo um ano mágico, o Fluminense venceu o Al Ahly por 2 a 0 no King Abdullah Sporting City Stadium e se classificou para a final da competição. E da Arábia Saudita, a Trivela te conta o que não foi possível ver pela TV.
Antes mesmo de a bola rolar, já era possível ver que os egípcios não estariam apenas em maior número, mas jogariam com quase toda a arquibancada a seu favor. O fim de tarde nos arredores do estádio só confirmou a impressão.
Com uma das maiores torcidas do mundo, o Al Ahly do vizinho Egito tinha uma massa a seu favor. Mas dentro da Joia da Coroa, os tricolores calaram o Mar Vermelho em quase todo o jogo.

Dentro de campo, partidas quase impecáveis podem ter passado desapercebidas do grande público. Milhões de torcedores do Fluminense espalhados pelo mundo acompanharam o jogo da TV, de onde é mais difícil ter dimensão de funções táticas nem sempre próximas à bola. As reações, comemorações e palavras não gravadas dos jogadores e do técnico Fernando Diniz são exemplo disso.
VEEEEEEEEEEEEENCE O FLUMINEEEEEEEEEEENSE! E O TRICOLOR TÁ NA FINAL! JHON ARIAS E JOHN KENNEDY MARCAM, O #TIMEDEGUERREIROS SUPERA O AL AHLY-EGI E TÁ NA DECISÃO DA COPA DO MUNDO DE CLUBES! É PELO MUNDO, FLUMINENSE! ?? pic.twitter.com/pTRWTzKUme
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) December 18, 2023
‘Tá chegando a hora!’, disse Diniz após vitória do Fluminense
A coletiva bem humorada de Fernando Diniz após a vitória agradou a imprensa brasileira e internacional em Jeddah. Egípcios gostaram dos elogios do treinador ao Al Ahly, e os sauditas valorizaram o destaque ao gramado. Embora tenha dito que atrapalhou um pouco o Tricolor, o campo foi exaltado por Diniz.
— Ele disse mesmo que todos os gramados deveriam ser assim? — perguntou o saudita Mohamed Attaraqui.

Enquanto repórteres brasileiros diziam que sim, o técnico do Fluminense cumprimentava a imprensa de cima do palco montado para sua coletiva. Ao ver torcedores do clube entre os jornalistas, soltou, com um sorriso.
— Tá chegando a hora! — gritou.
O túnel por dentro do estádio levava a sala de imprensa ao espaço destinado aos jogadores. Quando as portas se abriram para a saída de Fernando Diniz, foi possível ouvir em alto e estridente som um “Vitória, Fluminense!” seguido da música “Loucos da cabeça”, cantada pelos jogadores no vestiário tricolor.
VITÓÓÓÓÓÓÓÓRIAAAAA FLUMINEEEEENNNNSE! pic.twitter.com/9CDvvTrw3W
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) December 18, 2023
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Marcelo e Felipe Melo comandam Fluminense também fora do campo
Os dois jogadores mais conhecidos do público na Arábia Saudita jogam pelo lado esquerdo da defesa. Felipe Melo e Marcelo não são famosos à toa: jogaram em gigantes do futebol mundial, na Seleção Brasileira e são líderes do Fluminense que chegou à final do Mundial de Clubes.
?️ MARÇO/23: volta pra casa
?️ DEZEMBRO/23: finalista do #ClubWCpic.twitter.com/WveRbGdm3x
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) December 18, 2023
Se o lateral-esquerdo fez a jogada mais decisiva da partida ao dar uma caneta e sofrer pênalti de Tau no segundo tempo, ele e o zagueiro foram importantíssimos mesmo após deixarem o gramado. Eram os dois quem reclamavam da arbitragem, ditavam o ritmo do time com palmas, gritos e muita torcida.
Marcelo. Em um lance. É um gênio. O Fluminense precisava dele. https://t.co/zoDJQ2vcdP
— Caio Blois (@caioblois) December 18, 2023
Também ora de campo, Marcelo e Felipe Melo comandaram o Flu rumo à decisão.
John Kennedy promete, dança e faz gol decisivo — tudo de novo
John Kennedy repetiu o que fez na final da Libertadores. Primeiro, se foi filmado dançando o funk “Bonde do Tigrão” no aquecimento, no Maracanã, repetiu a dose quando o sistema de som em Jeddah tocou o hino do Fluminense no ritmo que é febre no Rio de Janeiro.
Apenas John Kennedy aquecendo pra uma final de Libertadores enquanto dança
pic.twitter.com/HTmqpNCl3N— Nezi (@lrrnezi) November 5, 2023
Depois, quando balançou as redes em um momento decisivo — o que, claro, ele mesmo já havia previsto.
Predestinado, o jovem de 21 anos entrou no segundo tempo e como se jogasse uma pelada de fim de ano, desmontou a zaga do Al Ahly. Venceu no pivô, driblou para os dois lados, deixou Cano na cara do gol e marcou mais um golaço para a conta.
CADA LUGAR TEM UM REI ??
?: Marcelo Gonçalves/FFC pic.twitter.com/n0wyPAQ2Ns
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) December 18, 2023
Diniz se derreteu em elogios para o atacante especial que tem no banco de reservas.
— John Kennedy é um jogador certamente com muito potencial, de ser brilhante. Brilhante mesmo, de jogar em seleção brasileira, de decidir Libertadores, de decidir Copa do Mundo. Potencial ele tem, a gente não sabe se vai acontecer, temos que ver. É um cara predestinado. Sabe fazer gol e, além disso, tem uma atração entre ele e o gol. Se percebe com poucos toques que há uma diferença. Ele virou um cara muito mais profissional, está muito mais treinado. É um cara que decide jogos. É um jogador especial. Eu espero que ele consiga crescer cada vez para dar conta do potencial que ele tem.
Martinelli tem mais uma grande atuação pelo Fluminense
A atuação soberba de Martinelli, por exemplo, não pode ficar em segundo plano. O camisa 8 foi um dos responsáveis para que o Flu tenha se classificado para a final do Mundial de Clubes na sexta (22), às 15h (de Brasília). O trabalho de formiguinha em campo nem sempre é visto.
Muita classe. Que partida mágica, Martinelli!
?: Lucas Merçon/FFC pic.twitter.com/njy08pYx3U
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) December 19, 2023
André ganhou o prêmio de melhor do jogo pela Fifa, mas seu companheiro de base e profissional foi de longe o grande nome do meio campo tricolor contra o Al Ahly. O próprio camisa 7 elogiou o amigo.
— Martinelli é um moleque que jogo com ele há seis anos. Vem evoluindo cada vez mais, fico muito feliz pela grande partida. É um cara que me ajuda muito dentro de campo e cada vez mais se mostra um grande jogador — disse André, em sua coletiva.

Autor do passe que terminou no gol de John Kennedy, garantindo o Flu na final do Mundial de Clubes, o camisa 8 viveu um 2023 diferente. Começou em baixa e termina a temporada como titular absoluto e destaque da equipe.
— Ano difícil, sofri uma lesão, mas logo depois adquiri confiança. Tenho total gratidão ao Diniz e aos companheiros, espero desfrutar ao máximo com eles, tem mais um jogo pela frente — afirmou Martinelli, na zona mista.




