Mundial de Clubes

O que não dá pra ver pela TV: os detalhes de Fluminense x Al Ahly no Mundial de Clubes

Da tática aos gritos no vestiário, Fluminense vive grandes dias de sua história na Arábia Saudita, e muitos detalhes não aparecem na TV

Que torcedor não sonhou em ver o seu time campeão do Mundial de Clubes? Os tricolores são um dos poucos que mantém esse desejo possível em 2023. Vivendo um ano mágico, o Fluminense venceu o Al Ahly por 2 a 0 no King Abdullah Sporting City Stadium e se classificou para a final da competição. E da Arábia Saudita, a Trivela te conta o que não foi possível ver pela TV.

Antes mesmo de a bola rolar, já era possível ver que os egípcios não estariam apenas em maior número, mas jogariam com quase toda a arquibancada a seu favor. O fim de tarde nos arredores do estádio só confirmou a impressão.

Com uma das maiores torcidas do mundo, o Al Ahly do vizinho Egito tinha uma massa a seu favor. Mas dentro da Joia da Coroa, os tricolores calaram o Mar Vermelho em quase todo o jogo.

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Em menor número em Jeddah, por motivos mais do que óbvios, torcida do Fluminense calou a do Al Ahly no Mundial de Clubes - FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C.
Em menor número em Jeddah, por motivos mais do que óbvios, torcida do Fluminense calou a do Al Ahly no Mundial de Clubes – FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C.

Dentro de campo, partidas quase impecáveis podem ter passado desapercebidas do grande público. Milhões de torcedores do Fluminense espalhados pelo mundo acompanharam o jogo da TV, de onde é mais difícil ter dimensão de funções táticas nem sempre próximas à bola. As reações, comemorações e palavras não gravadas dos jogadores e do técnico Fernando Diniz são exemplo disso.

‘Tá chegando a hora!’, disse Diniz após vitória do Fluminense

A coletiva bem humorada de Fernando Diniz após a vitória agradou a imprensa brasileira e internacional em Jeddah. Egípcios gostaram dos elogios do treinador ao Al Ahly, e os sauditas valorizaram o destaque ao gramado. Embora tenha dito que atrapalhou um pouco o Tricolor, o campo foi exaltado por Diniz.

— Ele disse mesmo que todos os gramados deveriam ser assim? — perguntou o saudita Mohamed Attaraqui.

Com duas coletivas bem humoradas, respeito e elogios aos adversários, Fernando Diniz fez sucesso com imprensa internacional no Mundial de Clubes - Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC
Com duas coletivas bem humoradas, respeito e elogios aos adversários, Fernando Diniz fez sucesso com imprensa internacional no Mundial de Clubes – Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC

Enquanto repórteres brasileiros diziam que sim, o técnico do Fluminense cumprimentava a imprensa de cima do palco montado para sua coletiva. Ao ver torcedores do clube entre os jornalistas, soltou, com um sorriso.

— Tá chegando a hora! — gritou.

O túnel por dentro do estádio levava a sala de imprensa ao espaço destinado aos jogadores. Quando as portas se abriram para a saída de Fernando Diniz, foi possível ouvir em alto e estridente som um “Vitória, Fluminense!” seguido da música “Loucos da cabeça”, cantada pelos jogadores no vestiário tricolor.

Marcelo e Felipe Melo comandam Fluminense também fora do campo

Os dois jogadores mais conhecidos do público na Arábia Saudita jogam pelo lado esquerdo da defesa. Felipe Melo e Marcelo não são famosos à toa: jogaram em gigantes do futebol mundial, na Seleção Brasileira e são líderes do Fluminense que chegou à final do Mundial de Clubes.

Se o lateral-esquerdo fez a jogada mais decisiva da partida ao dar uma caneta e sofrer pênalti de Tau no segundo tempo, ele e o zagueiro foram importantíssimos mesmo após deixarem o gramado. Eram os dois quem reclamavam da arbitragem, ditavam o ritmo do time com palmas, gritos e muita torcida.

Também ora de campo, Marcelo e Felipe Melo comandaram o Flu rumo à decisão.

John Kennedy promete, dança e faz gol decisivo — tudo de novo

John Kennedy repetiu o que fez na final da Libertadores. Primeiro, se foi filmado dançando o funk “Bonde do Tigrão” no aquecimento, no Maracanã, repetiu a dose quando o sistema de som em Jeddah tocou o hino do Fluminense no ritmo que é febre no Rio de Janeiro.

Depois, quando balançou as redes em um momento decisivo — o que, claro, ele mesmo já havia previsto.

Predestinado, o jovem de 21 anos entrou no segundo tempo e como se jogasse uma pelada de fim de ano, desmontou a zaga do Al Ahly. Venceu no pivô, driblou para os dois lados, deixou Cano na cara do gol e marcou mais um golaço para a conta.

Diniz se derreteu em elogios para o atacante especial que tem no banco de reservas.

— John Kennedy é um jogador certamente com muito potencial, de ser brilhante. Brilhante mesmo, de jogar em seleção brasileira, de decidir Libertadores, de decidir Copa do Mundo. Potencial ele tem, a gente não sabe se vai acontecer, temos que ver. É um cara predestinado. Sabe fazer gol e, além disso, tem uma atração entre ele e o gol. Se percebe com poucos toques que há uma diferença. Ele virou um cara muito mais profissional, está muito mais treinado. É um cara que decide jogos. É um jogador especial. Eu espero que ele consiga crescer cada vez para dar conta do potencial que ele tem.

Martinelli tem mais uma grande atuação pelo Fluminense

A atuação soberba de Martinelli, por exemplo, não pode ficar em segundo plano. O camisa 8 foi um dos responsáveis para que o Flu tenha se classificado para a final do Mundial de Clubes na sexta (22), às 15h (de Brasília). O trabalho de formiguinha em campo nem sempre é visto.

André ganhou o prêmio de melhor do jogo pela Fifa, mas seu companheiro de base e profissional foi de longe o grande nome do meio campo tricolor contra o Al Ahly. O próprio camisa 7 elogiou o amigo.

— Martinelli é um moleque que jogo com ele há seis anos. Vem evoluindo cada vez mais, fico muito feliz pela grande partida. É um cara que me ajuda muito dentro de campo e cada vez mais se mostra um grande jogador — disse André, em sua coletiva.

Martinelli e John Kennedy foram dois dos grandes nomes do Fluminense na vitória sobre o Al Ahly pela final do Mundial de Clubes - Foto: Icon sport
Martinelli e John Kennedy foram dois dos grandes nomes do Fluminense na vitória sobre o Al Ahly pela final do Mundial de Clubes – Foto: Icon sport

Autor do passe que terminou no gol de John Kennedy, garantindo o Flu na final do Mundial de Clubes, o camisa 8 viveu um 2023 diferente. Começou em baixa e termina a temporada como titular absoluto e destaque da equipe.

— Ano difícil, sofri uma lesão, mas logo depois adquiri confiança. Tenho total gratidão ao Diniz e aos companheiros, espero desfrutar ao máximo com eles, tem mais um jogo pela frente — afirmou Martinelli, na zona mista.

 

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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