Fifa não cumpre promessa e clubes se frustram sem dinheiro vindo do ‘Super Mundial’
Demora ao pagar tem gerado inquietação em clubes que participaram do torneio
Seis meses se passaram desde a final da Copa do Mundo de Clubes, vencido pelo Chelsea por 3 a 0 sobre o Paris Saint-Germain. Desde então, os clubes ainda aguardam o pagamento de 185 milhões de libras prometido pela Fifa. Presidente da entidade, Gianni Infantino é o grande criador da nova competição, que foi abraçada pelo público brasileiro, mas criticada pela imprensa europeia que viu mais um torneio no seu calendário.
De acordo com o jornal “The Guardian”, as equipes que não participaram do torneio receberam a promessa de uma parte do montante, com o objetivo de garantir que uma parcela do financiamento do evento fosse distribuída por toda a pirâmide do futebol.
Segundo o jornal inglês, se dividido igualmente, o valor seria de cerca de 50 mil libras (cerca R$ 351 mil) para cada clube da primeira divisão do mundo, mas, mais de sete meses após o término do Mundial de Clubes, não há sinal do dinheiro e nenhum prazo para sua distribuição.
Fifa enfrenta problemas
O periódico apurou que a Fifa ainda não definiu como o dinheiro será alocado e que não há indício de que o valor não será repassado, mas os clubes das ligas menores estão ficando particularmente impacientes.
Já os 740 milhões de libras reservados como prêmios já teriam sido liberados. Segundo o “Guardian”, o Chelsea, vencedor do torneio, pode ter faturado cerca de 84 milhões de libras.
Um executivo de uma das ligas menores da Europa informou ao “Guardian” que não houve respostas claras sobre quando seus clubes receberão os pagamentos, apesar das constantes solicitações.

Na Europa existe a percepção de que a Fifa tem adiado a definição de uma fórmula final para a distribuição dos pagamentos. Em algumas ocasiões, acredita-se que a federação tenha adiado reuniões sobre o tema.
O “Guardian” também informou que a principal entidade do futebol está em diálogo há vários meses com a entidade dos clubes europeus, que chegou a um acordo no ano passado para que cerca de 13% da receita fosse reservada para pagamentos de solidariedade.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
O que gera o impasse para o pagamento?
Segundo o jornal inglês, um dos principais problemas é que ainda não foi definida uma fórmula para dividir os 185 milhões de libras entre as seis confederações que estiveram representadas no Mundial de Clubes em proporções bastante distintas. O apontamento é que, na prática, seria improvável que os clubes recebam quantias idênticas.
Além disso, segundo o “Guardian”, a maioria das confederações não possui um mecanismo para distribuir esses pagamentos.
Fontes da Fifa disseram que estão em discussões com as confederações e os clubes para chegar em um consenso sobre como o dinheiro será distribuído e que desejam que todos os envolvidos se beneficiem do que consideram um torneio bem-sucedido.
Contudo, uma fonte da União de Clubes Europeus (UEC), que representa mais de 140 clubes não profissionais em toda a Europa, afirmou que a situação seria o oposto e que nenhum de seus membros recebeu qualquer informação sobre quando os pagamentos poderão ser recebidos.
Outro fator que pode ter atrasado os repasses se deve à demora o acordo de financiamento da Fifa na competição para o Mundial. Isso porque somente em março, três meses antes do torneio, os valores dos prêmios e dos fundos de solidariedade foram definidos.
As polêmicas de Infantino e seu torneio
Das reclamações de temperaturas elevadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entregando o prêmio de campeão ao Chelsea, a Copa do Mundo de Clubes tomou o noticiário.
A falta de infraestrutura adequada de transporte para os estádios em algumas cidades também foi uma das críticas recebidas.
O público também foi irregular na fase de grupos da competição, mostrando o pouco apelo do torneio entre torcedores que moram nos Estados Unidos.



